segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Egito não é a Tunísia!

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Os media ocidentais estão apaixonados pelas manifestações do Egito e pela possível instalação de uma democracia do tipo ocidental no Médio Oriente.

Vêm nesta revolta um paralelismo com o que se passou na Tunísia. Nada de mais errado.






Dois países bem diferentes.


As manifestações no Egito não são recentes, já têm alguns meses. Os media ocidentais não faziam eco delas porque pensavam que elas não iriam ter qualquer impacto. Na realidade não foram os egípcios que foram contaminados pelos tunisinos, mas sim o contrário. Os tunisinos o que fizeram foi abrirem os olhos dos ocidentais sobre o que se estava a passar na região.


Também existe uma grande diferença quanto às razões das revoltas. Os tunisinos manifestaram-se contra um governo e uma administração corruptos que empobreceram as classes mais desprotegidas. No Egito essa revolta é contra um governo que tem servido os interesses estrangeiros durante anos e que se esqueceu das necessidades básicas da população.


A Tunísia estava administrada por um regime policial, enquanto o Egito é administrado por um regime militar.
Essa diferença fez com que fosse possível na Tunísia os militares colocarem-se ao lado do povo. Além disso, o Tunísia tem uma tradição laica e uma elite culta e com formação universitária. e é um país que soube explorar os seus sectores produtivos, a começar pelo turismo.




O mito do radicalismo islâmico.


Destas revoltas nos países árabes podemos desde já tirar uma lição, o perigo do extremismo islamita que servia de espantalho para que esses países fossem dominados por ditadores colocados no poder pelos Estados Unidos e Israel, não existe. Por enquanto, ainda não ouvimos dizer que as manifestações ocorridas tivessem sido manipuladas por facções extremistas religiosas, todas foram mais ou menos espontâneas. Os povos do Médio Oriente não querem substituir as ditaduras policiais ou militares por ditaduras religiosas.


Existem no Egito duas organizações de massa que se opõem: a Irmandade Muçulmana e a igreja copta. Os media ocidentais fizerem crer na opinião pública que os acontecimentos recentes de mortes de cristãos coptas foram perpetrados pelos muçulmanos, quando na realidade foram orquestrados pela ditadura de Moubarak.



Os países árabes sempre foram apresentados como sendo incapazes de assumir uma democracia popular e participativa. Este discurso foi criado pelos países ocidentais para justificar a instalação no poder um regime forte comandado por um ditador. Os Estados Unidos e a Europa sempre estiveram preocupados em controlar a emigração desses países e os seus recursos petrolíferos através das suas multinacionais.



Substituição de marionetes?


O presidente egípcio, Hosni Moubarak, no poder 30 anos, foi colocado e armado pelos Estados Unidos, e tem um importante acordo de paz bilateral com Israel. De facto, o Egito ocupa uma posição estratégica regional, tendo uma importância fundamental na região. Na realidade, no Egito não é o ditador que controla as forças militares, mas sim os militares que controlam o ditador. Este, no fundo, é apenas uma marionete que pode a qualquer momento ser substituído para os militares continuarem a usufruir dos seus exorbitantes privilégios.


Totalmente controlada pelos Estados Unidos e pela CIA, as forças armadas egípcias, numa primeira fase, deixaram instalar-se o caos à espera de saber se Moubarak era capaz de restabelecer a sua autoridade. Se tal não for possível, será substituído por uma outra marionete dos Estados Unidos.


O substituto, tudo leva a crer, poderá ser Mohamed El Baradai, antigo director da AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica)
. Ele teve um papel de relevo na diabolização do Iraque e do Irão, apesar de mostrar posições moderada nos seus discursos.



Um facto relevante, foi o de ter feito o seu primeiro discurso, na chegada ao seu país, numa mesquita, o que terá sido um piscar de olho ao eleitorado religioso.

Será El Baradai, que fez todos os seus estudos e carreira nos Estados Unidos, a próxima marionete que irá substituir Moubarak?

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A guerra do Cacau

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O cacau é um bom exemplo da opacidade e desregulamentação dos mercados alimentares. A recente subida do seu preço em mais de 160%, em grande parte devido aos conflitos na Costa do Marfim (o principal produtor), esconde uma rede restrita de multinacionais que o comercializa e transforma, e onde a especulação é lei.




Produzido nos países pobres para os países ricos.



O cacau é uma das principais mercadorias transaccionadas ao nível mundial, logo a seguir ao café e ao açúcar. O seu preço está dependente sobretudo da oferta e da procura, e a longo prazo está estreitamente ligado ao ciclo do cacau ou seja ciclos de 20 anos.


Como podemos ver no gráfico seguinte, apesar da produção ter duplicado entre 1970 e 2005, o preço manteve-se estável, em termos absolutos, durante todo este período, o que significa um menor rendimento para os produtores.


Prix mondiaux et production de cacao de 1971/72 à 2005/06 (estimations)



O mercado mundial de cacau representa 3 mil milhares de dólares anuais. Este apetecível negócio está nas mãos de 6 multinacionais para parte comercial (Cargill, Olam, Touton, ADM, Confinaf e Noble) e de 5 multinacionais para a parte da transformação (Cargill, ADM, Barry Callebout, Petra Foods e Bloomer).



80% do consumo de cacau situa-se nos países industrializados, do hemisfério norte, quanto à sua produção, ela concentra-se sobretudo em África (Costa do Marfim 35%, Gana 18% e Nigéria 12%), e também na Indonésia (14%) en o Brasil (5%).




Um especulador profissional.




Nos dois últimos anos, o preço do cacau nos mercados duplicou devido a uma baixa de produção em África (por causas climáticas) e pelo aumento da procura de países como a China e a índia. A instabilidade política na Costa do Marfim só aparece como causa nas últimas semanas mas, como iremos ver, já ouve períodos anteriores de instabilidade criados por especuladores para fazer subir artificialmente os preços.



Anthony Ward, CEO de Armajaro Holding com escritórios em Londres mas com sede numa off-shore nas ilhas Virgens, é o principal fornecedor de ADM. Em julho do ano passado comprou 7% da produção mundial (240 000 toneladas), 15 % dos estoques mundiais e 25% dos estoques europeus. Para ter uma ideia do tamanho da compra, imagine 5 barcos com as dimensões do Titanic cheios de cacau e terá essas 240 000 toneladas.Objectivo: diminuir a oferta para fazer subir os preços. Resultado: o maior aumento do preço do cacau em 33 anos.





Esta não é a primeira vez que Anthony Ward pratica uma especulação deste género, em 2002 tinha feito a mesma coisa, nessa altura teve um benefício de 40 milhões de dólares após a revenda de 202 000 toneladas de cacau. As principais vitimas destas especulações são os pequenos agricultores.



A desregulamentação mundial é de tal ordem, que o volume de cacau negociado nos mercados de matérias-primas de Londres e Nova Iorque é várias vezes superior à quantidade realmente produzida.


Anthony Ward não é um homem de negócios qualquer, negoceia entre 400 000 e 500 000 toneladas de cacau anualmente, o que representa um sétimo da produção mundial. Apelidado de "Chocolate Finger" este homem vive das suas especulações financiando ao longo destes anos várias revoltas na Costa do Marfim, através da AIG Fund, para dificultar a produção de cacau e assim fazer subir os preços. Ainda recentemente transferiu ilegalmente grandes quantidades de cacau do Gana para a Costa do Marfim com o mesmo objectivo: manipular os mercados.




Corrupção e ligações secretas.



Armajaro foi fundada por antigos membro de Phibro (Philip Brothers), os mesmos que tiveram implicados na construção do relatório financeiro que esteve na origem do golpe de estado contra Salvador Allende no Chile. O mundo é pequeno! Esta participação permitiu ao Grupo Phibro ganhar mais valias no mercado do cobre de cerca de 14 mil milhões de dólares.


Antes de trabalhar para Phibro, Anthony Ward pertencia aos serviços secretos britânicos MI 5.
Alguns membros de Phibro estiveram na origem da desestabilização do ex-Zaire para o controlo da produção de coltan, uma liga metálica estratégica para o fabrico de microprocessadores.
Mais recentemente, alguns membros de Phibro juntamente, com a AIG Fund, participaram em duas tentativas de desestabilização de Hugo Chavez, desta vez por causa do petroleo.


Anthony Ward mantém, como se deve, boas relações com os principais chefes de estado africanos, principalmente os "colocados" pelos países ocidentais, como no caso do antigo presidente Gbagbo. Até a recente crise política na Costa do Marfim, após as eleições, e a decisão do presidente recentemente eleito, Alassane Ouattara, de suspender durante um mês a exportações de cacau, contribuiu para a sua felicidade: os preços disparam em 160%.


Os pequenos agricultores são os que ficam mais fortemente penalizados por estas situações., quando já de si, um agricultor ganha apenas 5% do valor total do produto final.
No meio de tudo isto existe uma esperança de mudança, assim, o presidente do Gana decidiu aumentar o preço do cacau no produtor em 33% para melhorar as condições de vida, dos agricultores, motivar a produção e lutar contra os efeitos do contrabando.




http://afrique_univ-lyon.ruwenzori.net/msg00581.html

http://www.unctad.org/infocomm/francais/cacao/prix.htm

http://www.slate.fr/lien/25189/speculation-cacao-prix-bourse

http://www.evb.ch/fr/p15379.html

http://www.legrandsoir.info/Cote-d-Ivoire-Passions-et-realites-de-la-crise-ivoirienne.html


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Afinal o Clube Bilderberg existe ( e quem o diz é "The Economist")

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Ainda há uns anos atrás, quem referia a existência do exclusivista Clube de Bilderbergerera acusado de fomentar teorias da conspiração. A semana passada, foi o muito respeitável "The Economist" que confirma que esse clube existe.


Um estranho artigo do "The Economist" fala abertamente e confirma que o Clube Bilderberg é uma estrutura de poder composta por uma "elite cosmopolita" que reúne à porta fechada para construir um mundo no qual uma "superclasse" deseja viver.



Apesar do tom por vezes satírico, o artigo descreve Bilderberg como "uma conspiraçãomaquiavélica que tem por objectivo o domínio do mundo", logo depois confirma que efectivamente este grupo controla grande parte dos acontecimentos económicos e políticos mundiais. O próprio chefe de redacção participa regularmente nas suas conferências anuais.



Neste artigo ficamos a saber entre outras coisas que o Clube Bilderberg foi responsável pela construção da moeda única europeia. Fala também dos clubes mais influentes influentes ao nível mundial, aquelas em que as verdadeiras decisões são tomadas: Bilderberg, Council on Foreign Relations, Comissão Trilateral, Carnegie Endowment for Internacional Peace e o Grupo dos Trinta.


Quanto à crise financeira mundial, diz que esta "superclasse" foi apanhada desprevenida. Depois criticando alguns banqueiros, tenta-nos convencer que foram eles que salvaram o mundo do colapso financeiro. Sabemos que já em 2006, na reunião de Bilderberg no Canadá e em 2007 na Turquia, tinha sido previsto um crash global e uma crise financeira prolongada. Nas reuniões seguintes foram debatidos os meios para controlar a situação económica e financeira, e aumentar a influência mundial desta "superclasse".



Enquanto algumas destas instituições, como o CFR ou a Trilateral, estão progressivamente a abrir-se, as reuniões de Bilderberg permanecem secretas.
Por outro lado, as reuniões de Davos comparativamente com estas mais parecem meras reuniões de Tupperware.


http://infoguerilla.fr/?p=7803

http://www.economist.com/node/17928993/

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Quando a China compra a Europa...

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Os dirigentes chineses estiveram na Grécia em outubro de 2010, depois em dezembro em Portugal e no início deste ano em Espanha, sempre com um objectivo: compra uma parte das dívidas destes países.

Para a China, isto representa uma gota de água dos seus 2648 mil milhares de dólares de reserva monetária de que dispõe, mas estas operações servem muito mais os seus interesses do que os dos Europeus.





No caso de Portugal, a China comprou 4 a 5 mil milhões de euros da nossa dívida. Apesar de esta operação representar apenas uma fracção da divida total portuguesa que está nos 130 mil milhares de euros, ou seja 80% do seu PIB. isto é bom para Portugal que necessita urgentemente de 15 mil milhares de euros para financiar a sua dívida até abril de 2011. O que não impediu a agência de notação Moody's de ameaçar com uma baixa da cotação de Portugal. Mas quem fica a ganhar é a própria China.



A China já detém 630 mil milhões de divida pública na zona euro. Para quê serve esta aposta?
A Europa já é o principal parceiro comercial da China, com 361 mil milhares de trocas comerciais, e estando a ajudar o euro está a ajudar as suas exportações. De facto para proteger as suas exportações, a China tem todo o interesse em que o Euro não esteja muito fraco e tem de impedir que a zona euro caia no caos. Sendo os principais clientes da China, um fornecedor nunca quer que o seu cliente vá à falência.



A China está muito preocupada em que a Europa mantenha a sua moeda única (assim com os Estados Unidos mantenham o seu dólar). Mantendo um euro forte e sobrevalorizado (como também o fazem com o dólar americano), a China beneficia deste modo as suas exportações. A China está a fazer o que faz com a Europa o que fez com os Estados Unidos: financia os défices desses países para ter a certeza que os consumidores americanos e europeus continuem a comprar os produtos chineses, duplamente favorecidos pelas condições salariais chinesas e um yuan muito desvalorizado.



A China aproveita a garantia financeira dada pela União Europeia aos estados que apoia para investir na Europa sem qualquer risco. Os mercados financeiros europeus fornecem desta maneira à China os meios para que os seus produtos sejam comprados na Europa pelos próprios subsídios europeus. As dividas compradas à Espanha, Portugal, Grécia ou Irlanda, têm uma remuneração dupla ou tripla dos da divida alemã, o que representa um excelente investimento para um risco quase nulo.



Ao apostar na Europa, a China também está a dividir as suas apostas diversificando os mercados de investimento. Pequim já tem mais de 900 mil milhões de dólares em obrigações públicas americanas.



Este problema do euro face à China, faz lembrar os primeiros tempos da moeda europeia, em que perante uma subvalorização do dólare, os responsáveis do Banco Central Europeu deixaram-se anestesiar pela ilusão de um euro forte. Com uma paridade de 0,84 euros por dólar, os problemas de competitividade na zona euro face aos produtos das zonas dólar ou yuan eram praticamente inexistentes. Progressivamente, o dólar passou de 0,84 para 1,30 e atingir mais tarde 1,45 e os países europeus começaram a ter imensa dificuldade em tornar os seu produtos competitivos.


Com a China, estamos perante um facto absurdo e inédito em que um país em via de desenvolvimento financia o consumo de países qualificados de desenvolvidos.





http://gaulliste-villepiniste.hautetfort.com/archive/2011/01/21/l-europe-les-nouveaux-etats-unis-de-la-chine.html

http://www.rtbf.be/classic21/article_pourquoi-la-chine-a-sauve-l-euro-la-semaine-derniere?id=153381

http://bruxelles.blogs.liberation.fr/coulisses/2010/10/la-chine-investit-la-zone-euro.html


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Wikileaks e Assange (3ª Parte)

Terceira e última parte do artigo de Daniel Estulin, que nos ajuda a compreender quem é Julian Assange, que considera o 11 de setembro como um acontecimento livre de qualquer conspiração, e qual é o papel de Wikileaks nos interesses do Pentágono.


Tradução: Octopus)


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Wikileaks define-se a si próprio como sendo "uma organização multi-jurisdicional para proteger os dissidentes internos, reveladores de informação, jornalistas e blogers, que enfrentam ameaças legais ou de outro tipo por publicar informações cujo interesse principal é o de expor regimes opressivos na Ásia, o antigo bloco soviético, em África subsaariana, e no médio oriente; contudo prestamos assistência a qualquer pessoa de outro país que queira revelar comportamentos não-éticos de governos ou corporações. E procuramos obter o máximo impacto político".


No entanto, um exame mais pormenorizado da postura pública de Assange sobre um dos temas mais controverso do nosso tempo, as forças por trás dos atentados do 11 de setembro contra o Pentágono e o World Trade Center, mostra que Assange parece ter uma postura demasiado próxima do poder.


Quando o Belfast Telegraph o entrevistou no dia 19 de julho de 2010, Assange afirmou: "Cada vez que as pessoas poderosas se reúnem em segredo estão a realizar uma conspiração. Se assim fosse, existiriam conspirações por todo lado. Também existem falsa conspirações, é importante não confundir as duas coisas..."


E o 11 de setembro?: "Irrita-me estar constantemente a ser incomodado com pessoas que se deixam distrair por falsas conspirações como a do 11 de setembro, quando todos os dias existem provas de conspirações verdadeiras nas guerras e na fraude financeira".

Essa declaração de uma pessoa que construiu uma reputação de ser anti-sistema é não deixa de ser notável.

Depois das fugas reveladas nos últimos documentos, o New York Times declarou que "às vezes não distinguimos se uma informação em particular é baseada em observações em primeira mão, proveniente de uma fonte secreta e fidedigna, ou se são fontes menos fiáveis baseadas em especulações do autor. Contudo, as revelações apresentadas são claramente incompletas".


Do meu ponto de vista, como ex-agente de contra espionagem, esta é a metodologia que consiste em usar documentos autênticos amplificados com o objectivo de enganar.


O Independent de Londres publicou uma entrevista com Assange no dia 18 de julho de 2010 quando Assange dizia ser procurado pela CIA. Se os Estados Unidos o queriam interrogar desde marco de 2010, que diabo fazia Assange no Reino Unido, sabendo nós que os organismos de segurança trabalham em estreita colaboração com Washington? O facto de Assange estar vivo e circular livremente no Reino Unido mostra o desinteresse da CIA em matá-lo ou prendê-lo para ser interrogado.


O papel do Pentágono.

Agora, com o aparecimento de Wikileaks, temos uma repetição na era cibernética semelhante ao caso dos "Papeis do Pentágono". Qual foi o objectivo dos Papeis do Pentágono? Foi uma operação de engenheiria psicológica que mudou, para consumo público, a responsabilidade do enorme fracasso dos serviços secretos no Vietnam, desde a CIA até aos militares. Afinal, só a CIA e os seus amigos, próximos da indústria militar, beneficiaram com a guerra. Devido aos Papeis do Pentágono, nunca foram apuradas as responsabilidades dos acontecimentos.


Revendo os factos, um autêntico tesouro de documentos "altamente secretos" tinham sido entregues ao New York Times em meados de junho de 1971, por um então desconhecido "Hippie" de um movimento aparentemente contracultura. Chamava-se Daniel Ellsberg. No entanto, o que muitas pessoas não sabiam é que Daniel Ellsberg tinha trabalhado para a secretaria dos Assuntos Internacionais de Segurança, dirigido por Henry Kissinger. Foi assim que Daniel Ellsberg, supostamente um dissidente americano, iniciou uma carreira meteórica como oficial dos serviços secretos americanos.

Para terminar, apesar de estes rumores poderem fazer parte de uma burla estratégica para deslegitimar Wikileaks, o certo é que os segredos revelados pela organização estão a ser seleccionados de acordo com uma complexa agenda de longo prazo por pessoas que ainda estão por desmascarar.


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Wikileaks e Assange (2ª parte)

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Segunda parte do excelente artigo de Daniel Estulin, sobre o fundador de Wikileaks, Julian Assange, que parece ser uma personagem saída de um filme de espionagem com revelações que ajudam os futuros planos estratégicos dos Estados Unidos.



Tradução: Octopus)



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Tudo o que foi deixado para trás.


Foi então que Assange, hacker confessado, decidiu criar a sua criatura mais endiabrada: Wikileaks. Após a divulgação do vídeo dramático, em que as forças armadas dos Estados Unidos disparam a partir de um helicóptero sobre jornalistas desarmados no Iraque, Wikileaks adquiriu uma notoriedade e uma credibilidade mundial sendo considerado um site que fornece ao público material super sensível.


As revelações mais recentes foram as alegadas fugas de centenas de milhares de páginas de material supostamente sensível, proveniente de fontes americanas, dos Talibãs no Afeganistão e as suas ligações com os membros dos serviços secretos paquistaneses. Isto para já não falar de uma grande quantidade de telegramas diplomáticos de funcionários americanos nos quais são reveladas "fofoquices geopolíticas", algumas das quais relevantes, mais outras meramente divertidas.


Estas provas, no entanto, mostram que longe de ter uma informação privilegiada, Wikileaks faz parte de um programa dos Estados Unidos e actua simultaneamente como uma cobertura para esconder o papel do governo americano no negócio da droga no Afeganistão.


Quem é Julian Assange?

Com centenas de milhares de páginas escritas sobre ele, Julian Assange tornou-se de repente na luz da verdade à custa do seu espectacular golpe mediático. As fugas de Wikileaks colocaram em xeque quase todos os países do mundo.
Desde de que foram tornados públicos os documentos provenientes do Afeganistão, que a Casa Branca deu ainda maior credibilidade aos documentos legitimando a Wikileaks e dizendo que novas fugas poderiam por em causa a segurança interna dos Estados Unidos. Hillary Clinton, a partir do seu mundo paralelo de fumes e espelhos, chegou até a afirmar que estas fugas eram um atentado contra a comunidade internacional.


No entanto, os documentos revelam pouco de verdadeiramente sensível. Uma das pessoas que mais se destacam destas fugas de informação do Wikileaks é Hamid Gul. General reformado e ex-director dos Serviços da Inteligência do Paquistão (o ISI), foi o homem que durante a década de 1980 coordenou a guerra dos mujaidin, financiada pela CIA no Afeganistão, contra o regime soviético. de acordo com os documentos tornados públicos, Gul este é acusado de colaborar com a Al-Qaida e os Talibãs, organizando e levando a cabo atentados contra as tropas da NATO no Afeganistão.

Poderia ter sido revelado muito mais nesta informação, ela esconde mais do que revela. Wikileaks diz alguma coisa sobre Bin Laden? Nem uma palavra. O que não deixa de ser curioso, dado que o governo americano possui milhões de paginas de material a este respeito. Estará vivo? Todos os serviços de espionagem do mundo sabem que morreu em dezembro de 2001.


A acusação de Gul, como o elo de ligação chave com os Talibãs, faz parte de um projecto mais amplo por parte dos Estados Unidos e do Reino Unido. Os seus recentes esforços para satanizar o actual regime do Paquistão faz parte da chave para resolver os problemas do Afeganistão. Esta demonização reforça consideravelmente a posição do último aliado militar dos Estados Unidos na Ásia: a Índia. Por outro lado, o Paquistão é o único país muçulmano que possui armas nucleares e as forças de defesa israelitas e a Mossad gostariam muito de poder eliminar essas armas nucleares paquistanesas. Uma campanha de desinformação contra o polémico ex-general Gul através do Wikileaks poderá fazer parte dessa estratégia geopolítica.

Estranhamente, Israel sai ilesa dos danos colaterais de Wikileaks. Não se fica a saber nada sobre os assassinatos selectivos realizados pelo governo israelita, nem do uso de míni bombas nucleares para criar um inimigo invisível, como o atentado de Bali em 2002 perpetrado pela Mossad e que matou mais de 5000 pessoas, segundo dados dos serviços secretos militares da Tailândia, nem tão pouco existe qualquer palavra sobre a infiltração de agentes da Mossad nas agências de espionagem americanas.

O nome de Gul aparece em 10 de 180 arquivos classificados americanos que alegam que este, sendo agente secreto do Paquistão apoio militantes afegãs para lutar contra as forças da NATO. Gul disse ao Financial Times que os Estados Unidos tinham perdido a guerra no Afeganistão e que a fuga de certos documentos ajudaria a administração Obama a desvia as culpas sugerindo que o Paquistão era o responsável dessa derrota.


O pior, é que do ponto de vista do "Império", foi Gul ter tido a ousadia de trazer à luz do dia a roupa sujos do exército americano e revelar o papel desse exército na venda de heroína afegã através da base secreta de Manas no Quirguistão. Quase um milhão de páginas de Wihileaks e nem uma sobre a droga. O exército americano está no centro da ajuda aos senhores da guerra afegãos transportando o ópio e a heroína. Além disso, a CIA e o Pentágono estão envolvidos numa guerra em que cada um acusa o outro de se apropriar do dinheiro do tráfico de droga no Afeganistão. E nem uma palavra sobre o assunto no Wikileaks.

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Wikileaks e Assange (1ª Parte)

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Mais um artigo sobre Wikileaks. Mas desta vez trata-se de um texto que por ser da autoria de Daniel Estulin, merece ser lido até ao fim, para compreender melhor o enigmático Assange.

Dada a extensão do texto, este foi dividido
em 3 partes.

O original pode ser consultado em: http://www.danielestulin.com/2010/12/07/wikileaks-y-assange/

Tradução: Octopus.




Supostamente tem 39 anos, porque supostamente nasceu em Townsville (Austrália) em 1971. E supostamente nunca trabalhou para nenhum serviço de espionagem. Eu sim, como agente de contra-espionagem militar para Moscovo. E por isso sei melhor do que ninguém que existem personagens na sombra cuja biografia é apenas constituída de aproximações.


Quem é Julian Assange, o homem que dizem ter iluminado com a sua luz a verdade das relações internacionais e desmascarado as vergonhas dos todos poderosos Estados Unidos? Quem é o chefe de Wikileaks? De onde veio? Com certeza, deve-se ter materializado de repente do nada. Sem passado verificável além do testemunho da sua infância contada desde os antípodes pela sua mãe, que lhe deu o nome, e que agora teme por ele (Christine Assange disse:"Gente poderosa quer a pele do meu filho").



No KGB existem informações antigas (1986 e 1988) onde o seu nome aparece. Mas não chega. O governo russo, segundo fontes próximas do presidente, designou mais de 2000 agentes para descobrir a verdadeira história de Assange. E este não é o único serviço secreto de espionagem que segue os seus passos. O MI16 britânico está a usar uma verba de emergência para encontrar respostas ás fugas de informação e saber quais são as suas fontes.


As fontes contactadas no interior da CIA, no entanto, estão convencidas que Assange foi recrutado por várias agências de espionagem, entre elas, a Mossad israelita, através de um científico em informática judeu da Universidade de Melbourne, que estaria envolvido com uma comunidade de hackers e que simultaneamente trabalhava para a Mossad israelita.



Poucas vezes na história recente mundial, tantos governos e agências de espionagem afectaram tantos recursos e esforços para desenterrar a verdade de uma pessoa. As fugas de Wikileaks colocaram em xeque todos os países do mundo. Ninguém é poupado, nem os governos, nem as agências de espionagem, nem os gestores das grandes multinacionais. Desde os traficantes de droga, armas, diamantes, até terroristas, passando por empresários, clérigos ou membros do governo de Obama, temem pelas revelações de um homem desconhecido de todos até há muito pouco tempo. Quem é?



O pouco que se sabe é que Assange é um super hacker sócio do Chaos Cumputer Club em Hamburgo (Alemanha). O mesmo clube que em 1988 fabricou um vírus informático que destruiu grande parte dos computadores militares do governo dos Estados Unidos. Por trás desse ataque estavam entre outros Karl Koch e um jovem chamado Assange, na altura com 17 anos de idade. Foram presos por terem invadido os computadores do governo americano, segundo fontes dos serviços de espionagem russos. Naquela altura, já estavam na mira dos serviços secretos alemães por terem vendido o código do sistema operativo do KGB soviético.


Fontes da NSA, a maior agência de espionagem dos Estados Unidos, situam-no em Hamburgo durante a primeira guerra do golfo (1991), e anos depois nos serviços de espionagem russos. Foi para Alemanha com 15 anos de idade, em 1986, para assistir a uma festa com os mais virulentos piratas cibernéticos em Berlim Ocidental (Os cinco hackers principais eram Markus Hess, Karl Koch, Hens " " Huebner, Dirk Brezinski, Peter Carl).


Este encontro terá delineado o plano que mais tarde se tornaria num escândalo de espionagem na Alemanha e que passou para a história: cinco hackers informáticos da Alemanha Ocidental venderam informações secretas militares e económicas à União Soviética depois de terem infiltrado as redes de dados secretos, como o laboratório de armas nucleares dos USA em Los Alamos, a sede da NASA, bases de dados dos USA, assim como o banco de dados OPTIMIS do chefe de Estado Maior dos Estados Unidos. Na Europa, também foram atacados: o fabricante de armas franco-italiano Thompson, a Agência Esapcial Europeia ESA, o instituto Max Planck de Física Nuclear em Heidelberg, o CERN em Genebra e o acelerador de electrões DESY em Hamburgo.



Isto tudo foi feito em nome do KGB soviético, que durante um período de três anos, em troca de uma quantia entre 50 000 e 100 000 dólares e drogas, recebeu cinco CD com informações secretas entre maio e dezembro de 1986, num lugar secreto de Berlim Este. Estes CD continham milhares de password e códigos de computadores, mecanismos de acesso e programas que permitiram que a União Soviética tivesse acesso aos centros informáticos do mundo ocidental.



Nessa altura, o porta-voz do governo alemão revelou que este tinha sido o caso mais grave de espionagem ocorrido na Alemanha Ocidental desde 1974, altura em que foi desmascarado Guenter Guillaume, um espião da Alemanha Oriental e que tinha sido conselheiro do chanceler Willy Brandt.


A história tem início em novembro de 1985, quando Koch, líder autoproclamado do Chaos Computer Club, foi abordado por uma mulher oficial do KGB que lhe ofereceu a oportunidade de poder ter um estilo de vida luxuoso em troca dos seus "conhecimentos de hacker". O KGB sabia que Koch era viciado em drogas caras e que a proposta iria contribuir grandemente para resolver os seus permanentes problemas financeiros.



Segundo fontes do KGB, em meados de 1986, Karl Koch disse, a vários amigos durante uma festa de piratas cibernéticos alcoolizados e drogados, que tinha recebido a proposta de um acordo difícil de recusar e que lhe iria resolver os seus problemas financeiros. Um dos presentes na reunião, segundo os arquivos do KGB, era o fundador de Wikileaks, Julian Assange. Outro dos indivíduos que aparece nos arquivos do KGB é o programador Dirk Brezinski, de Berlim Ocidental. Os relatos do KGB falam de Brezinski como sendo um génio informático que trabalhava a tempo parcial para o sistema operativo da Siemens BS-2000.

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