sexta-feira, 29 de outubro de 2010

As bebidas alcoólicas reduzem o risco de doenças cardiovasculares.






Desde há muitos tempo que o consumo de bebidas alcoólicas está associado a acidentes de viação, delinquência, violência familiar e doenças. Poucos são os artigos e estudos que falam dos seus benefícios, e no entanto eles existem.


Não se trata aqui de promover o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, mas de desvendar o proveito do seu consumo moderado na redução do risco cardiovascular.



Dados:



Vários estudos clínicos e epidemiológicos comprovam que a ingestão regular de bebidas alcoólicas reduz a incidência de doenças cardiovasculares e de vir a desenvolver diabetes.


Alguns estudos observam este efeito preferencialmente com a ingestão de vinho, sobretudo vinho tinto, mas de uma maneira geral tais efeitos também se observam com a ingestão de cerveja, e até whisky.


Nos indivíduos com enfarte agudo do miocárdio recente, os que consumiam 2 a 4 copos de vinho por dia apresentaram reduções na ordem dos 50 a 60% no risco de recorrência da doença coronária.


A ingestão de bebidas alcoólicas também reduz o risco de diabetes tipo 2 em 20 a 40% e o de desenvolver hipertensão arterial.





Quanto à quantidade ideal para tais profilaxias, os vários estudos apontam para uma ingestão diária de álcool de 10 a 30 gramas, correspondente a 150 a 200 ml de vinho e cerca de 500 ml de cerveja. Alguns estudos preconizam até 60 gramas diários de álcool.







Mecanismo de acção:





O consumo de álcool promove um aumento significativo no organismo do colesterol HDL (o "bom" colesterol). Alguns estudos referem que cada mg de aumento do HDL reduz de 2% a 3% o risco de vir a sofrer de doenças cardiovasculares. A ingestão diária de 1ml por quilo de peso aumenta o HDL em 18%.


A ingestão de álcool também aumenta a sensibilidade à insulina o que conduz a um menor risco de vir a desenvolver diabetes.


As bebidas alcoólicas possuem compostos que têm efeitos anti-oxidantes e anti-inflamatórios e que poderão ser responsáveis pelas suas propriedades anti-aterogénicas e consequente diminuição do risco de desenvolvimento da aterosclerose.


Este texto foi baseado no excelente artigo do Dr. José Manuel Pereira de Moura, publicado na revista "Factores de Risco", nº18, Julho/Setembro 2010. Nele podem ser encontradas todas as numerosas referências aos respectivos estudos clínicos no qual este foi fundamentado.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ginásios: IVA a 23%

A Associação de Empresas de Ginásios e Academias de Portugal (AGAP) calcula que o aumento do IVA (para 23%) vai reduzir em 15% a frequência destes espaços.



Segundo a associação, o sector será obrigado a despedir cerca de 2.850 trabalhadores, que poderão passar para o Sistema de Apoio Social do Estado, gerando uma despesa de 17 milhões de euros.
Ora a receita prevista de nove milhões de euros com os cerca de 600.000 praticantes nos ginásios privados vai esbater aquele impacto. No entanto, o resultado final são gastos de oito milhões de euros para os cofres do Estado.


Um exagero nas contas da AGAP.


Temos pena, deste sector, mas quando o IVA passou de 21% para 5% em janeiro de 2008, foram esses mesmos ginásios que transformaram a redução de imposto em aumento das suas margens de lucro.


Efectivamente, quando o estado desceu a taxa de IVA de 21% para 5% para incintivar a prática desportiva, várias foram as queixas apresentadas aos vários ginásios por não comprirem a lei. O Holmes Place, por exemplo, uma das maiores redes de ginásios em Portugal, quando confrontado com tal facto, inventou uma sobretaxa de "actividade em grupo", não prevista nas condições contratuais para absorver a descida do IVA.


Na altura, o Secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, disse que os ginásios iriam ser investigados para garantir que não havia cartelização no sector, já que a descida do IVA não tinha provocado uma baixa generalizada no preço das mensalidades.


Disse ainda que "Temos consciência que o mercado dita as suas regras e uma das regras é a fixação livre de preços, que tem a ver com a sã e livre concorrência. Mas algumas práticas que detectámos não correspondem a essas regras". O secretário de Estado queria ainda que fosse fiscalizada a real aplicação da taxa de IVA, para que seja confirmado se estava ou não a haver uma "correspondência fiscal ao definido".


Algum houviu falar das conclusões dessas investigações por parte da ASAE?


Pois bem, quanto à suspeita de cartelização, como habitualmente nestes casos, a resposta é que não foi possível chegar a tal acusação.


Quanto às reclamações da não descida do preço, a ASAE encaminhou o processo para a DGCI-Inspecção Tributária, por não ter competência para analisar as reclamações. Este organismo nunca divulgou as sua sconclusões.



É verdade que devido à situação de crise que vivemos em Portugal, poderá haver uma ligeira quebra na frequência dos ginásios, mas a maioria dos utilizadores desses ginásios pertencem à classe média e média-alta e o aumento do IVA poderá não se fazer sentir quanto ao número de frequentadores. De referir que na União Europeia os preços praticados são muitissimo mais baixos.



Uma chamada de atenção pertinente, se é verdade que o IVA de todos os serviços de actividades de prática desportiva, como os ginásio, vai subir para 23%, de fora ficam os espectáculos, as provas e manifestações desportivas (por ex., um jogo de futebol) ou outros divertimentos públicos que continuam com a taxa antiga. Porquê?






Por fim, e para evitar surpresas, a DECO recomenda que antes de se inscriver num ginásio:


- faça uma lista de ginásios e compare serviços, preços e instalações;
- se lhe oferecerem condições especiais extra-contrato, exija-as por escrito;
- veja se pode cancelar sem ser penalizado, em caso de doença. Por vezes, obrigam a um período de fidelização;
- esteja atento a renovações automáticas que o comprometem por um tempo fixo;
- peça cópias do contrato ou regulamento.



http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=13&id_news=145847

http://www.uwu.pt/noticias/detalhe.php?id=414

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Como tornar um medicamento rentável.








A propósito da retirada do mercado da rosaglitazona (Avandia, Avandamet) é interessante lembrar como foi possível colocar no mercado uma molécula sem grande interesse terapêutico e torná-la num medicamente altamente rentável.





O percurso de uma medicamento...



O laboratório farmacêutico que propõe uma nova molécula, tem que reunir um dossiê e submete-lo às autoridades administrativas competentes. Estas são a EMEA, a INFARMED (em Portugal), a AFSSAPS (em França), a FDA (nos Estados Unidos), etc.


Quando um medicamento novo é colocado no mercado, este vai ser caro, dado que foi o culminar de uma investigação dispendiosa, apesar do seu interesse terapêutico poder ser limitado e fundado sobre critérios indirecto de substituição.


Uma vez comercializado, pode vir a ser alvo de estudos clínicos que colocam dúvidas quanto ao seu risco/benefício. O laboratório que o produziu continuará a dizer junto dos médicos, através sobretudo dos delegados de informação médica, que este é seguro e que os artigos que suspeitam do medicamento estão a exagerar.



Quando através da farmacovigilância se chega à conclusão que existem cada vez mais efeitos secundários referenciados, coloca-se a questão da sua eventual retirada do mercado. Mas inicialmente ele não é retirado do mercado; em contrapartida, vão-se colocar na bula do medicamento sucessivas "precauções" no seu uso, muitas delas impossíveis de por em prática por parte do médico.Entretanto a promoção desse medicamento continua.



Por fim, quando os estudos clínicos desfavoráveis são demasiado numerosos para serem escondidos, e muitas vezes após a morte de vários doentes, o medicamento é finalmente retirado do mercado.




Como limitar os "novos" medicamentos?




A questão pertinente é: será possível limitar a saída de "novos" medicamentos que não apresentam um valor terapêutico real?

Será, para isso, necessário criar novas comissões ou aumentar o número de especialistas?


Não, estas comissões já existem em número suficiente e os especialistas também. Trata-se na realidade de uma questão de bom senso, que assentam em regras simples de política geral. Por exemplo não julgar uma nova molécula apenas com critérios de substituição, mas sim baseados em parâmetros clínicos fundamentados em tempo suficiente de observação. Isto claro, nas moléculas que não aparentam apresentar um tratamento inovador inquestionável.


Isto não será possível enquanto as relações entre a indústria farmacêutica e as agências governamentais forem promíscuas. Actualmente essas relações são de tal forma complexas e intricadas à escala nacional e internacional, que é difícil as coisas mudarem.


Esta situação faz com que a indústria farmacêutica, perante a dificuldade de verdadeira inovação, se contentem em colocar no mercado moléculas parecidas com as já existentes ou sem valor terapêutico. A guerra depois é feita ao nível da promoção do "novo" medicamento junto da classe médica, que devido a ausência de formação contínua, absorve e acredita no que os laboratórios lhes transmitem.


Quando as agências governamentais retiram do mercado um medicamento, dizem-nos que isso é a prova da sua eficácia, quando na maioria das vezes trata-se da correcção de um erro que poderia ter sido evitado.


Octopus

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Guiné Equatorial: a agonia de um povo.






A Guiné Equatorial tem um território semelhante ao Alentejo, mas é o terceiro maior exportador de petróleo do continente africano. Para além disso, tem gás natural e outras riquezas escondidas no subsolo.


Apesar de ter o maior PIB per capita do continente africano, 77% da população continua a viver abaixo do limiar da pobreza.




Uma ditadura pouco falada nos média.



Este pequeno país com 650 mil habitantes viu a chegada ao poder de Teodoro Obiang, através de um golpe de Estado em 1979. Este acabou com o regime de terror do seu tio Macias Nguema, mas manteve o poder despótico, a corrupção excessiva e as violações dos direitos humanos.


Em 1991 Obiang introduziu formalmente o multipartidarismo; contudo, as eleições nunca foram livres. Os 13 partidos políticos autorizados eram formados por membros do governo.


O Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE) sempre exerceu o monopólio absoluto sobre a vida política e económica do país. PDGE e os seus aliados obtiveram 99 dos 100 assentos no parlamento. Nas eleições presidenciais de Novembro de 2009, Obiang foi reeleito com 95,4% dos votos


O atual presidente, Teodoro Obiang foi eleito pela revista Forbes o oitavo governante mais rico do mundo. No ranking da corrupção da Transparência Internacional o país ocupa o 168º lugar, numa lista de 180 países.


A familia Obiang dedica-se a roubar as propriedades privadas sem pagar um centimo por elas. Os seus habitantes não dispõem de serviços sanitários, educação, segurança ou justiça. Por exemplo, só exite um hospital, em Malabo, e quem o quer utilizar terá de pagar a estadia e tratamento com antecedência e levar com ele todo: desde seringas, medicamentos, colchão e comida!


Teodoro Obiang (conhecido como "El Jefe") está rodeado de perigosos criminais que realizam detenções arbitrárias, torturas e assassinatos contra os seus opositores. Calcula-se que durante os seus 30 anos de mandato, foi exterminada 10% da população e muitos estão desaparecidos ou detidos ilegalmente.




Petróleo: razão de silêncio e complacência.


A Guiné Equatorial produz 400 000 barris de petróleo. Exporta 1 000 000 de metros cúbicos de madeira tropical por ano. A Guiné Equatorial é o maoir centro de tarfico de droga de àfrica.

A elite governante possui 98% da riqueza nacional, enquanto que 80% da população vive com menos de 20 euros por mês.



A intolerável entrada na CPLP


Os membros efectivos da CPLP são actualmente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Existem, além destes, três membros associados: Guiné Equatorial (línguas oficiais: Castelhano e Francês), Senegal (Francês), Ilhas Maurícias (Inglês).

A língua portuguesa, o principal critério da pertença à CPLP, é maltratada no contexto da adesão da Guiné Equatorial, onde as línguas oficiais são o castelhano e o francês, introduzido em 1998. Para poder ser membro da CPLP, a Guiné Equatorial teve de introduzir o português como terceira língua oficial. No caso do regime despótico de Obiang, esta introdução fez-se por decreto presidencial, impensável num país democrático.

A CPLP alega razões históricas que justificariam a adesão da Guiné Equatorial, visto que o território pertencia a Portugal até 1778. Contudo, menos a pequena ilha de Annobón (17 km²), durante 300 anos, nunca foi colonizado por Portugal.

O principal motivo da aproximação da CPLP da Guiné Equatorial não tem nada a ver com história nem língua, mas sim com o potencial económico. Em 2011 o país organizará a cimeira da União Africana e em 2012 realizará, com o Gabão, o Campeonato Africano das Nações, eventos que prometem aumentar os investimentos em infra-estruturas. Não admira que também empresas portuguesas e brasileiras queiram participar nas oportunidades de negócio. Espera-se que a integração na CPLP lhes facilite a competição pelos contratos lucrativos.

A solicitação de Obiang já tem o apoio do Brasil e dos países-membros africanos que esperam beneficiar da riqueza da Guiné Equatorial. Resta saber se Portugal estará também pronto a ignorar os próprios princípios da CPLP para aceitar a ditadura de Obiang no seio da comunidade lusófona. Uma vez integrada na CPLP qualquer influência sobre a ditadura na Guiné Equatorial é impossível, visto que outro princípio da comunidade é a não-ingerência nos assuntos internos de cada Estado.

A Guiné Equatorial é vítima da maldição do petróleo, e como podemos imaginar, países como a China, os Estados Unidos ou a França farão todos os possíveis para manter no poder Obiang e assim garantir a manutenção das suas companhias petrolíferas.




segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O que esconde a sua factura de electricidade !



Portugal é dos países da União Europeia com preços de energia mais elevados, tendo em conta o poder de compra das famílias.



No entanto a electricidade vai sofrer, em 2011, um novo aumento de 3,8% que se traduzirá na realidade num aumento total de 4,7% da sua factura.



De onde vem este valor tão elevado? O que esconde a sua factura de electricidade?









Electricidade cada vez mais cara - EDP cada vez mais lucros.











A electricidade é 23% mais cara em Portugal do que em Espanha


Enquanto os preços médios na UE-27 baixaram 1,5%, em Portugal registaram um aumento de 4,5% em 2009.


Apesar dos lucros de cerca 1.100 milhões de Euros em 2009, a EDP vai aumentar os preços da electricidade em 3,8% em 2011, muito acima da inflação prevista. Na realidade a subida da factura chegará aos 4,7% com a contribuição audiovisual.


Para ficar claro os interesses que a ERSE está a defender, interessa referir que no fim de 2008, segundo o Relatório e Contas da EDP (pág.156), 49% do capital desta empresa estratégica já estava nas mãos de accionistas no estrangeiro (Espanha: 15%; Inglaterra:13%; Resto da Europa: 12%; EUA 9%). E, internamente, alguns dos principais accionistas são grandes grupos económicos (BCP com 3,39% do capital; BES: 3,05%; José de Mello com 4,82%).



E segundo o artº 67º do EBF, que o governo de Sócrates se tem recusado continuamente a alterar, 50% dos dividendos distribuídos aos seus accionistas por empresas que foram privatizadas (e a EDP é uma delas) estão isentos do pagamento de IRS e de IRC, enquanto os rendimentos do trabalho estão sujeitos a impostos elevados. Como refere Eugénio Rosa: "os comentários parecem ser desnecessários".



Se somarmos os lucros líquidos da EDP nos últimos 5 anos e 9 meses, eles totalizam 5.399,1 milhões de euros a preços correntes (a preços actuais são muito superiores), o que mostra, por um lado, que o Estado perdeu uma fonte importante de receitas com a privatização da EDP; por outro lado, que a EDP privatizada se transformou num instrumento importante de exploração dos consumidores e de acumulação dos lucros para os seus actuais proprietários





Uma sanguessuga chamada RTP.




Se pegar na sua factura de electricidade, pode constar o valor pela contribuição audiovisual (antiga taxa de radiodifusão), serve para financiar o serviço público de radiodifusão e televisão e é cobrada indirectamente através da factura da electricidade.




(Neste caso o valor corresponde a dois meses)


A contribuição audiovisual, paga nas facturas eléctricas, vai disparar 29% para 2,25 euros, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2011.
Os consumidores de electricidade vão assim pagar mais para financiar a RTP para compensar os cortes de indemnizações compensatórias para a televisão pública.
Ordenados acima da média para as mesmas funções, mau serviço público, défice financeiro crónico, uma medida que seria bem-vinda.




As insustentáveis energias renováveis.



Integrado nas negociações para a criação do mercado ibérico de energia (Mibel), o mecanismo de garantia de potência é uma velha reivindicação da indústria, a qual reclamava um tratamento idêntico ao praticado do outro lado da fronteira, onde chegou a pesar 1,2 mil milhões de euros.


Os Governos de Portugal e de Espanha acordaram harmonizar a aplicação dos mecanismos de garantia de potência a adoptar para cada um dos sistemas ibéricos tendo em consideração as especificidades próprias de cada sistema.

A medida responde a preocupações manifestadas ao governo pelas eléctricas quanto à rentabilidade destas barragens, que mais que gerarem energia têm a função de estabilizar o efeito das renováveis no sistema eléctrico.


Pode verificar no rodapé da sua factura: " o valor indicado inclui os custos relativos ao uso das redes e os custo de interesse económico geral que decorrem de medidas de política energética". Estes somam mais de 50% do valor total.






O solar e as eólicas são, em parte, os responsáveis por termos de pagar a electricidade tão cara. Era bom que os portugueses percebesem bem para onde vai o que pagam na factura eléctrica.


O mecanismo de garantia de potência deve-se ao desastroso investimento anti-económico na energia eolica. No passado não havia nenhum mecanismo de "garantia de potência" porque uma central convencional não pára. E as empresas investem em centrais maiores que as necessidades porque a diferença entre altos e baixos é menor.Ora com as eolicas se não houver vento capaz, milhões de euros de torres eolicas ficam paradas sem fazer nada. Logo é preciso ter uma alternativa com mais milhões de Euros investidos.


Por falta de vento, as eólicas só conseguem produzir electricidade em 30% da sua “capacidade” instalada, há a necessidade de investir em centrais “tradicionais” para acorrer à satisfação da procura de electricidade sempre que as eólicas não funcionem.
Este sobrecusto (de investimento) da factura eléctrica decorrente da intermitência das eólicas (e das solares) soma-se ao sobrecusto, também de investimento, para acorrer à sobreprodução das eólicas, ou seja, nas verbas aplicadas na construção de albufeiras dotadas de equipamento de bombagem que armazenam a energia produzida (sob a forma de água) quando ela não é necessária (perdendo 25% no processo).


A EDP Renováveis aumentou em 32% a sua produção de electricidade durante o primeiro semestre de 2010, face a igual período do ano anterior.


Portugal propôs-se a, em 2010, dispor de 39% da energia eléctrica gerada a partir de fontes renováveis (directiva europeia 2001/77/CE), a 3ª maior contribuição na UE15.


Espanha dispõe de sete centrais nucleares. No caso de ocorrer um acidente na central espanhola mais próxima, a de Almaraz, que dista 100 km da fronteira, o território português será igualmente atingido. No entanto a hipótese nuclear continua a não ser equacionada.


http://economico.sapo.pt/noticias/electricidade-23-mais-cara-em-portugal-face-a-espanha_10703.html



sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Imposto a custo zero para banca !




Banca: imposto extraordinário de....0,01% a 0,05% !!



O primeiro-ministro, José Sócrates, já tinha avisado que iria ser criada uma taxa sobre os bancos e a proposta de Orçamento de Estado para 2011 vem agora confirmar aquilo que o Executivo designa como contribuição extraordinária: um novo imposto resultante da aplicação de uma taxa entre 0,01% e 0,05% sobre o seu passivo, depois de deduzido o valor dos fundos próprios de base e complementares e de subtraído o montante dos depósitos abrangidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos. As receitas vão ajudar a reduzir o défice público.





Imposto a custo zero para a banca!



Este novo imposto renderá ao Estado mais de 100 milhões. Quem paga? Os clientes claro! São os próprios bancos que o garantem.


O presidente da Caixa Geral de Depósitos, Faria de Oliveira, já tinha avisado que serão os clientes a pagá-lo.


Explicação:

"As variações no custo do funding repercutem-se mais tarde ou mais cedo no custo do crédito", admite António de Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB).
A expressão de "funding" aqui é só para baralhar, trata-se simplesmente do financiamento.

Em vez dos clientes, deveriam ser os accionistas a pagar.



Esta medida não passa de uma medida simbólica para nos dizerem que a banca também paga a crise. A confirmarem-se os valores máximos, o imposto representará um aumento de 20% (que não o vai pagar, mas sim os clientes) em relação à carga fiscal da banca em 2009 (529 milhões de euros), ultrapassando o IRC total pago pelos bancos (74 milhões de euros). Mas não esquecer que a banca em Portugal o valor real de impostos pagos pela banca é de 4,3%, quando valor do IRC + derrama pagos pelas empresas é de 26,5% !


O sistema financeiro mundial não é sustentável.

O sistema financeiro mundial que evoluiu a partir do modelo do Banco da Inglaterra não é sustentável. Ele gera quase todo o dinheiro como dívida.




Tal dinheiro só existe enquanto alguém está disposto e é capaz de pagar juros sobre ele. Esse dinheiro desaparece, total ou parcialmente, em recorrentes crises financeiras. Este sistema exige que novas dívidas sejam criadas mais rapidamente do que os pagamentos do Valor principal e Juros devidos na dívida antiga.






Um sistema financeiro sustentável permitiria à economia real ser mantida década após década, século após século, no seu pleno potencial de utilização sem inflação e recessão recorrentes. Por este padrão, um sistema financeiro que gera dinheiro apenas com a criação da dívida é insustentável.


Quando um banco faz um empréstimo, o montante principal do empréstimo é adicionado ao saldo devedor do banco. O mutuário, (aquele que contrai o empréstimo) no entanto, prometeu pagar o empréstimo, acrescido de juros mesmo que esse empréstimo tenha criado apenas a quantidade de dinheiro necessário para pagar o valor principal, mas não o montante dos juros.


Portanto, a menos que o endividamento cresça continuamente, é impossível que todos os empréstimos sejam pagos na data de vencimento. Para além disso, durante a vigência do empréstimo, uma parte do dinheiro será guardado e re-emprestado por compradores de títulos individuais, por bancos, seguradoras, etc. Estes empréstimos não criam dinheiro novo, mas criam sim dívida.


Enquanto nós usamos apenas um mecanismo ou seja - empréstimos bancários - para criar dinheiro, também usamos vários mecanismos para criar dívida, tornando assim inevitável que a dívida cresça mais rapidamente do que o dinheiro para pagá-la. Ciclos recorrentes de inflação, recessão e depressão são uma consequência quase inevitável.


Se, na tentativa de deter a inflação dos preços, resultantes de uma excessiva taxa de criação da dívida, as autoridade monetárias aumentam a taxa de juros, resultando num provável pânico financeiro. Isto normalmente resulta em numa redução acentuada dos empréstimos.
As autoridades monetárias responderem para socorrer o sistema aumentando as reservas bancárias. Os governos normalmente respondem através do aumento da dívida pública, arriscando tanto a inflação como crescentes deficits do governo



QUATRO regras de senso comum


Governos meteram-se nesta confusão por violarem quatro regras de senso comum sobre as suas políticas, fiscal e monetária. Estas regras são as seguintes:


1. Nenhum governo soberano devera jamais em circunstância alguma, dar o controle democrático da seu fornecimento de dinheiro a banqueiros.


2. Nenhum governo soberano deve jamais, sob quaisquer circunstâncias, tomar emprestado dinheiro de qualquer banco privado.


3. Nenhum governo (em qualquer nível, seja nacional ou regional ) deverá contrair empréstimos em moeda estrangeira para aumentar as compras no exterior, quando existir excessivo desemprego interno.


4. Governos, tal como empresas, devem distinguir entre gastos "capitais" e gastos "actuais" e quando é prudente fazê-lo, financiar os aumentos de capital com o dinheiro que o governo criou para si.



Algumas palavras sobre as duas primeiras dessas regras ...


1- Há uma pressão persistente dos banqueiros centrais e economistas académicos para libertar os bancos centrais da obrigação de considerarem os efeitos das suas acções sobre os níveis de emprego e produção, para que possam concentrar-se na estabilidade dos preços.
Esta é uma péssima ideia. Dominados pelos banqueiros e economistas, os bancos centrais estão inteiramente e demasiadamente propensos a dar atenção exclusiva aos seus próprios interesses com exclusão dos interesses dos trabalhadores. Cartas que altera o banco central para dar-lhes a independência de controlo democrático, ou a criação de "estabilidade de preços" como seu único objectivo seria concluir sua submissão aos interesses dos banqueiros


2- Qualquer pessoa que entenda que os bancos criam o dinheiro que eles emprestam, pode ver que não faz sentido para um governo soberano, o qual pode criar dinheiro a um custo próximo de zero, pedir dinheiro emprestado a um custo elevado a um banco privado que é o caso dos Estados Unidos com o Federal Reserve Bank.
O facto de a maioria dos governos contraem empréstimos de bancos privados é um dos maiores erros do nosso tempo. Se um governo precisa de dinheiro destinado para pagar as despesas públicas, deve criar o próprio dinheiro através do seu próprio banco;



Tradução de um artigo de John H. Hotson

http://www.henrymakow.com/understanding_money.html


No grafico seguinte, podemos ver como é que os bancos criam dinheiro "inexistente":