quarta-feira, 15 de abril de 2015

Quando os pais matam os seus próprios filhos...

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Nos últimos dias fomos confrontados com o assassínio de duas crianças pelos próprios pais, algo de impensável e de difícil compreensão para todos nós.

O que leva um pai ou uma mãe a assassinar os seus próprios filhos?





O infanticida.


O infanticida, frequente em algumas espécies de animais é extremamente raro no ser humano.


Quais as razões para um pai ou uma mãe matar o seu próprio filho, quando a descendência é um acto inato na maioria das espécies animais?


Na Grécia antiga, aquele que praticava tal acto era excomungado da cidade. Na Roma antiga era tolerado o infanticída da segunda filha ou quando uma criança era demasiado fraca e doente.


Na China ou na Índia as filhas eram, e são, frequentemente mortas por representar um peso para a família, dado que os país devem pagar um dote para as poder casar.


Nos povos primitivos, uma criança com uma qualquer malformação eram mortas após a nascença para não serem um peso para a comunidade.









A religião não fica nada bem na "fotografia".

Adorado por milhões de cristãos, muçulmanos e judeus, Abraão recebe a ordem de Deus para matar o seu filho, ordem essa que ele aceita. Esse consentimento para o assassinato é perverso e criminal, no entanto, Abraão é visto por estas religiões monoteístas como uma referência de devoção. 


Como conceber que Deus mandaria um pai matar o seu próprio filho, quando qualquer pai daria a sua própria vida para salvar o seu filho? Este mandamento tirânico é simplesmente uma impossibilidade moral, uma vez que refuta todos os códigos morais concebíveis. Se matar o seu próprio filho inocente é "bom", então o que na terra constitui o "mal"?


Será que Abraão mostra qualquer consideração pelo seu filho? Será que assume a responsabilidade moral? Será que acredita que matar uma criança inocente é um acto "bom"? Ou será que não pensa nas consequências, mas simplesmente obedece como uma maquina programada?  


O Abraamismo é o credo da absurda obediência escravizadora a um mestre irracional poderoso. Os adeptos dessas religiões são apenas guiados pelo terror da possível pena infligida por Deus, por desobediência, como as punições infinitas no inferno.  


Sendo essa ordem doentia aceite, então os 3,5 milhões de seguidores de Abraão deveriam ser classificados de doentes e perversos.







 



Desestruturação familiar.


Uma das características das sociedades actuais é a protecção dos mais fracos, e não de os deixar ao abandono e condenados à morte.


Então coloca-se a questão de saber porque é que pais e mães são capazes de assassinar os seus próprios filhos, alguns com requintes de sadismo.


As explicações não são fáceis. Claro que existe um distúrbio psicológico, mas qual?


Esses pais assassinos, por várias razões chegam ao ponto de considerar o seu próprio filho como um "objecto". Frequentemente essas pessoas são vítima de uma separação, abandonadas pelo seu cônjuge. A situação é a seguinte: abandonas-me, não te posso matar, mas vou matar o que criámos em conjunto, o nosso filho . Já que não quereres a nossa família vou fazer desaparecer o que criamos em conjunto.










O exemplo dos povos "primitivos".


Certas sociedades colectivistas, como as africanas ou ameríndias, são menos sujeitas a este tipo de atitude porque existe uma facilidade de suporte por parte dessa colectividade nas desavenças familiares. Nas sociedades ocidentais a base é a família nuclear: pai, mãe e filhos, sem ter em conta os restantes membros.


Claro que a desestruturação familiar é um factor decisivo, tal como outros factores, como a toxicodependência, mas matar os seus próprios filhos é uma forma de tendência suicida. Matar os seus próprios filhos não deixa de ser algo de terrível, dificilmente compreensível e simplesmente indescritível.







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17 comentários:

  1. Nao me diga que estes insanos mentais actuais que matam os filhos se inspiraram na figura do abraao, nem sei se esses assasinos são religiosos ou é isso que pretende insinuar. Porque a psicologia e a psiquiatria explicam bem o caso . Quanto a abraao , ler a biblia e textos sagrados como quem le noticias de jornais nunca foi muito aconselhavel.

    Abraao é considerado o pai dos crentes, tendo partido de Ur para Canaa onde se estabelece e oferece um sacrificio pedindo a fecundidade e fertilidade da mulher a deus, perante a gravidez da mulher deriva desta sua experiencia religiosa o inicio da fe monoteista.E Abraao tronou-se o pai e modelo para os crentes.

    O sacrificio de isaac é um caso polémico se não for bem entendido, de facto parece estranho que deus peça a um pai para matar o filho, mas não é assim que se deve ler o texto mas na prespectiva da fé, da experiencia de abraao e do povo israelita, em primeiro lugar os sacrificios em religião não tem valor se não forem expressão de temor e obediencia a deus, também significa que deus não quer tais sacrificios que eram praticados em tempos anteriores e por isso não deixou levar avante o sacrificio de isaac demonstrando que essas praticas são aberrantes e a humanidade deve por de lado sacrificos humanos a deuses e ao contrario do que o senhor diz acaba com codigos morais aberrantes e cria principios novos de não sacrificar pessoas a deuses, mais tarde e na mesma prespectiva um outro codigo moral do decalogo sera “não matarás” , mas, e mais que isso mostra que a fé passa por obscuras situaçoes de hesitação e duvida.

    Os assassinos actuais são sem qualquer noção de fé, não importa se de crianças ou adultos, mas nestes casos de bebes são aberraçoes que a psiquiatria explica.

    Alberto

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    1. Caro Alberto,

      A intenção não foi referir a "tentativa" de infanticida de Abraão como inspiração. Apenas foi citado porque é uma das referências monoteísta. Mas sobre esse assunto já escrevi em tempos.

      Engana-se quando diz que leio a Bíblia, o Corão ou a Torá como quem lê notícias de jornais. De facto, contrariamente a muita gente que afirma convicções, eu li grande parte desses textos.

      Abraão é considerado pelas três religiões monoteísta como um dos profetas mais influentes.

      Os judeus acham que é a virtude em si, aquele que cumpriu os mandamentos antes de serem revelados e o primeiro que reconheceu um Deus único e verdadeiro.

      No cristianismo é visto como o "pai" de todos os crentes.

      No Islão ele também é um dos profetas mais importantes.

      A esse propósito, quando Deus ordena a Abraão de sacrificar o seu filho (Genesis 22), coloca-se a questão de saber qual era esse seu filho.

      A três religiões monoteístas estão de acordo que Ismael nasceu antes de Isaac, mas enquanto a religião cristã refere que o filho a sacrificar seria Isaac, a islâmica acha que se tratava de Ismael.

      Os estudiosos judaico-cristão argumentam que como Ismael nasceu de uma concubina, não era filho legítimo. Mas até pelos textos judaicos, essa situação era comum, válida e aceitável pela esposas estéreis. O filhos dessas concubinas eram detentores de todos os direitos de um filho legítimo.

      Mas voltando ao infanticida, o Corão tem uma visão diferente da cristã. Abraão terá consultado o seu filho para ver se ele compreendia o que lhe foi ordenado por Deus: "Ó filho eu, sonhei que te oferecia em sacrifício; que opinas? Respondeu-lhe: Ó meu pai, fazes o que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Deus quiser, entre os perseverantes".

      A teoria aceite pelas três religiões é que Deus não estava interessado em que Abraão viesse de facto a matar o seu filho, nem era esse o seu plano.O facto de um anjo ter impedido que tal acontecesse é prova disso.

      "Historicamente", podemos ver as coisas do lado do filho. Claro que no fim o filho não foi sacrificado, mas como imaginar que Deus tenha pedido a Abraão uma das coisas mais insuportáveis: matar o filho?

      É no mínimo curioso que Deus tenha de fazer "passar" um exame a Abraão ele que é todo poderoso e que deveria conhecer o "coração" de todos os homens.

      Neste contexto podemos então pensar que o erro de Abraão não foi a falta de fé, mas sim de ter acreditado demasiado em Deus que lhe pedia uma coisa absurda.




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  2. Cerca de 1-2% da população são psicopatas - pessoas que são, simplesmente, incapazes de sentir empatia pelos outros seres humanos. E, para essas pessoas, ver outra pessoa morrer ou mesmo matar alguém, não provoca nelas qualquer sensação. E, se por qualquer razão têm essas pessoas vontade de matar alguém, a única coisa que as impede de o fazer, são as possíveis considerações que tenham, quanto às consequências de tal acto.

    Ora, tenha-se uma pessoa que, para além de psicopata, seja particularmente pouco inteligente - e que, consequentemente, não pense duas vezes antes de fazer algo - e temos a receita perfeita para um potencial assassino por impulso, que facilmente mata alguém.

    Também, a psicopatia é incurável. E, tal como a inteligência (ou falta dela), é algo com que se nasce.

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  3. Não vou aqui alongar consigo um tema para o qual não ha uma solução clara, sobre quem sacrifcou quem, O alcorão contém instruções de certa forma contraditórias para os muçulmanos em relação aos judeus, de certa maneira ele instrui os muçulmanos a tratar os judeus como irmãos, mas por outro lado, ordena que os muçulmanos ataquem os judeus que se recusam a se converter ao Islão. também introduz o conflito sobre o qual o filho de abraão era realmente o filho da promessa. O antigo testamento diz que era Isaac. O alcorão diz que era Ismael. O alcorão ensina que foi ismael a quem abraão quase sacrificou ao senhor, não isaac (em contradição a Gênesis capítulo 22). Este debate sobre quem era o filho da promessa também contribui para a hostilidade de hoje em dia.


    Ainda ha um livro apocrifo Livro de Jasher, que relata de forma paralela o pentateuco e que tem sua existência sitada em josué 10:13 e II Samuel 1:18 relata com mais detalhes o sacrifício de Isaac, O livro relata ainda que Ismael ficou feliz pelo sacrifício de Isaac, já que imaginou que ficaria com toda a herança de Abraão.


    Ora bem, se quer então a minha opinião, não tenho duvidas em valorizar o antigo testamento, pelo simples facto de que escrito ao longo de séculos pelos mais variadissimos autores, um livro que como uma enciclopedia esteve sempre aberto a novas entradas, a medida que o tempo ia progredindo e passando, por isso ainda hoje serve de referencial a muitas pesquisas arquelogicas , porque relatando factos da vivencia daquela epoca e daquela região, ha uma congruencia entre os seus textos que muitas exploraçoes arqueologicas puseram a prova com a veracidade ai descrita. O corão foi escrito de enxurrada muitos seculos depois pelos relatos de um profeta maomé acerca das suas visões do que que deus lhe tera dito,foi escrito de seguida na hora antes que as memorias da visão de maomé se apagassem, não serve de referencia para nada, a não ser para confirmar certas passagens e personalidades que ja estavam descritas no antigo testamento, dando-lhe uma nova versão por vezes para criar uma religião distinta da anterior, como livro não escrito ao longo de seculos por varios autores em varias epocas descrevendo factos relativos a populaçoes de uma certa zona geografica não serve de nada.


    Mas a minha questão e que me levou a responder-lhe ao infanticidio, é que ao contrario do que diz da religião e de abraao, a mensagem desse sacrificio é precisamente a oposta da que o senhor tira, o sacrificio de isaac é uma denuncia do sacrificio de vidas humanas a deus, tentando provar que deus não quer isso, mas se as pessoas não estão preparadas para esta mudança e só se sentem satisfeitas em fazer esses sacrificios então façam-nos com animais, cordeiros. A mensagem é denunciar e acabar com os sacrificios de vidas humanas em “altares”, o oposto é ver um "louco" ouvir vozes de um “deus” pegar no filho ou noutro ser qualquer, um escravo e subir um monte para o imolar. Esta historia e esta mensagem tem que ser vista como uma “parabola, um mito” para descrever uma nova realidade numa epoca em que a vida humana não tinha valor, o não mataras do decalogo mais tarde ja é taxativo e passa a “letra na pedra”. Estas coisas não podem ser lidas como cronicas de jornal sem meditação.

    Alberto

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  4. Olá Octopus querido,

    As pessoas não sabem interpretar as alegorias dos textos sagrados e não são para interpretar à letra... sinceramente.

    Desculpa que te diga mas és absolutamente quadrado e fundamentalista.

    Faz-me um favor, ouve este psicólogo russo, ligado materialismo/dialético... ateísmo, que foi dado clínicamente morto por três dias e vê o que ele diz sobre as religiões ao minuto 47.39.
    http://marecinza.blogspot.pt/2015/04/revelacao-vi-o-

    Sinceramente Octopus que coisa macabra. Eu gosto muito de ti... e acho que sinceramente andas perdido na vida porr não haver nada de sagrado, nem sequer a vida... palavras tuas. Tens o intelecto empedernido. Sinceramente, Octopus... estou muito triste.
    A faculdade, ou faculdades que frequentaste, não te ajudaram a ampliar os teus horizontes? Precisas de apanhar mais Sol e de estar em contacto com a Natureza. Faz isso por ti. O Unuiveverso está em constante mudança e tu és mais rígido que uma pedra, desculpa, pegado às ideias que nem sequer são tuas, mas de outros que te contaminaram. Liberta-te.
    Interpreta de forma diferente o Princípezinho de Saint Éxupery que possui uma mensagem transcendental.

    Um beijo, amigo querido

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    1. Querida Fada,

      Não considero que as religiões façam parte do transcendental, para mim não passam de mitos para tentar explicar o inexplicável numa dada época.

      Considero as religiões absurdas e tenho alguma dificuldade em entender como é que as pessoas acreditam num qualquer Deus omnipotente ou não.

      Esse facto não me impede de ver a Natureza como algo de maravilhoso de transcendental e de passar o meu tempo livre a fotografar uma coisa que gosto muito (um dos meus hobbies) as pequenas coisas, a macrofotografia.

      Beijos

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    2. Octopus, querido

      Desculpa os erros ao digitar.

      Pois é... por muito contacto que tenhas com a Natureza, ela nunca te deixará desvendar seus mistérios, uma vez que já estabeleceste uma certeza: o que o olho humano não, vê não existe.

      A não ser que tu acredites que o Universo não obedece a Leis e que seja imperfeito e caótico, não me parece que acredites no transcendente, pois o transcendente não abre as portas, não levanta o véu, a quem se vê separado da Fonte, como é o teu caso. És capaz de a ver, mas não de a compreender e muito menos aprender com ela. Acreditas que tens alma? Se acreditas, pergunto; porquê? As religiões tentaram explicar ao homem que é um ser espiritual e que faz parte de um TODO.

      As religiões na sua essência, fazem parte do transcendental, sim. Trouxeram o conceito de "alma" aos homens primitivos... além de que são a fonte de sabedoria das Leis Universais, das Leis da Natureza, que, se não forem respeitadas, acontece o que tu publicaste acima. Estranho, não é? que o homem consiga ser pior do que qualquer fera ou besta? Porque será?
      Que as religiões se tenham degenerado e tenham gerado fundamentalismos, é uma verdade. A culpa não é das religiões mas do homem, que não consegue deixar de ser primitivo e territorialista, ansioso de poder. Tão fundamentalistas são os que dizem que nelas está a salvação, como aqueles que negam tudo o que as religiões tentam explicar. Isso é uma presunção que até dói.
      Bem, sei que contigo não há hipótese de discussão, exatamente porque para ti, nada existe de sagrado.

      Octopus, se viste o vídeo e ouviste os testemunhos dos que estiveram mortos, chega ao lado de lá e procura a Luz. Não vivas uma eternidade no medo e na escuridão.
      Não deixei o link completo

      Aqui vai:
      http://marecinza.blogspot.pt/2015/04/revelacao-vi-o-enigma-da-esfinge.html

      Um beijo

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    3. Fada,

      Acredito que o universo se rege por leis, que essas leis podem ser incompreendidas num dado espaço/tempo, mas que não são "as leis", prova é que estão (as leis) em constante mutação. Mas no entanto funcionam nesse dado instante.

      A descobertas dessas "leis" universais é um desafio do ser humano e não acredito que venhamos a conhecer a todas, no entanto tentamos aproximamo-nos e isso é parte da beleza do ser humano.

      O Universo obedece a leis, só não sabemos ainda a quais, não me parece caótico.

      Lamento, mas as religiões e o seu obscurantismo são a fonte de muito do mal existente. Para mim, o ser humano não necessita de religiões, mas sim de princípios que chamarei de filosóficos onde o sagrado não é religioso, mas sim na crença do ser humano como o sagrado.

      Não fiques chateada comigo, adoro discutir estes temas contigo, e mesmo que não esteja de acordo contigo, és a pessoa que mais respeito pelas suas opiniões fundamentadas.

      Poderei nunca estar de acordo contigo, mas sempre lutarei pelas tuas opiniões. Acredito que na diferencia de pontos de vista podemos construir o que acreditamos, um mundo melhor.

      São pessoas como tu que são importantes e que podem mudar as coisas, se bem que no nosso caso não iremos mudar coisíssima nenhuma mas lutamos (em vão) para um mundo melhor.

      Um beijo do fundo do coração.

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  5. Caro Alberto,

    É engraçado que me venha sempre com o facto de eu supostamente ler os textos "sagrados" como quem lê notícias de jornais. Você lá sabe quais os jornais que lê, não sabe quais eu leio.

    Nunca escondi que seu ateu convicto, isto é, para mim ser um mistério como é que os seres humanos podem acreditar num qualquer ser superior. Isto não me impede de respeitar uma qualquer crença.

    O que também não faz de mim uma pessoa que não conhece os chamados "textos sagrados", antes pelo contrário.

    A minha convicção é que a Torá é a base dos textos monoteístas e que a Bíblia é um plágio tendo sido acrescentado o Novo Testamento porque acreditam que Jesus é o "profeta" e filho de Deus.

    Depois veio o Corão que plagiou os dois textos anteriores, fazendo de Maomé o "profeta", sendo que os textos são muito parecidos com anteriores.

    Costumo sempre dizer que o sábado é logicamente o dia sagrado dos judeus, e como esse dia já estava escolhido os cristãos escolheram o domingo. Logicamente os últimos chegados tinham de escolher outro dia, ficou a sexta-feira.

    Todos estes textos são parábolas ou mitos como diz muito bem e para mim não passam disso mesmo.

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  6. O facto de eu dizer que le os textos sagrados literalmente como quem le jornais é um facto a partir do que o senhor escreve, o texto sobre o sacrifício de isaac como quem le jornais deriva da sua interpretação sobre o conteúdo desse mesmo "facto" e é exemplar. A sua interpretação é literal, de alguém que le uma historia de uma personagem que ouve vozes e a partir dai vai fazer o que essa voz lhe manda, tirando dai a ilação de um deus tirano e um servo obediente, uma atrocidade de facto a ser assim, para um deus e para a sua criação, nunca pensou que não pode ser essa a ilação e tem que ser contextualizada a época e local pre histórico e não a letra. Uma fabula para o senhor também é literal ou tem um conteudo mais abrangente? A resposta é que tem um conteudo mais abrangente e uma lição ou valor a tirar dai. O senhor sabia que nessa epoca o povo de canaã, que havia adoptado abraão como aliado e amigo, costumava sacrificar a deus o que havia de melhor em sua vida, os primeiros frutos da terra, as primeiras crias dos rebanhos e, o que é mais incrível, os seus próprios filhos primogênitos. O problema de abraão era outro a partir daqui e deste mundo hostil, como conciliar a exigência da religião com sua missão? deus o escolhera para ser pai de um povo numeroso como as areias do mar. Parecia agora exigir duas coisas contraditórias, sacrificar o filho que seria a semente de uma grande nação, que fazer? Era uma grande provação para abraão. O segredo da fé é não querer resolver os problemas do nosso ponto de vista, mas para os que acreditam confiar em deus até o fim, fazer tudo o que ele nos parece exigir, mas permanecer aberto aos mínimos sinais de sua vontade, que se manifesta nas pessoas e nos acontecimentos com que convivemos. Nada, porém, nos autoriza a seguir a nossa propria cabeça, religião não é fanatismo é preciso, sobretudo, ser fiel à realidade, aos acontecimentos, aos outros que nos vão mostrando o caminho a seguir através das exigências de justiça e de misericórdia que surgem a cada curva do caminho da vida.

    Dai que a sua insistencia em dizer que é ateu, para mim não interessa nada mas talvez tenha a ver com a sua interpretação literal e modo de ver os textos sagrados e digo-lhe desilude porque não tira ilações do que lê, tira as suas que não correspondem a historia, ou seja a partir dai os descendentes de abraao deixaram de sacrificar os primogenitos e passaram a sacrificar cordeiros, mas o senhor não ve que isto é um salto humanitario a epoca,como o não mataras em "letra de lei" de moises, ou o amai-vos uns aos outros de jesus, um criterio de igualdade num mundo cuja economia tinha como força motriz a escravatura dizer que um escravo era igual ou tinha a mesma dignidade do dono. Paciencia. E comparar o valor do corão com o velho testamento não esta mal para quem quiser estudar um pouco da historia das populaçoes da geografia do local pode começar a pensar em que fontes se ia basear, ou ver se determinados relatos da biblia tem correspondencia real historica com a geografia e descriçoes das populaçoes e locais la mencionados. Olhe os “amiguinhos” do estado islamico estão destruindo todos os vestigios de civilização anteriores ao corão la por aqueles lados, so vão sobrar cacos e areia, assim é que é. O corão é um livro de oraçoes e va la costumes, e só entende.

    Essa do sabado e domingo e do que vier atras escolher o que lhe calhar ja discuti consigo e repete o que repetiu então nada a acrescentar então. Mas não é assim também, ha uma coerencia logica em tudo para o edificio não se desmoronar como um castelo de cartas.

    Até

    Alberto

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  7. Caro Alberto,

    Para terminar as nossas "discussões" teológicas vou utilizar um dos seus cometário :"O segredo da fé é não querer resolver os problemas do nosso ponto de vista, mas para os que acreditam confiar em deus até o fim".

    Não acredito em qualquer Deus omnipotente e mais uma vez lhe digo que para mim essa fé é um mistério (e não o mistério da fé).

    No entanto estou disposto a estudar e ouvir o que a várias crenças (para mim absurdas) têm a dizer sobre o assunto, sejam elas hebraicas,cristãs ou muçulmanas, par já não falar das religiões (mais praticas politeístas que têm um Deus para cada situação).

    Voltamo-nos a encontrar em breve, assim o espero dado que é sempre um prazer debater com uma pessoa temas que podemos não concordar mas que nos deixa algo de novo.

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    1. Essa foi de partir a rir, Octopus! eheheheheeh!!

      Algo de novo para quem já tem a certeza de tudo?!

      Tu és realmente um cromo!
      O que não tem remédio, remediado está... e tu não és o único cheio de certezas... mas há quem conheça as tais Leis,as Universais!... sabias? mas apenas por mérito se chega lá e esse mérito, consiste em saber que não sabemos tudo.

      um beijão :)

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    2. Minha amiga do coração,

      Nunca tive e nunca terei "certezas" quotidianamente me vejo cheio de incertezas.

      Nunca pretendi nos meus textos relatar a "verdade" apenas relatar o meu ponto de vista.

      Muitas vezes perante comentários refiz os meus textos, nas questões económicas ou geopolíticas, como bem sabes.

      Tentei sempre ver os dois lados da coisa.

      Defendi Israel na questão territorial quando um barco turco penetrou nas suas águas e fui acusado de por-israelita.

      Defendi os palestinianos várias vezes aquando da insuportável colonização, e fui acusado de pro-palestiniano.

      Gosto muito de relatar Estados e factos quotidianos esquecidos, é verdade. Nos artigos que escrevo tento sempre (após muitas horas de pesquisa) relatar unicamente os factos.

      Sem "parti pris", mas acabamos sempre por por relatar algo em que acreditamos. Os assuntos nunca são inocentes.

      Desde há 6 anos que tento manter este blogue. Como tu e outros bloguistas, bem sabes dá muito trabalho.

      Já desistis-te muitas vezes, eu também tive para o fazer.

      Nunca foi minha intenção escrever para nada, só o faço quando humildemente tenho algo para dizer , para chamar a atenção para alguns factos esquecidos pelos media.

      Claro que é mais fácil escrever por escrever como o faz diariamente, por exemplo Informação Incorrecta (sem qualquer desprimor).

      Não o faço. Mas claro que que certos temas são mais polémicos como a religião ou as crenças que cada um pode ter.

      A troca de informação, mesmo que contrárias ás minhas são sempre fruto de sabedoria.

      Aquele carinho.




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  9. Caro octopus... Siga seu caminho e sua consciência... Sua busca e seu caminho são os do ateísmo quem confirma que no teísmo tenhamos todas as resposta... Lógica na vida não existe o que prevalece irmão é o paradoxo da vida biológica... Se sua religiosidade é viver o dia .... Bom muito bom como diria mestre Shuang tzu ... Este é seu caminho a sua busca a sua porta ... Abraço fraterno a vc é a estå fada que és tão cheia de graça obrigado sempre pela criatividade e palavras de vcs

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