segunda-feira, 13 de abril de 2015

Cada 40 segundos uma pessoa suicida-se no mundo

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Abordar o suicídio é delicado, porque sempre foi um assunto tabu por razões religiosas, culturais, sociais, e até políticas.


As causas são multifactoriais: a pobreza, o desemprego, a perda de um familiar, as condições de vida ou uma patologia sub-jacente.


A sua distribuição geográfica depende muito das culturas: mais elevada nos países do este europeu e em certos países asiático, mais baixa nos países muçulmanos e na América do Sul.







Considerações gerais.

O número de mortes por suicídio é superior ao número de mortes por guerras ou catástrofes naturais, mais 800 000 pessoas por ano.


Atinge todos os países, com uma média mundial de 11,4 suicídios por 100 000 habitantes. Mas não atinge todos os países da mesma maneira, a diferença entre os países ricos (12,7) e o países pobres (11,2) é muito semelhante, contrariamente à ideia pré-concebida.


Existe duas vezes mais suicídios nos homens do que nas mulheres.

Entre o ano 2000 e 2012 verificou-se uma diminuição dos suicídios, no mundo, de 26%.








Europa.

Um facto é que nos países nórdicos a taxa de suicídio é mais elevada do que no países do sul. Muitos vêm nesse facto que os países nórdicos, com uma taxa de felicidade mais elevada, paradoxalmente são os que têm as mais altas taxas de suicídio e daí dizerem que "se são tão felizes porque é que se suicidam"?


Dinamarca 8,8 suicídios por 100 000 habitantes, Noruega 9,1, Suécia 11,1, Islândia 14,0, o facto é que não estão muito longe da média europeia e mundial de 11,4. É verdade que os países do sul da Europa têm taxas bem mais baixas com a Grécia 3,8, Itália 4,7, Espanha 5,1, mas Portugal 8,2. 


Grande parte deste facto não se deve-se a padrões de índice de felicidade (educação, saúde, segurança) mas sim ao às tradições cristãs desses países do sul, onde o suicídio é condenado pela igreja.


De salientar que nos países europeus, as mais elevadas taxas de suicídio atingem sobretudo as pessoas idosas, com valores de 28,9 para os mais de 70 anos de idade, em França por exemplo, contra 7,9 no grupo entre os 15 e 29 anos de idade. Parte desse facto deve-se ao ostracismo a que os idosos são confrontados nas sociedades actuais.







América.

Os Estados Unidos ou o Canada estão dentro da média mundial, com 12,1 e 9,8 respectivamente.


O caso é bem diferente na América do Sul. Aí as taxas são particularmente baixas com 4,2 para o México e 5,8 para o Brasil. Influências religiosas e culturais estarão na sua base. Mas surgem caso assustadores: 44,2 para a Guiana (a mais elevada a nível mundial) e 27,8 para o Suriname.


Estes países estão fracturados do ponto de vista social, foram alvo de colonização e os ameríndios deixados ao abandono. É neles que se regista a grande maioria dos suicídios (o que também é válido para todos os países da América do Sul e Austrália). Taxas de desemprego elevadíssimas, más condições de vida e abuso de álcool.






Países muçulmanos.

Na religião muçulmana o suicídio é considerado crime, ainda existem 25 países do mundo onde consta nas suas constituições, a sua grande maioria muçulmana. É nestes países que temos as taxas mais baixas de suicídio com a Arábia Saudita 0,4 (a mais baixa a nível mundial), Argélia 1,9, Tunísia 2,4.







África.

Perto da média mundial mas com nítido aumento (38% de 2000 a 2012), muitos dos quais agricultores.






Ásia.

Temos aqui taxas elevadas de suicídio. Japão 18,5 por razões sobretudo culturais (de honra). Índia 21,1 razões razões culturais e religiosas como a reencarnação. Coreia do Norte em que muito chamados suicídios são crimes. Coreia do Sul por stress, sobretudo relacionado com o trabalho.






Os factores que levam ao suicídio são múltiplos e sempre de grande sofrimento, no entanto a sua prevenção é possível em alguns casos, para os restantes teriam de ser mudados os paradigmas sociais actuais. Uma coisa é certa, não se tratam só de casos isolados que sempre assustaram as nossas sociedades e que sempre foram escondidos.



Não é que o suicídio seja sempre uma loucura. (...) Mas, em geral, não é num acesso de razão que nos matamos. (Voltaire).







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8 comentários:

  1. "teriam de ser mudados os paradigmas sociais actuais"

    Concordo totalmente!

    "Índia 21,1 razões razões culturais e religiosas como a reencarnação."

    Aqui tenho sérias dúvidas, principalmente no que toca à reencarnação, aliás, o suicido é altamente desaconselhado, mesmo naquelas tradições que admitem reencarnação...

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    1. Todas as religiões condenam o suicídio.

      As monoteístas mais do que as politeístas, como a hindu, ou as animistas.

      De todas as religiões monoteísta, a muçulmana é a que mais condena o suicídio.

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  2. Pois, e em multipas consideraçoes a volta do suicidio falha a mais importante, será o suicidio um caracter uma falha estrutural da personalidade. As pessoas com perturbações da personalidade estão mais expostas ao risco de se suicidar, especialmente as imaturas, com pouca tolerância para a frustração reagindo ao stress de modo impetuoso, com violência e agressão. O suicida exacerba-se, por vezes, pelo stress motivado, inevitavelmente, pela ruptura de relações problemáticas e pela carga que representa estabelecer novas relações e estilos de vida.um problema ja estudado tem a ver com niveis de serotonina e a tendencia para a depressão e para o suicidio nessas pessoas.

    Mas é facil culpar o meio ambiente e as sociedades, mas a verdade é que não acredito nisso, e o meio ambiente quando muito pode desencadear situaçoes em que quem tenha comportamentos problematicos e não consiga establecer relações de mudança, só o vão aproximar do suicidio devido a diferenças estruturais de personalidade e comportamentos que reagem negativamente. Por isso não nos suicidamos todos em momentos maus na vida uns superam-nos outros não, alguns veem na morte a solução. E por falar em religião, e ela muitas vezes que impede muitas pessoas de se suicidarem, não só pelo aspecto intrinseco de cada fé, mas porque nessas comunidades existe uma verdadeira solidariedade comunhão e entre ajuda para enfrentar os maus momentos da vida.

    Alberto

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  3. Tem toda a razão quando diz "As pessoas com perturbações da personalidade estão mais expostas ao risco de se suicidar".

    O factor desencadeante poderá ser as condições de vida.

    É verdade que, além da "proibição", as religiões suscitam uma maior coesão social que limita este tipo de acção.

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    1. Octopus, é uma pena que ainda haja a tendência na nossa sociedade, para acreditar nas mentiras psiquiátricas e nas campanhas de marketing farmacêuticas, onde neurotransmissores ganham importância sem que haja evidências sólidas para tal, muito menos exames objectivos viáveis como análises de sangue... Quanto ao ambiente, ele é crucial e logo desde dentro do útero materno... O ser humano é um processo, nada (neste âmbito) está determinado pelos genes! A epigenética fala precisamente disso.

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  4. Não me surpreende mesmo nada saber que é na América do Sul que menos suicídios se registam.

    Pois, a cultura desses países - apesar da criminalidade mais elevada que possam ter - é muito mais saudável do que no Ocidente e outras regiões do Mundo. (Veja-se o quão mais descontraídas as pessoas são nesses países - e o quão mais facilmente admitem os erros e as falhas humanas...)

    Para mim, este problema tem, acima de tudo, a ver com a cultura em que as pessoas estão inseridas.

    Tenha-se uma sociedade que seja saudável, nos vários aspectos dos relacionamentos interpessoais, e teremos o suicídio como uma coisa mínima.

    Tenha-se uma sociedade que seja decadente, que esteja doente, onde os relacionamentos interpessoais sejam dos piores ou em que estes sejam mínimos, e temos o suicídio como uma coisa muito presente.

    Os países nórdicos são países que primam pelo isolamento (e menos convívio) social.

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