quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Os ricos também beneficiam quando os pobres deixam de o ser.

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O ex-presidente do Brasil Ignacio Lula da Silva contou, durante a sua visita à Colômbia, pormenores da sua política social que hoje são exemplos em todo o  mundo. Recomendou que a Colômbia não deixe nas mãos de intermediários a administração dos recursos públicos.


Luiz Inácio Lula da Silva, não se esquece do que fez no primeiro dia da sua gestão como presidente do Brasil, que foi reunir todos os seus ministros, fazê-los embarcar num avião e leva-los às regiões mais pobres do país.


Ele queria que o presidente do Banco Central ou o ministro das finanças "vissem esse país que não se queixa, que não se manifesta, mas que está ali, que é real e verdadeiro Talvez vocês possam ajudar a mudar as coisas ".


Da Silva conhecia muito bem esses sectores. Ele vinha de uma dessas regiões em que é comum as crianças irem para a cama sem comer ou passar um domingo sem almoço. "Eu conheci o pão para a primeira vez com 7 anos de idade. Até essa idade, o café que eu tomava de manhã era acompanhado com farinha de mandioca. Sei o que é o desespero de uma mãe em frente de um fogão sem gás e sem os bens mais elementares para fazer uma refeição para os seus filhos" .





Durante sua visita ao país, o ex-presidente do Brasil não só partilhou a sua história de vida, mas também os resultados da sua política social que tirou 28 milhões de brasileiros da pobreza e reduziu drasticamente os níveis de desnutrição e de desescolarização das crianças e jovens do seu país.


O Brasil é uma das dez maiores economias do mundo, mas para Lula isto pouco serve se não houver democracia, nem políticas de distribuição do crescimento para impedir que o dinheiro caia nas mãos de alguns e o que o povo permaneça pobre e desnutrido.


"Quando iniciei o meu governo, 10% das pessoas mais ricas tinham metade do dinheiro do país e deixavam para os mais pobres apenas 10 %",  recordou Lula, que conseguiu de alterar estes números aumentando o salário mínimo em 62 % em cinco anos, mesmo com que existência de vozes contra que o avisavam que isso iria provocar um aumento da inflação. "E a inflação não aumentou", diz agora com satisfação. Só com esta decisão, resgatou milhões de brasileiros da pobreza.
 
 
Além disso, assegura que foi esta medida que aquando da crise de 2008, permitiu que o Brasil seguisse em frente, graças a essa população. "O consumo cresceu sete vezes mais , especialmente nos sectores populares. Os pobres começaram a ser tratadas como cidadãos"
 
 
 
 
 
Para Luiz Inácio Lula da Silva , foram várias as estratégias fundamentais para alcançar os resultados. Uma foi o acesso aos bancos por parte da população mais pobre: 45 milhões de brasileiros, no espaço de um só ano, tinham contas bancárias activas, e isto contribuiu para tornar viável a segunda estratégia: não deixar nas mãos de intermediários, a administração ou a entrega destes recursos públicos.
 
 
"Acho que não deve existir a figura do intermediário, porque este fica com metade do dinheiro. No Brasil, as pessoas que recebem benefícios do governo não têm qualquer contacto com os intermediários . Recebem um cartão magnético com o qual podem ir ao banco e levantar o dinheiro. Isso é sagrado", destacou o ex-presidente.
 
 
E uma terceira estratégia que assegura o êxito é ter registos de qualidade e dar seguimento aos programas e os beneficiários. Equipas dos membros do governo viajaram para locais remotos onde encontraram pessoas que nem sequer tinham registo de nascimento; eles eram cidadãos que não existiam. Eles beneficiam hoje do programa de bolsa de família, as mulheres de cada agregado familiar recebem um cartão para levantar o dinheiro para alimentação e educação de suas famílias.
 
 
"Há 13 milhões de cartões. As pessoas vão ao banco e não ficam assim a dever favores aos presidentes de junta, governadores ou ao presidente".
 
 
"Diziam-me que estava a desperdiçar dinheiro, que estava a criar vagabundos que não trabalhavam. Havia pessoas que criticavam o facto dos pobres comprarem lápis ou calçado para as crianças em vez de comida.
Isso é fácil de dizer a alguém que os tem, mas não a pessoas que nunca os tiveram. Quem nunca passou fome ou necessidades não sabe o que representam 80 dólares nas mãos de uma mãe". 
 
 
 
 
 
A luta contra a fome foi uma prioridade do governo de Lula da Silva, a ponto de criar um ministério dedicada exclusivamente a esta tarefa. Em seis anos, a desnutrição no Brasil foi reduzida em 73% e a mortalidade infantil em 45% .
 
 
Esta política é um exemplo para o mundo. Este compromisso inclui restaurantes populares, programas de alimentação de leite materno, promoção da agricultura familiar, distribuição de alimentos para os mais pobres, entrega do microcréditos e promoção da economia local através da compra aos pequenos produtores dos produtos para abastecer os programas alimentares do governo.
 
 
"A garantia de uma boa alimentação da população deveria ser a prioridade de todos os homens públicos e os cidadãos de boa-vontade . Não é normal, disse, que um governante  mundial não coloque a luta contra a fome como a prioridade do seu orçamento, bem como das suas políticas".
 
 
A criação de milhões de empregos para pais de família teve como objectivo a redução do trabalho infantil e assim levar essas crianças e jovens a frequentar as 214 novas escolas de ensino básico, bem como a 14 universidades federais construídas durante esse período. Hoje, crianças de pedreiros estudam medicina nas universidades.
 
 
Estes resultados, disse, demonstram que "não há nada mais barato do que investir nos pobres" e deixa para trás a teoria de que temos que esperar pelo desenvolvimento para eles serem incluídos. No caso do Brasil , a inclusão levou ao desenvolvimento. "Os ricos também beneficiam quando os pobres, deixam de o ser", disse.
 
 
"Até pagamos a dívida ao Fundo Monetário Internacional. Depois de dois anos de governo, devolvemos os 16.000 milhões de dólares que devíamos. Hoje, é o FMI que nos deve 14.000 milhões de dólares que lhes emprestamos para ajudar a crise dos países ricos".
 
 
 
 
 
Tradução Octopus de um artigo de Néstor Chumbo Chaves, publicado no semanário "Acción Informativa" do Uruguai, de 16 a 22 de dezembro de 2011, com o qual octopedia colabora:
 
http://semanarioaccioninformativa.blogspot.com/
 
 
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Portugal deve repudiar a parte ilegítima da dívida

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Quem o diz é Éric Toussaint, presidente do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, que esteve em Lisboa em julho deste ano, a convite do CES (Centro de Estudos Sociais), para explicar o que é uma auditoria à dívida. 


Éric Toussaint sabe o que é uma auditoria à dívida, ao serviço do novo governo de esquerda do Equador, Toussaint fez parte da equipa que investigou a origem e o destino da dívida pública do país, um processo que levou ao julgamento de responsáveis políticos e à decisão unilateral de não pagar parte da dívida equatoriana. 


As situações da América Latina e da Europa são diferentes, mas há lições comuns a tirar, explica Toussaint.






O que é a auditoria à dívida? Como funciona?


É um instrumento para analisar de maneira rigorosa as características da dívida pública interna e externa. Isto significa analisar as cláusulas dos contratos e a utilização dos fundos, e emitir uma opinião. Não é só analisar do ponto de vista do direito comercial, para ver se um contrato é ilegal. A auditoria tem de ser integral, isto é, tem de apurar como foi utilizado o dinheiro, qual foi o impacto ao nível dos direitos económicos e sociais, ao nível ambiental. A auditoria é um instrumento para identificar dívidas legítimas e ilegítimas.



O que são dívidas legítimas e ilegítimas? Como traça essa diferença?


As dívidas ilegítimas podem ser dívidas ilegais [que partam, por exemplo, de actos de corrupção]. Mas mesmo as que são legais podem ao mesmo tempo ser ilegítimas.



Dê-nos um exemplo.


Um exemplo muito concreto: os empréstimos do FMI, do Banco Central Europeu e dos governos europeus à Grécia, à Irlanda e agora a Portugal. São créditos outorgados sob condições que implicam a violação de direitos económicos e sociais da população do país, em contradição com convenções assinadas pelo país com instituições como a Organização Internacional do Trabalho, etc. Ou sobre os princípios de contratação colectiva que foram postos em questão por tal condicionalidade. Para mim estes créditos são dívida do tipo ilegítimo. Além disso, ocorreram num contexto de chantagem dos mercados financeiros e o país não tem alternativa a não ser aceitar as condições da troika. As duas partes do contrato têm de ter total autonomia de vontade e neste caso penso que o governo português não tem essa autonomia porque está sob uma pressão tremenda dos credores.



Mas olhar para este empréstimo não é ver o processo já na sua fase terminal? Não há toda uma dívida acumulada para trás? Como é que se audita essa dívida?


Há que determinar a partir de que ano se começa a auditoria. Eu participei na auditoria oficial da dívida do Equador e o nosso mandato era auditar a dívida entre 1976 e 2006. Trinta anos de endividamento. Há que analisar os créditos comerciais, os créditos com os organismos multilaterais, os créditos bilaterais.



Como se audita o uso dessas verbas pedidas? Já este ano é difícil saber exactamente como gastámos todo o dinheiro em 2010 - como consegue auditar o que foi pago em 1985?


Depende de quem organiza a auditoria. No caso do Equador [auditoria concluída em 2008] foi por iniciativa do novo governo depois de cinco anos de campanha a favor da auditoria por parte de movimentos sociais. Essa decisão abriu-nos as portas e os arquivos do ministério das Finanças e do banco central, mesmo com a resistência de altos funcionários do ministério e do banco central. No caso de Portugal não se fala em auditoria. A questão aqui é saber se a sociedade civil e os movimentos de cidadãos querem começar uma auditoria de cidadãos, sem apoio do governo. Há que saber se no Parlamento há uma maioria parlamentar disposta a constituir uma comissão parlamentar de auditoria. E há mais dois poderes: o executivo (o governo) e poder judicial. Podia ser o público a pedir ao poder judicial que investigue.



É essa a principal novidade, o facto de esta ser uma auditoria pedida pelas pessoas?


O novo no tema da auditoria é isto: até há alguns anos a auditoria era um instrumento apenas nas mãos do Tribunal de Contas e de empresas privadas de auditoria. Essas famosas agências de notação de risco têm de fazer auditoria. Conhecemos firmas internacionais como a KPMG, a Delloitte, a PriceWaterhouseCoopers, etc. O novo é que agora os movimentos sociais exigem uma auditoria. E essa iniciativa começou antes dessas explosões recentes em Espanha e na Grécia, com os indignados. Esse poderoso movimento - que é muito fraco em Portugal, mas muito forte em Espanha e na Grécia - está ligado a essa vontade de uma parte da sociedade civil, que se sente mal representada, querer controlo e capacidade de influir sobre a vida política.



Não lhe parece que estamos muito longe disso em Portugal?


Pode ser. Mas ao mesmo tempo estamos a viver uma aceleração da história europeia devido à crise. E coisas que eram inimagináveis num momento podem transformar-se até em obrigatórias. Vim aqui convidado por organismos portugueses que querem aprender com outras experiências e saber se são executáveis em Portugal.



Por que é que os cidadãos não se preocuparam nos últimos anos com isso e só agora surge esta preocupação?


A situação muda quando há uma crise. Há cinco anos os governos europeus diziam que tudo andava perfeitamente. Até falavam de margem para aumentar gastos. A cidadania, influenciada por esse discurso oficial, pensava que tudo estava sob controlo. Tudo começou a mudar com a crise que explodiu nos EUA em 2007 e o contágio à Europa em 2008. Há uma mudança total de panorama e o público agora dá-se conta que o mundo está dirigido por poderes que não são eficientes, que não são controlados, que estão sob a pressão de forças como os chamados "mercados financeiros", que aparecem como um ente misterioso.



Mas o problema não está precisamente no facto desses países hoje afectados se terem colocado nessa posição acumulando enorme dívida? Culpar os credores não o mais fácil? Não há uma responsabilidade partilhada? Das suas palavras sou levado a concluir que só os credores são os maus da fita.


De acordo, há uma responsabilidade partilhada e por isso eu digo que se há evidência de uma política de endividamento exagerado e ilícito há que acusar judicialmente os responsáveis. No caso do Equador foram acusados antigos ministros das Finanças. Há um antigo ministro [ver nome] que foi sentenciado com 5 anos de cadeia e está em fuga nos EUA, que não o querem extraditar ao Equador.



O que tinha feito esse ministro?


Assinou contratos - juntamente com outros altos funcionários que também foram acusados - prejudicando os interesses da nação e desrespeitando a lei do Equador. Não é um juízo político a um governo anterior de outra linha política. É uma violação da lei, ligada a enriquecimento pessoal. Quando se negoceiam empréstimos os credores podem propor subornos ou o ministro pode sugerir uma comissão.



Seria possível em Portugal, no domínio da teoria, chegar à conclusão que ministros do passado pudessem ser acusados de crime público e julgado?


Para mim é imaginável. Não vou afirmar que é provável. Claro que a auditoria não chega a uma sentença. A auditoria dá os dados e uma interpretação. O poder judicial, executivo e legislativo é que têm de tomar decisões.



Imaginando que Portugal faz uma auditoria do tipo que defende. O que faríamos depois com os resultados?


Repudiar de maneira soberana a parte ilegítima da dívida. Tomar um acto soberano que claro que põe em causa as regras actuais na zona euro, mas que não implica sair da União Europeia. Implica tomar medidas unilaterais justificadas, compreensíveis pela opinião pública, para dar outra saída para a crise. Um tema fundamental da minha intervenção é a possibilidade de um acto soberano unilateral baseado em argumentos com fundamentos jurídicos internacionais e justificados com a busca da justiça social. Não é um acto unilateral para prejudicar a comunidade internacional, nem um acto que não toma em conta o direito internacional. Por isso fazemos um trabalho com a CADTM (Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo) para definir argumentos jurídicos para actos soberanos de repúdio de dívida ilegítima.





http://www.cadtm.org/Eric-Toussaint-Portugal-deve

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Para os que não percebem nada dos "mercados"

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Era uma vez um homem engravatado que se deslocou a uma aldeia e que gritava, a quem o queria ouvir, que comprava, dinheiro em mão, todos os burros que lhe quisessem vender por 100 euros.


Os aldeões acharam o caso um pouco estranho mas o preço era tentador e assim, alguns deles venderam os seus burros.


No dia seguinte, o homem oferecia desta vez 150 euros por cada burro. Muitos foram os aldeões que  venderam os seus burros. No dia seguinte, o homem voltou e ofereceu 300 euros aos que ainda não tinham vendido os seus burros. Por fim, quando constatou que apenas sobrava um burro, o homem disse que voltaria daí a uma semana e que compraria os burros que houvesse por 500 euros.


No dia seguinte, confiou o conjunto dos burros que tinha comprado ao seu sócio para que este voltasse à aldeia para vender cada burro por 400 euros. Perante a possibilidade de realizar um benefício de 100 euros, aquando da semana seguinte, os aldeões compraram todos os burros, mas, para tal, tiveram que pedir dinheiro emprestado.


Como seria de esperar, os dois homens foram para umas férias bem merecidas, num paraíso fiscal, enquanto que os aldeões ficaram com os seus burros sem qualquer valor e endividados até ao pescoço, estavam arruinados.


Os pobres aldeões bem tentaram vender os seus burros para poder pagar as dívidas, mas sem sucesso, porque a cotação dos burros tinha descido. Os animais foram então penhorados pelo banqueiro que tinha emprestado o dinheiro aos aldeões, mas o valor desses burros não era suficiente para cobrir a dívida.


Então o banqueiro foi ter com o presidente da câmara chorando e dizendo estar arruinado senão reouvesse o dinheiro dos empréstimos que tinha feito à comuna.


Para evitar um desastre, o presidente de câmara em vez de dar o dinheiro aos aldeões para que esses pudessem pagar as suas dívidas, deu o dinheiro ao banqueiro. Mas agora com a sua tesouraria em dia, o banqueiro não anulou as dívidas dos aldeões, nem as dívidas da aldeia, agora sobreendividada. 


Vendo a sua nota de rating à beira de ser descida e sufucada pelas taxas de juros, a aldeia decide pedir ajuda às aldeias vizinhas, mas essas responderam que não poderiam ajudar porque tinham sido vítimas da mesma desgraça.


Sob os conselhos do experiente e desinteressado banqueiro, todas as aldeias decidiram reduzir as suas despesas: menos dinheiro para as escolas, para os programas sociais, para a conservação das estradas,...aumentou-se a idade da reforma, foram suprimidos postos de trabalho, baixaram-se os salários, e paralelamente aumentaram-se os impostos. Dizia-se que era inevitável e que isso iria servir para moralizar o comercio dos burros.


Esta triste história ainda fica mais triste quando sabemos que o banqueiro e os dois homens vigaristas eram irmãos e viviam juntos numa ilha das Bermudas, comprada com o suor do seu trabalho. Estes são conhecidos como os irmãos "Mercado".


Generosamente prometeram financiar a campanha eleitoral do novo presidente da junta a ser eleito.


Esta história ainda não acabou, porque não sabemos o que fizeram então os aldeões.


E você, o que teria feito no lugar deles? O que irá fazer?






Tradução Octopus


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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Guerra do Iraque: um milhão de milhões de dólares e um milhão de mortos depois...

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Oito anos após o início da "Operação Liberdade do Iraque" (Operation Iraqi Freedom) a coalizão liderada pelos Estados Unidos deixa no país um rasto de morte e destruição. 


Esta guerra terá tido um custo de um milhão de milhões de dólares, mas é sobretudo o custo humano que tem números arrepiantes: mais de 70 000 soldados americanos e cerca de 1 000 000 de iraquianos mortos, sem contar um número astronómico de feridos e deficientes.






A guerra dos números.



Nada justifica a perda de uma única vida, aqui estamos perante números aterradores. 
Oficialmente, terão sido 3 865 os soldados americanos vítimas da guerra do Iraque. A Associação dos Antigos Combatentes americanos aponta para mais de 70 000, o seja um número superior ao dos soldados mortos durante a guerra do Vietname que terão sido de 58 195. Nomes que constam no memorial da guerra do Vietname em Washington.




Memorial da guerra do Vietname em Washington


Segundo essa associação, terão morrido, no Iraque, 73 846 americanos, dos quais 17 847 soldados no campo de batalha e 55 999 do pessoal de apoio. 
Aparece também um número curioso, para meditar, é o número das chamadas doenças não-diagnosticas que terão sido de 14 874. 
O número de queixas interposto pelos soldados por deficiência adquirida durante a guerra é de 1 620 906, ao todo 36% dos soldados dizem-se vitimas de uma qualquer deficiência. 



Um assunto tabu é o número de suicídios de antigos combatentes que o Pentágono procura esconder. Só no ano de 2005, a televisão CBS, após um inquérito, descobriu 6 256, o que dá uma média de 120 suicídios por semana.






Mais de um milhão de iraquianos mortos.




O número exacto de iraquianos mortos durante esta guerra é difícil de estabelecer. Na realidade, ninguém sabe ao certo quantos iraquianos morreram durante este conflito. A frieza dos números aponta para um valor que varia entre 100 000 e 1,2 milhões de mortos, dependendo da fonte.


A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o ministério da saúde iraquiano, durante um inquérito realizado durante o ano de 2007, tinham chegado à conclusão de que teria havido 151 000 mortos iraquianos durante os primeiros 3 anos de guerra, ou seja uma média de 120 por dia.


Um outro inquérito da revista médica "The Lancet", publicado em 2006 dava conta de mais de 600 000  iraquianos mortos. Este número arrepiante, significa mais de 500 mortos por dia e um total de 2,5% da população.


Por fim, o instituto de sondagens britânico Opinion Research Business (ORB) dava conta, em 2007, que 16% dos iraquianos entrevistados afirmavam ter tido um membro da família morto, e 5% dois. Chegaram à conclusão que, contas feitas, terá havido mais de um milhão de iraquianos mortos durante a guerra, numa população de 26 milhões de habitantes.






Estados Unidos abandonam um Iraque radioactivo.



Mais de 1820 toneladas de resíduos radioactivos (urânio empobrecido) rebentaram no solo iraquiano. Um enorme desastre ecológico. Em comparação, a bomba de Hiroshima tinha 64 kg, o que representa mais de 14 000 bombas de Hiroshima. 


Durante centenas de anos esses resíduos radioactivos irão continuar a matar. Alguns cientistas pensam que actualmente existe matéria radioactiva suficiente para matar um terço da população mundial.


Apesar de nunca terem sido encontradas armas de destruição massiva no Iraque, são os Estados Unidos que colocaram agora no terreno essas ditas armas, sob a forma de material radioactivo. A taxa de malformação congénita aumentou 600%.






Quanto maior a destruição, maior o negócio da reconstrução.



O custo da reconstrução do Iraque está avaliado em 100 mil milhões de dólares. O negócio do século. Praticamente tudo foi destruído pelos bombardeamentos: poços de petróleo, hospitais, estradas, aeroportos, portos, redes eléctricas e de água, escolas...


As empresas escolhidas para a reconstrução são apenas seis, todas americanas, todas seleccionadas pelo ministério da defesa americano. A cabecear esta lista: Halliburton, cujo o antigo presidente era o vice-presidente americano Dick Cheney, o qual ainda faz parte do conselho de administração da filial Kellog Brown & Root. Também temos a empresa Bechtel Corp. que era presidida por George Shultz, antigo secretário de estado americano.


A principal diferença entre o plano Marshall e a reconstrução do Iraque é que o primeiro destinava-se a reconstruir o que os nazis tinham destruído durante a a guerra, enquanto que no Iraque, foram os próprios Estados Unidos que destruíram as redes de água, electricidade, aeroportos, escolas e hospitais. 


Tudo leva a crer que essa destruição foi premeditada, senão como explicar, por exemplo, o bombardeamento das redes de água e electricidade em Bagdade, quando os americanos não se cansavam de referir que as suas "bombas inteligentes" apenas destruíam com grande precisão objectivos bem definidos.


Como é o Pentágono que decide quais são as empresas que vão participar na reconstrução, os Estados unidos contrataram-se a eles próprios. Na escolha das empresas de reconstrução não intervêm quaisquer organizações internacionais.
Do ponto de vista puramente comercial, o acordo de Camp David, em 1989, previa que as empresas egípcias e israelitas teriam um tratamento preferencial nos casos em fossem necessárias  reconstruções em países do Médio-Oriente. O Egipto nunca beneficiou desse tal acordo, enquanto que as empresas de Israel já obtiveram contratos de mais de 7 mil milhões de dólares.





http://www.viewzone.com/wardeaths.html

http://www.guardian.co.uk/world/2008/mar/19/iraq
 
http://www.iraqbodycount.org/

http://www.emro.who.int/Iraq/

http://hebdo.ahram.org.eg/arab/ahram/2003/5/7/Carr0.htm

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

U.E.: "Isto está-se a tornar num romance de Agatha Christie, onde tentamos descubrir qual será a próxima pessoa a ser liquidada"

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Discurso de Nigel Farage, líder do Partido para a Independência do Reino Unido, no Parlamento Europeu.


Vídeo legendado em francês:




Nigel Farage - Les Gouvernements fantoches... por ti-guy1100




"Estamos à beira de um desastre financeiro e social, e hoje na sala temos os quatro homens responsáveis...



...Com toda a objectividade, o euro é um fracasso. Quem é que é responsável? Quem é que de vós manda nisto? A resposta é nenhum de vós. Porque nenhum de vós foi eleito. Não têm qualquer legitimidade democrática para desempenharem os papeis que actualmente têm nesta crise...




...Eu não quero viver numa Europa dominada pela Alemanha, nem tão pouco querem os cidadãos europeus. Mas vocês tiveram um papel nisso, porque quando Papandreou utilizou a palavra "referendo", juntaram-se como uma matilha de hienas, cercaram o Papandreou, despediram-no e substituíram-no por um governo fantoche...




...Também decidiram que Berlusconi deveria ir-se embora, portanto foi destituído e substituído pelo sr. Monti...




...Isto está-se a tornar num romance de Agatha Christie, onde tentamos descubrir qual será a próxima pessoa  a ser liquidada. A diferença, é que aqui sabemos quem são os maus. Vocês deveriam ser responsabilizados pelos que fizeram. Deveriam ser todos despedidos...




...Sr Rompuy, vocês que é um homem que não foi eleito, foi à Itália e disse: "não é tempo para eleições, é tempo para acções". Que raio! O quem é que lhe deu o direito de dizer isso ao povo italiano?"





Parte do discurso de Nigel Farage. Tradução de Octopus



Este mesmo discurso pode ser visualizado com legendas em espanhol no site de "Fada do Bosque" em: http://marecinza.blogspot.com/2011/12/golpes-de-estado-na-grecia-e-na-italia.html


Aproveito para aconselhar todos os leitores deste blogue a visitarem o blogue desta amiga e incansável lutadora, que partilha as mesmas preocupações, temas abordados e denunciados: "Fada do Bosque": http://marecinza.blogspot.com/


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Coups in Greece and Italy

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The Banking System in power, or the power of the banking system.


The replacement of Georges Papandreou by Lucas Papademos and Berlusconi by Mario Monti were in fact two coups of a new kind, without shots, without blood, set up by the financial markets.


The method is simple: create an enormous pressure on interest rates of national debts of the targeted countries, which in consequence brings high level of political instability and, finally, presents a technocrat to handle the destinies of the country.


These coups are no longer done by a political group or by armed forces. The political change is presented as a necessity following the lack of trust of the markets on the capacity of certain countries to pay their debt.


After taking over the democratic processes of these countries, we see the instalment, at the highest leadership and power positions, people connected to the largest worldwide financial groups. Mario Monti is connected to Goldman Sachs, just like Mario Draghi, recently elected president of the European Central Bank. Lucas Papademos was governor of the Bank of Greece during the forging of the Greek debt by Goldman Sachs. They are all members of the Trilateral Commission or the Bilderberg Group.


Right now, the key positions of European power are in the hands of Goldman Sachs. How did they get there? With which means and to which goals? Save the US at the expense of the European people?



And what about Portugal?


In Portugal, in a matter of weeks or months, we may well see the same thing happening. Before the weak leadership of Prime Minister Passos Coelho and the not stronger political alternative by António José Seguro, the worsening of the current Portuguese financial crisis may well pave the way for seeing Portugal to be imposed a banking trust man.


This man could be António Borges. He fulfils all the criteria: besides having been the vice-governor of the Bank of Portugal, he is currently the Director of the European Department of the International Monetary Fund and above all, has been Vice Chairman of Goldman Sachs International between 2000 e 2008.


António Borges is a member of the Bilderberg group, having participated in the meetings of 1997 and 2002. He is also member of the Trilateral Commission.


Curiously, or not, right now, November 11 and 13 2011, the European Zone Trilateral Commission yearly meeting takes place an The Hague in the Netherlands.




The original article in Portuguese may be found here:


Notice that the article was published on November 15th and on November 16th Mr. Borges has quit his job at the IMF. Possibly liberating himself for other ventures...


Thanks to Fabricio Santos for translation

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A ilusão das democracias parlamentares

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Limitações da democracia parlamentar.


O princípio da democracia parlamentar, em vigor na maioria dos países ocidentais, e muitas vezes imposto aos outros países, há séculos, é considerado como sendo um sistema assente na liberdade. Ora, este tipo de democracia não é representativo da liberdade individual, e até colectiva, dado que ele confia a gestão da sociedade ao Estado.


O Estado é então composto por um grupo de indivíduos que, apesar de renovado de x em x anos pelo povo, quando está no poder tem carta-branca para fazer o que quer, tenha ou não o apoio da maioria da população que governa.


A verdade é que, na democracia parlamentar o povo não dispõe de uma soberania sobre a gestão dos assuntos que lhe dizem respeito, mas apenas escolhe, num universo muito reduzido, as pessoas que irão tomar essas decisões no seu lugar, até às próximas eleições, até que volte outra vez a mesma mascarada.


Alguns dirão que é possível exercer ou até instaurar um controle sobre os eleitos para que estes sejam obrigados a preocupar-se com as vontades do povo que deveriam representar. Mas numa sociedade de classes como a nossa, em que a democracia parlamentar é ao mesmo tempo um dos garantes dessas classes, como é que o povo se pode interessar pelos assuntos políticos que estão nas mãos dos seus representantes?



Manipulações da democracia parlamentar.


Dada a escolarização proferida nestas sociedades, que forja elites herméticas, a maioria das pessoas não tem a instrução escolar suficiente para proceder a uma analise, reflexão e compreensão das múltiplas intrigas políticas. E um dos papeis do sistema escolar é manter o elitismo.


Agravando este quadro, temos de ter em conta que estes políticos são, na realidade e na maioria dos casos, "eleitos" de forma opaca por organizações secretas e são manipulados pelos grandes grupos financeiros. Os político eleitos tornam-se assim profissionais e uma classe inacessível à grande maioria do povo que julga elegê-los. Assim sendo, a democracia parlamentar não é uma "democracia" no sentido próprio do termo, ou seja o poder do povo, mas sim uma oligarquia, dado que a gestão da sociedade está nas mãos de um grupo de indivíduos incontrolável.


Mesmo que o voto servisse para alguma coisa, uma sociedade baseada, quase unicamente, sobre uma maioria implica a submissão e a perda de liberdade de uma grande parte da população. Apesar de ser preferível que seja uma maioria a decidir, as minorias, mesmo que sejam constituídas por grandes grupos de indivíduos, raramente são tidas em conta.


Tido como o melhor dos sistemas políticos, a verdade é que a democracia parlamentar nunca eliminou as desigualdades económicas e sociais, pelo contrário, perpetuou-as para preservar os interesses das grandes potências económica e contribuir para a existência de um Estado.


As eleições alimentam a ideia da necessidade de um governo ao mesmo tempo que torna esse governo imprescindível e inquestionável, descartando qualquer forma alternativa de governação. A democracia participativa de que se fala muito actualmente apenas permite que os cidadãos tomem decisões numa escala muito limitada, geralmente local. Esta democracia participativa nunca é um mecanismo de controle da sociedade civil sobre a administração pública. Não é uma alternativa à democracia parlamentar, apenas legitima um pouco os que já não acreditam nela.



Que alternativa às democracias parlamentares?


Uma das soluções seria uma sociedade auto-gerida, onde a gestão da colectividade social implicaria a participação efectiva do conjuntos dos indivíduos que nela vivem.


A gestão social do trabalho poderia ser feita pelo conjunto dos trabalhadores de uma determinada empresa, estes estariam assim directamente implicados na produção e no funcionamento, seriam actores e decisores. Este controle da actividade laboral permite uma optimização dos meios de produção, um maior empenho dos trabalhadores e uma distribuição mais justa das riquezas.


A nível loco-regional, as colectividades, definidas com base geográfica ou afinitária, poderiam organizar a gestão social, definindo quais seriam as reais necessidades colectivas e transmitindo essas necessidades aos meios de produção.


A interconexão permanente entre estas organizações e a sua autonomia permitiriam que fossem agrupadas num nível mais global, numa espécie de federalismo, para permitir a "centralização" indispensável à execução de grandes projectos colectivos decididos e debatidos nas estruturas de base.


As decisões finais que não obtivessem um consenso unânime, para não cair no imobilismo, seriam sujeitas a uma votação. Que fique bem claro, o sufrágio universal nunca foi posto em questão, é seguramente a melhor forma de decisão, o que é criticável é o seu uso actual, contribuindo para um sistema de exploração económica ou para a perpetuação de um aparelho estatal sujeito aos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros.






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Imagens televisivas: "ver e não crer"

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Longe vão os tempos em que a expressão de São Tomé "ver para crer" era verdadeira. Sendo a visão o principal órgão dos sentidos, habituámo-nos a acreditar e aceitar as imagens televisivas como verdadeiras. Se vimos é porque é verdade. 

Os media sabem disso, e manipulam as imagens que ficarão gravadas no nosso cérebro mesmo que surja mais tarde um desmentido.



Os noticiários televisivos vivem, em grande parte, com base nas imagens filmadas durante os acontecimentos relatados. O impacto de uma notícia, que poderia ser esquecida dias depois, fica assim gravada nas nossas memórias.


Frequentemente, as imagens que nos chegam são muito parecidas, por vezes quase iguais. Como diferenciar imagens de guerra no Iraque das do Afeganistão? A confusão é grande, e as televisões sabem disso. Esse facto serve também para manipular deliberadamente a opinião pública.



A televisão Fox News Channel, criada por Rupert Murdoch,  aproveitou este conceito para apresentar imagens impressionantes dos distúrbios recentes em Moscovo, na realidade são imagens dos distúrbios em . . . Atenas.


Houve efectivamente milhares de manifestantes que protestaram contra o resultados das eleições na Rússia e algumas centenas terão sido presos, como em qualquer lugar do mundo, mas os tumulto não tiveram a dimensão apresentada nas filmagens.


Eis uma imagens retirada do vídeo apresentado:





Algumas incongruências:

1º - A cabine telefónica à direita é de cor amarela, ora em Moscovo elas são azul-acinzentadas.

2º - No fundo, o casal junto ao edifício está vestido de jeans e de tie shirt de manga comprida, ora em dezembro em Moscovo, com o frio que se faz sentir, ninguém iria para um comício em camiseta.

3º - Se ainda não está convencido, aqui fica uma ampliação do letreiro do edifício, escrito em grego e que diz "Banco Nacional da Grécia", trata de imagens captadas em Atenas.












Reportagem da televisão Russia Today denunciando as imagens apresentadas na Fox News Channel:




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Imagens originais apresentadas durante os distúrbios de 6 de dezembro em Atenas :




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Reportagens completa em:

http://rt.com/news/fox-moscow-fake-riots-281/

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Dinheiro é tempo !

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Se quisermos compreender o que é realmente o dinheiro, e para que serve, basta inverter o velho adágio: "tempo é dinheiro".     O dinheiro é tempo.



O dinheiro é o que permite comprar o tempo dos outros, o seja, o tempo que é necessário para produzir os produtos ou os serviços que consumimos.


O dinheiro, hoje em dia, é essencialmente virtual. Tem por realidade uma sequência de 0 e 1 nos computadores dos bancos. A maior parte do comercio mundial faz-se sem papel-moeda. Só 10% das transacções financeiras diárias correspondem a trocas económicas no "mundo real".


Os mercados financeiros constituem um sistema de criação de dinheiro virtual, de lucros que não são baseados na criação de riqueza real. Através do jogo dos mercados financeiros (que permite transformar em benefícios as oscilações das cotações), os investidores experientes tornam-se mais ricos com a simples circulação de electrões nos computadores. 


Esta criação de dinheiro sem criação de riqueza económica corresponde à definição de criação artificial de dinheiro. O que a lei proíbe aos falsificadores, e o que a ortodoxia económica liberal proíbe aos estados, torna-se assim possível e legal para um número restrito de beneficiários.






Tecnicamente, o dinheiro é uma unidade de cálculo intermédio que permite trocar tempo contra tempo, sem que o tempo de uns e outros possa ser comparado directamente. Cada conversão entre o dinheiro e o tempo é feita sobre a base de uma estimativa subjectiva que varia de acordo com o equilíbrio da força económica entre o comprador e o vendedor.


Na prática, esse equilíbrio de forças é sempre desfavorável ao consumidor-assalariado.


Quando uma pessoa comum compra um produto, paga o tempo que foi necessário para fabricar esse produto, mas a um preço muito mais elevado do que o salário que lhe é pago por uma fracção equivalente do seu próprio tempo.


Por exemplo, os grandes fabricantes de automóveis produzem um caro num dia de trabalho, ou seja em 8 horas. Se tiver-mos em conta o trabalho dos comerciais, dos fornecedores de peças e do  equipamento de produção, teremos no total 20 assalariados. Nestas condições, o salário diário de cada assalariado deveria ser igual a 1/20 do preço do caro, ou seja 1000 euros diários para um caro de 20 000 euros, o que está longe de ser verdade.


Quando um assalariado ocidental dá 10 horas do seu tempo, recebe apenas o equivalente a uma hora. No terceiro-mundo essa relação é de 1 000 horas para receber uma.


Este sistema é portanto a versão moderna da escravidão.


Os beneficiários do tempo roubado aos assalariados são as empresas e os seus dirigentes, cujo o salário é 100 vezes superior ao de um empregado comum, mas também esse roubo acontece quando o dinheiro arrecadado pelos impostos e taxas não é utilizado para o interesse geral.




Tradução de Octopus de parte de um texto de: http://syti.net/Topics2.html

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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O fim programado da democracia

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O poder já mudou de mãos.


Os verdadeiros donos do mundo já não são os governos, mas sim os donos dos grupos das multinacionais financeiras e industriais, e das instituições internacionais opacas (FMI, Banco Mundial, OCDE, OMC, bancos centrais). No entanto, esses líderes não são eleitos, apesar do impacto das suas decisões sobre a vida das populações.


O poder destas organizações é exercido com um dimensão global, enquanto que o poder dos estados está limitado a uma dimensão nacional. 


Além disso, o peso das multinacionais no fluxo financeiro há muito que superou o dos estados.


Dada a sua dimensão transnacional, mais ricos que os estados, mas também as principais fontes de financiamento dos partidos políticos qualquer que seja a tendência e qualquer que sejam os países, estas organizações estão, de facto, acima das leis e do poder político, acima da democracia.


A General Motors, por exemplo, com um volume de negócios de 178 mil milhões de dólares, está acima do PIB da Dinamarca, que é de 161 mil milhões de dólares, bem acima do PIB de Portugal, de 97 mil milhões de dólares, e o que dizer de um pequeno pequeno país como a Nigéria com um PIB de 30 mil milhões de dólares.





A ilusão democrática.




A democracia já deixou de ser uma realidade.


Os responsáveis das organizações que exercem o poder real não são eleitos e o público não é informado das suas decisões.


A margem de acção dos estados está cada vez mais limitada por acordos económicos internacionais para os quais os cidadãos não foram consultados nem informados.


Todos esses tratados elaborados nos últimos cinco anos (GATT, OMC, AMI, NTM, NAFTA) têm um único propósito: a transferência do poder dos estados para organizações não-eleitas, através de um processo chamado "globalização".


Se uma suspensão da democracia tivesse sido declarada, isso teria provocado uma revolução. Por isso, foi decidido manter uma democracia de fachada e de deslocar o verdadeiro poder para novos centros.


Os cidadãos continuam de votar, mas o seu voto foi esvaziado de conteúdo. Votam para líderes que não têm qualquer poder real.


É por essa razão, não haver nada para decidir, que os programas políticos de "esquerda" ou de "direita" passaram a assemelhar-se em todos os países ocidentais.


Resumindo, não podemos escolher o prato, mas podemos escolher o molho. O prato chama-se "nova escravidão" com molho picante de direita ou molho agridoce de esquerda.





Desaparecimento da informação.




Desde o início dos anos 90, que a informação desapareceu dos media destinados ao grande público.


Como para as eleições, os jornais televisivos continuam de existir, mas foram esvaziados do seu conteúdo.


Um jornal noticioso contém no máximo 2 ou 3 minutos de verdadeira informação. O resto é constituído por assuntos de "revista", reportagens anedóticas, "faits divers" e reality-shows sobre a vida diária.


A análise feita por jornalistas especializados, assim como os programas de informação foram quase totalmente eliminados.


A informação está agora reduzida à imprensa escrita, lida por uma minoria de pessoas.


O desaparecimento da informação é um sinal claro de que a natureza do nosso sistema político já mudou.



2000 anos de história.



Durante os dois últimos milénios, a civilização passou por quatro eras sucessivas marcando quatro formas de poder político:


1 - A era das tribos 


Exercida sobretudo pela força, como nos grupos de animais em que o poder é assumido pelo "macho dominante".


2 - A era dos impérios e reinos


Poder hereditário. Nascimento da noção de estado.


3 - A era dos Estados-nação


Era aberta pela monarquia parlamentar na Grã-Bretanha em 1689, pela revolução francesa em 1789 e pela fundação dos Estados Unidos. Aqui, o poder não é hereditário, mas exercido por líderes supostamente representantes do povo e designados por eleições (estado-nação democrático) ou por um sistema de cooptação no seio de um partido único (estado-nação totalitário).


4 - A era dos conglomerados económicos


Iniciada em 1954, posta em pratica nos anos 70 e 80 e plenamente operacional a partir dos anos 90. Aqui o poder já não é do tipo representativo ou eletivo e deixou de ser geograficamente localizado. É exercido diectamente pelos que controlam o sistema financeiro e a produção de bens. Os instrumentos desse poder são o controle da tecnologia, da energia, do dinheiro e da informação. este poder é global, planetário. 






Tradução de Octopus de parte de um texto de: http://www.syti.net/Topics2.html




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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Yasmin e Yasminelle triplicam o risco de trombose em relação às pílulas mais antigas



As mulheres que tomam os contraceptivo orais Yasmin ou Yasminelle têm um risco mais elevado de desenvolver uma trombose venosa (formação de um coagulo no sangue) potencialmente grave, do que as que tomam contraceptivos mais antigos.



O que está em causa:


A pílula contraceptiva oral é uma combinação de um estrogénio e um progestagénio, sendo que o estrogénio utilizado é habitualmente o etinilestradiol. Devido aos efeitos secundários de estrogénio, sempre se procurou diminuir a sua dose, e para isso foram desenvolvidas novas moléculas de progestagénio. 



O quadros seguinte mostra os vários compostos das principais pílulas:



DERIVADOS DA TESTOSTERONA:


1ª  Geração : Noretisterona   
2ª  Geração : Levonorgestrel  - Microginon, Trinordiol
2ª  Geração : Norgestrel 
3ª  Geração : Desogestrel - Marvelon, Mercilon
3ª  Geração : Gestodeno - Gynera, Tri-Gynera, Harmonet, Microgeste, Minigeste, Minulet, Tri-Minulet

 
DERIVADOS DA ESPIRONOLACTONA:


Drospirenona - Yasmin e Yasminelle



Como podemos verificar, os progestagénios até aqui utilizados eram derivados da testosterona. Recentemente, há cerca de dez anos, o laboratório Bayer iniciou a comercialização de uma pílula em que o progestagénio é um derivado, não da testosterona mas sim, da espironolactona, a drospirenona.


A espironolactona é um diurético, isto é aumenta a eliminação de líquidos no organismo, e por isso é utilizada no tratamento da hipertensão e em certas doenças em que existe retenção de líquidos, como na insuficiência cardíaca congestiva. A espironolactona tem a particularidade de ser um poupador de potássio, isto é, impede que o organismo absorva muito sal e previne que os níveis de potássio fiquem muito baixos. Este factor poderá estar na origem de um risco aumentado de trombose verificado com a toma das pílulas Yasmin e Yasminelle. 



Demasiadas provas.


A FDA (Food and Drug Administration) analisou os estudos referentes a mais de 800 000 mulheres, nos Estados Unidos, que tinham utilizado vários meios de contracepção entre 2001 e 2007. Verificou, que as mulheres que tinham utilizado o Yasmin ou o Yasminelle tinham o risco que desenvolver um trombo 1,5 vezes maior do que as que usavam pílulas mais antigas. 



Dois estudos mais recentes, publicados na revista British Medical Journal, chegaram à conclusão que as pílulas Yasmin e Yasminelle triplicavam, num dos estudos, e duplicavam, no outro, o risco de tromboses graves em relação à geração precedente de contraceptivos orais.


A FDA refere que pelo menos 190 mulheres morreram após a toma de Yasmin ou Yasminelle. Nos Estados Unidos já existem 10 400 queixas jurídicas contra a Bayer. Na Alemanha as mortes são de pelo menos 12 mulheres.






Os estudos:


Um estudo da nova Zelândia, " Parkin L, Sharples K et al. Risk of venous thromboembolism in users of oral contraceptives containing drospirenone or levonorgestrel: nested case-control study based on UK General Practice Research Database", publicado no BMJ em abril de 2011, estudou o risco de trombo-embolia não mortal em mulheres que utilizavam o Yasmin e as que usavam uma pílula com levonorgestrel.




Os resultados em ambos os estudos concluíramque os risco de trombose venosa é 2 a 3 vezes mais elevada nas mulheres que utilizam o Yasmin em relação às que usam uma pílula mais antiga, com levonorgetrel.



A revista "Prescrire" chega às mesmas conclusões, baseando-se em dois estudos: Lidegaard Ø et coll. "Hormonal contraception and risk of venous thromboembolism : national follow-up study" e Van Hylckama Vlieg A et coll. "The venous thrombotic risk of oral contraceptives, effects of oestrogen dose and progestogen type : results of the MEGA case-control study", ambos publicados no BMJ.
 

De salientar que este problema já tinha sido relatado, logo em 2002, por um grupo de médicos de clínica geral holandeses, no artigo publicado no BMJ: Tony Sheldon " Dutch GPs warned against new contraceptive pill ".


  

Claro que a Bayer recusa qualquer destas acusações e apresenta estudos, financiados pela Bayer, que contradizem esses resultados. Após a compra do laboratório Schering em 2005 pela Bayer, este tornou-se o primeiro vendedor mundial de contraceptivos. As pílulas Yasmine e Yasminelle representam para a Bayer um volume de vendas de 1,5 mil milhões de dólares anuais.







http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21511804

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21511805

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1122825/

http://pharamster.over-blog.com/article-lecture-officinale-drospirenone-risques-de-thromboses-veineuses-78156630.html