quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A mentira mediática da vala comum de prisioneiros líbios

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As autoridades interinas da Líbia, o Conselho Nacional de Transição, anunciaram este domingo ter descoberto uma vala comum com 1270 corpos de presos mortos no massacre de 1996 na cadeia Abu Salim, em Trípoli.


"Descobrimos o lugar onde estavam enterrados esses mártires", declarou Jalid Sherif, porta-voz do Conselho Militar do CNT, à imprensa na capital, Trípoli. Ele garantiu que existem provas de que as mortes foram "actos criminosos" do regime deposto de Kadhafi.
 

Farjani também mencionou "actos odiosos cometidos contra cadáveres, sobre os quais foi lançado ácido para eliminar qualquer evidência deste massacre".
 




Esta, foi a notícia difundida em todos os canais televisivos e jornais ocidentais, só que na realidade esse cadáveres são de . . . dromedários.







Alguns jornalistas presentes em Tripoli, deslocaram-se ao local. Nele encontraram umas trinta pessoas, familiares dos desaparecido, a cavar o solo com uns paus de madeira, na esperança de encontrar os defuntos.


O local não estava vedado, não existia qualquer equipa médica ou representante do Conselho Nacional de Transição (CNT) que três dias antes tinha divulgado a notícia.


Depressa se verificou que os ossos encontrados eram demasiado grandes para pertencerem a um ser humano. Trata-se na realidade de ossos de dromedários. Ainda não foi encontrado qualquer osso humano.


Se a notícia da descoberta desta vala comum de prisioneiros do regime friamente mortos pelo regime sanguinário de Kadhafi foi amplamente difundida nos média, a informação de que se tinha tratado de um "erro" não teve qualquer eco. 


Isto no dia em que, mais uma, vez a NATO continuava a bombardear Sirte e que os combatentes do CTN cercavam a cidade. Esta mentira da vala comum é portanto bem vinda para justificar os bombardeamento. 




http://www.liberation.fr/monde/01012362187-libye-le-vrai-faux-charnier-d-abou-salim

http://www.lexpress.fr/actualite/monde/afrique/libye-confusion-autour-des-fosses-communes-de-kadhafi_1034435.html

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Intervenção da NATO na Líbia: um operação preparada de longa data

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15 fevereiro 2011: revolta violenta em Bengasi que depois alastra a outras cidades líbias.

21 fevereiro 2011: o ministro da justiça líbio, Mustafa Abdel Jalil demite-se.

27 fevereiro 2011: Abdel Jalil instala o Conselho Nacional de Transição (CNT) e declara-se o único representante da Líbia.

10 março 2011: a França reconhece o CNT como governo legítimo da Líbia.

10 março 2011: nesse mesmo dia o Reino Unido oferece, em território britânico, um escritório diplomático ao CNT.

12 março 2011: o CNT cria um novo banco, o Banco Central da Líbia e uma companhia nacional petrolífera líbia.

17 março 2011: início da intervenção da NATO na Líbia.



Toda esta operação da NATO estava preparada de longa data. O grande objectivo dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França foi sempre apoderar-se do petróleo líbio e isso passava pela eliminação de Kadhafi, mas obviamente não iriam instalar uma pessoa qualquer no poder. E essa pessoa é Mustafa Abdel Jalil.




Quem é, na realidade, Abdel Jalil?



Mustafa Abdel Jalil era o equivalente ao ministro da Justiça do governo líbio desde 2007. 


Desde essa altura, que uma das suas principais "tarefas" tem sido a libertação de centenas de combatente anti-Kadhafi. Em 2010 até tinha ameaçado demitir-se, se o seu programa de libertação dos prisioneiros opositores ao regime não fosse acelerado. 


Este antigos prisioneiros iriam constituir mais tarde, a principal força bem treinada da rebelião das quais faz parte o famoso Grupo Islâmico Combatente da Líbia (GICL).
Após a libertação dos últimos membros do GICL, Abdel Jalil demite-se, e uma semana depois cria o Conselho Nacional de Transição.


Durante anos a fio, Abdel Jalil mantinha negociações secretas com os Estados Unidos com vista à futura privatização da economia líbia pós-Kadhafi. Este facto explica a rapidez com foi feita a transferência das riquezas líbias, com a criação do Banco Central da Líbia e a a companhia nacional petrolífera líbia, 15 dias apenas após a criação do CNT.


Também talvez explique porque é que Abdel Jalil recusou pouco depois a mediação do conflito pela União Africana, preferindo a intervenção dos seus amigos da NATO.



Rebeldes líbios pró-americanos


Esta estranha rebelião foi dirigida e fomentada por um grupo de quatro conhecidos opositores com ligações aos Estados Unidos e colaboração com a CIA  e MI6 que viviam nos Estados Unidos e em Inglaterra à mais de 35 anos, três têm passaporte americano e um inglês. O outro grupo influente de rebeldes é composto pelos "dissidentes" de última hora, dos quais fazem parte Abdel Jalil, antigo ministro da Justiça e um oficial de alta patente implicado entre outras coisas na desestabilização do Chade.





Serviços secretos MI6 e queda do regime líbio.


O plano de ocupação da Líbia pela NATO foi construído com a colaboração dos serviços secretos da CIA e do MI6. Documento confidenciais recuperados após a queda de Tripoli revelam agora o papel importante de Mark Allen, antigo sub-director da luta antiterrorismo do MI6 britânico. 


Logo após a invasão do Iraque em 2003, tinha-se tornado claro que a Líbia seria o próximo alvo da NATO. Mark Allen servia então de intermediário entre a Líbia, os Estados Unidos e o Reino Unido para "facilitar" as relações e litígios entre esses países.


Na Líbia, o seu interlocutor principal era o chefe dos serviços secretos Mussa Kussa. Este, abandonou o seu país em plena guerra para se juntar ao seu amigo Mark Allen em Londres.


Durante a invasão da Líbia pela NATO, Mark Allen já se tinha reformado do MI6, mas vamos encontrá-lo como conselheiro político da petrolífera BP e consultor do Monitor Group que fazia lobbying junto do filho de Kadhafi, Saif El Islman Kadhafi, que terá sido ingenuamente utilizado.


Mark Allen está ainda acusado de ter utilizado no passado as prisões líbias para que agentes do MI6 aí  torturassem prisioneiros acusados de terrorismo, fugido assim às leis britânicas. Este facto foi relatado pela ONG Humain Rights Watch após visitarem os locais dos serviços secretos de Kadhafi.


O chefe rebelde Abdelhakim Belhadj afirma, por seu lado, que no tempo em que esteve preso nas prisões de Kadhafi, terá sido interrogado pelos serviços secretos franceses. Human Rights Watch pede que um inquérito internacional seja levado a cabo para esclarecer estes factos.


Abdelati Obeidi, antigo ministro dos negócios estrangeiros líbio, afirma que até há poucos meses, os agentes dos serviços secretos britânicos do MI6 ainda continuavam a colaborar com algumas pessoas do antigo regime de Tripoli e estavam operacionais quando se iniciou a revolta líbia.





http://www.mondialisation.ca/PrintArticle.php?articleId=26412
  
http://www.france-info.com/monde-afrique-2011-09-09-libye-les-services-secrets-francais-ont-ils-collabore-avec-le-regime-560712-14-18.html

http://www.voltairenet.org/Des-documents-attestent-du-role-de


http://www.bbc.co.uk/afrique/region/2011/09/110906_libya-mi6.shtml

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mamografia sistemática: inútil na redução da mortalidade

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Além da mamografia poder ser ligeiramente dolorosa para a mulher por compressão da mama e de existirem numerosos casos de falsos positivos que provocam inutilmente preocupações psicológicas, alguns estudos sugerem que a repetição sistemática das mamografias preventivas poderá em vez de diminuir, aumentar o risco de contrair um cancro da mama devido às radiações.


Apesar destes constrangimentos, trata-se aqui de saber se o despiste do cancro da mama através de mamografias sistemáticas pode prevenir o seu aparecimento.


Ora, a revista British Medical Journal (BMJ) acabou de publicar no dia 28 de julho de 2011 um estudo que prova a inutilidade das mamografias de rotina na diminuição da mortalidade no cancro da mama.


Os autores compararam a mortalidade do cancro da mama em vários países em que os meios de tratamento eram idênticos, mas em que o despiste sistemático por mamografia se iniciou em datas diferentes.


O período do estudo foi de 1989 a 2006. Os países foram a Suécia, a Noruega, a Holanda, a Bélgica, a Suíça e a Islândia, portanto países em que os meios de tratamento após o despiste de um cancro da mama são similares. 


Primeira constatação: durante este período verificou-se um decréscimo em 25% da mortalidade por cancro da mama. À primeira vista pode-se pensar que essa diminuição terá sido devida ao despiste sistemático pela mamografia. Mas, apesar dos vários factores que dificultam a interpretação, parece não ter sido o despiste com as mamografias que conduziram à diminuição da mortalidade por cancro da mama, mas sim, os progressos no seu tratamento.


Os autores constataram que apesar da introdução do despiste sistemático com a mamografia se ter realizado anos diferentes nestes países, a diminuição progressiva da mortalidade verificada foi exactamente a mesma em todos esses países.



http://www.bmj.com/content/343/bmj.d4411.abstract

Confirma-se a inutilidade do fenofibrato (Catalip, Supralip e Lipofen)





SupralipO Fenofibrato comercializado com os nomes de Catalip (Abbott), Supralip (Abbott) e Lipofen (Vitoria), é utilizado desde há anos como antidislipidémico, isto é para a redução da quantidade de gorduras (triglicéridos e colesterol) no sangue.



Vários estudos clínicos chegaram à mesma conclusão: os fenofibratos não têm qualquer eficácia na redução dos acidentes cardiovasculares ou na redução da mortalidade.


O artigo mais recente publicado no British Medical Journal (BMJ) no dia 11 de agosto de 2011 faz a revisão de vários ensaios clínicos efectuados com o fenofibrato e confirma a sua ausência de eficácia na redução dos acidentes cardiovasculares, isto apesar da redução dos lípidos. 

http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp1106688



A esse propósito, a bula do Lipantyl (fenofibrato já não comercializado em Portugal), refere na sua versão francesa: "Dado o seu efeito sobre o colesterol LDL e os triglicéridos, o tratamento com o fenofibratos deverá ser benéfico nos doentes com hipercolesterolémia com ou sem hipertrigliceridémia, incluído na hiperlipoprteinémia secundária como a diabetes tipo 2. Actualmente, nenhum resultado de ensaio clínico a longo prazo, permite demonstrar a eficácia do fenofibrato na prevenção primária e secundária das complicações arterioscleróticas". Tradução: o fenofibrato  deveria ser benéfico, até na diabetes tipo 2, mas não é!



Já no dia 29 de abril de 2010, o New England Journal of Medicine (NEJM) tinha publicado os resultados do estudo clínico conhecido com o nome de ACCORD. Nele, diabéticos foram estudados ao longo de cinco anos. Um grupo tomava sinvastatina e um placebo e o outro grupo tomava sinvastatina e fenofibrato. Apesar do do fenofibrato ter baixado os níveis dos triglicéridos, este não tinha qualquer influência na frequência e na gravidade dos acidentes cardiovasculares. Nas mulheres este até os aumentava. Os autores concluíram que  era desnecessário os diabéticos tomarem fenofibratos.

http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1001282



Em fevereiro de 2010, um estudo publicado na revista Diabetes Care, mostrou que os diabéticos que tomaram fenofibrato (200 mg por dia) durante cinco anos tiveram uma deterioração da sua função renal, com elevação da creatinémia e diminuição da clearance da creatinina.

http://care.diabetesjournals.org/content/33/2/215.short

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Baixo consumo de sal aumente risco de morte cardiovascular

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Ja foi aqui abordado neste blogue, há um ano atrás, o mito do sal na hipertensão

Desta vez, um estudo recente publicado na revista JAMA, até sugere que o baixo consumo de sal, além de não ter qualquer significado em relação à hipertensão, aumenta o risco de morte por doença cardiovascular.





A ideia do que o consumo de sal aumentaria a pressão arterial baseia-se em questões químicas e fisiológicas. Sabendo-se que o sal leva a uma retenção de água, isso levaria a um aumento transitório do volume sanguíneo e portanto a um aumento transitório da pressão arterial.


O organismo vai corrigir esse aumento com a excreção de sódio na urina. No caso de um doente hipertenso, o organismo deverá aumentar ainda mais a pressão arterial para manter o nível de sódio satisfatório.


Isto é a teoria que levou aconselhar à população em geral e aos hipertensos em particular a redução do consumo de sal. No entanto, falta demonstrar a existência de  uma ligação clínica entre o consumo de sal, a pressão arterial e o risco cardiovascular na população em geral. 



Em maio deste ano, a prestigiada revista de medicina JAMA (Journal of the American Medical Association) publicou um estudo que põe em questão um dos mitos mais tenaz da medicina: o consumo de sal aumenta a pressão arterial e o risco cardiovascular.


Neste estudo, foram seguidas 3681 pessoas durante 8 anos, e foi medida a excreção urinária de sal. Foram assim constituídos 3 grupos:

- baixo consumo de sal (média de 107 mmol de sódio),
- médio consumo de sal (média de 168 mmol de sódio),
- elevado consumo de sal (média de 260 mmol de sódio).

(De assinalar que a excreção de sal na urina não equivale obrigatoriamente ao consumo de sal.)




Foram avaliados dois parâmetros: 

1 - A existência de uma correlação entre o consumo de sal e a tensão arterial.

No grupo de baixo consumo, verificou-se o aparecimento de uma hipertensão em 27% dos doentes, no grupo de médio consumo a hipertensão foi verificada em 26,6% e nos de elevado consumo em 25,4%. 

Conclusão: não existe qualquer relação entre o consumo de sal e o aparecimento de hipertensão arterial.


2 - A existência de uma correlação entre o consumo de sal e a mortalidade cardiovascular.

Durante estes 8 anos, verificou-se o falecimento por doença cardiovascular de 84 doentes. No grupo de baixo consumo: 50 mortes, no de médio consumo: 24 mortes e no de elevado consumo: 10 mortes. 

Conclusão: o risco de morte cardiovascular é 54% mais elevado nos que consomem pouco sal.




Este estudo põe assim em questão, geralmente admitida pela classe médica: a existência de uma relação entre o consumo de sal e o aumento da pressão arterial ou de morte cardiovascular. Neste estudo, a morte cardiovascular até seria mais elevada nos que consomem pouco sal.

Estes resultados também levantam a questão de se criarem leis em relação à restrição do sal na alimentação.







 http://jama.ama-assn.org/content/305/17/1777.abstract?sid=22267316-7de3-4721-84d6-d7658d359332



  

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Futebol: a grande mentira

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O futebol é de facto um desporto fantástico, provavelmente pela incógnita do resultado, muitas vezes imprevisível, dado que o ser humano é mais hábil a jogar com as mãos do que com os pés. 


O futebol foi assim promovido a desporto planetário, em grande parte para fazer esquecer os problemas diários e assim adormecer os povos. Com esse fim, foi estimulado e exacerbado o nacionalismo e o clubismo. 


O futebol tornou-se, ao mesmo tempo, sinónimo de movimentação de milhões de euros. Ao ver um jogo, apesar de criticar a arbitragem, acreditamos no resultado. Nada mais errado, numerosos são os resultados fabricados por potentes redes mafiosas, muitas delas com a conivência da própria FIFA.




Como falsificar um resultado de futebol


Em 2008, o jornalista canadiano Declan Hill, escreve um livro bombástico: "Comment Truquer un match de foot" em que descreve que vários jogos do mundial da Alemanha em 2006 foram comprados.


Trata-se dos jogos:
Brasil-Gana (oitavos de final, 3-0)
Inglaterra-Equador (oitavos de final, 1-0)
Itália-Gana (fase de grupos, 2-0)
Itália-Ucrânia (quartos de final, 3-0)

No dia 25 de maio de 2006, na presença do jornalista, Lee Chin fala com quatro homens num KFC em Bancoque. Objectivo da reunião: falsificar os resultados de certos jogos para beneficiar três gigantes do futebol mundial o Brasil, a Inglaterra e a Itália.


Principal vítima: o Gana, que apesar de ter sempre tido bons jogadores, é um país pobre e sempre foi um alvo fácil dos apostadores.


Os jogadores corrompidos são quase sempre os dos países mais fracos, sendo o valor pago para os corromper relativamente baixo e a vitória do mais forte tida como normal. Assim, o misterioso intermediário Lee Chin terá dito que no caso do jogo Brasil-Gana: "não é o Brasil que irá ganhar o jogo, é o Gana que irá perder". O que se viu, foi, não só o Gana perder o jogo, como se viu uma equipa estranhamente desmotivada que parecia jogar para perder.


Quando mais tarde o jornalista viajou até ao Gana, o capitão da equipa, Stephen Appiah, confirmou terem sido contactados para "desacelerar" durante esse famoso jogo. Stephen Appiach revela o que Chin tinha dito, cada jogador terá recebido 30 000 dólares, tendo sido comprados uma média de oito jogadores por jogo.


O mercado das apostas tem vindo pouco a pouco a transferir-se da Inglaterra e da Rússia para a Ásia, e sobretudo para o imenso mercado chinês.



Centenas de resultados adulterados


Em novembro de 2009, dizia-se ter sido desmantelada uma rede mafiosa de falsificação de apostas que teria intervindo em mais de 200 jogos em vários países, incluindo a Espanha e a Alemanha, envolvendo jogadores, árbítros e treinadores.


Hoje em dia, para fazer apostas nos jogos de futebol, basta ir a um dos cerca de 3000 sites da internet e apostar no resultado final de um encontro, no nome do jogador que vai marcar o primeiro golo, no primeiro canto,...Estas apostas tornam-se assim, para as redes mafiosas, fáceis de manipular. As apostas online estão pouco a pouco a matar a verdade do futebol.


Em agosto deste ano, o "New York Time" publicou um artigo de investigação sobre os jogos amigáveis organizados pela FIFA. Resultado: corrupção, falsificação de resultados e desvio de dinheiro.




No Brasil, está em curso um inquérito para averiguar o jogo amigável de 2008 entre Portugal e Brasil. Ricardo Teixeira, presidente da federação brasileira de futebol e um alto responsável da FIFA, estão acusados de terem desviado 6 milhões de euros, obtidos durante esse jogo. Esse dinheiro terá sido depois investido numa empresa de telecomunicações pertencendo a Ricardo Teixeira.


Os jogos amigáveis são excelentes para falsificar os resultados. É muito difícil falsificar jogos importante como a liga dos campeões porque têm muito público a assistir, em contrapartida, encontros com algumas centenas de espectadores, muitos deles sem cobertura televisiva, são os ideais.


Para detectar jogos possivelmente comprados, os organismos anti-corrupção tentam descobrir apostas inabituais.
Por exemplo, em fevreiro deste ano, repararam que num jogo amigável entre a Estónia e a Bulgária, um site tinha uma aposta de 5 milhões de euros em como o resultado final seria de 4 golos. Este montante era muito superior às médias observadas normalmente. Resultado final do jogo: Estónia 2 - Bulgária 2.



A luta da FIFA contra a corrupção no futebol pode não passar de uma cortina de fume para desviar as atenções de questões tão importantes como a falta de transparência na gestão financeira das federações de futebol e da própria FIFA:


Após a atribuição do mundial de 2018 à Rússia, alguns responsáveis ingleses e australianos (dois dos países candidatos) queixaram-se de terem sido abordados por membros da FIFA pedindo subornos para serem os escolhidos.






http://chine.aujourdhuilemonde.com/un-chinois-t-il-truque-la-coupe-du-monde-de-football

http://www.rue89.com/2010/01/05/paris-truques-les-jeux-en-ligne-vont-ils-tuer-le-football-132424

http://www.sunukeur.com/index.php?option=com_content&view=article&id=2017:fifa--le-scandale-des-matches-amicaux&catid=34:football&Itemid=88

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

FIFA: a Máfia

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A FIFA , Federação Internacional de Futebol, possui mais membros (208)  do que a  ONU (192), e tem a sua sede em Zurich, na Suíssa, onde tem o estatuto de utilidade pública, o que lhe permite ter enormes privilégios fiscais.

 
Entre 2007 e 2010 pagou apenas 3,1 milhões de francos suíços de impostos quando se fosse considerada uma empresa teria pago 180 milhões.

 
Só no ano passado, a FIFA distribuiu 50 milhões de francos suíços aos seus dirigentes o que para uma organização considerada de utilidade pública não deixa de ser ridículo

 
Durante o último mundial na África do Sul, a FIFA ficou isenta de impostos, pelo governo sul africano, por já pagar impostos na Suíça

 
Durante esse mesmo mundial na África do Sul, a FIFA realizou 2,35 mil milhões de francos suíços enquanto esse país teve perdas de 3 mil milhões.



Estas são alguns exemplos e privilégios da FIFA onde reina a corrupção a todos os níveis, seja para a eleição do seu presidente ou para a atribuição da Copa do Mundo, tudo funciona com subornos.



 
Subornos


O jornalista de investigação (ainda existem) britânico Andrew Jennings realizou um documentário onde revela que a FIFA funciona internamente como uma verdadeira máfia.


Tudo começou com a falência da empresa ISL de Zurich, encarregue pela FIFA dos direitos de marketing e transmissão televisiva dos mundiais de 2002 a 2006. Durante a auditoria, constatou-se que altos funcionários da FIFA tinham recebido dinheiro em contas no estrangeiro.


Durante esse período, dá-se um incidente: um montante que deveria ter sido depositado num paraíso fiscal vai parar directamente nas contas da própria FIFA. O caso é abafado ao mais alto nível, isto é, pelo tribunal de Lausana que impõe o segredo sobre os montantes e a identidade dos corruptos.


Durante o inquérito, o jornalista descobre que esse dinheiro destinava-se ao antigo presidente da FIFA, Joao Havelange e a Jean-Marie Weber, vice presidente da ISL, amigo íntimo do actual presidente da FIFA.


Muitas empresas multinacionais recorriam à ISL, que detinha a exclusividade publicitária, para verem a sua marca aparecer ao lado do logótipo da FIFA. Como contrapartida, essas empresas pagavam avultadas somas como suborno. Assim, Joao Havalange terá recebido 250 000 francos suíços



Manipulação eleitoral


O sistema eleitoral para a eleição do presidente da FIFA parece dos mais democráticos: um país, um voto. Na realidade, tudo é feito para subornar os votantes, como é o caso do presidente da CONCACAF que representa os votos do continente da América do Norte, América Central e Caraíbas. Nada mais, nada menos do que 35 votos dos 208 possíveis.


O presidente da CONCACAF é Jack Warner e esta confederação terá recebido várias dezenas de milhões de euros da FIFA para influenciar as votações. Além disso, Jack Warner é dono de uma agência de viagens, a Simpaul, que tem a exclusividade da venda de bilhetes para os mundiais dessa confederação em Trindade e Tobago.


Em 1984 e 1986, para a realização do campeonato sub-20 da CONCACAF, a construção dos estádios esteve a cargo de um dos filhos de Jack Warner e o serviço de restauração entregue a outros dos seus filhos.


Na FIFA tudo fica em família. Philipe Blatter, filho de Joseph Blatter, recebeu 50% dos direitos televisivos do último mundial. Para manter o alto estilo de vida com que vive e se deslocam os altos dirigentes da FIFA, até os bilhetes que sobram são vendidos discretamente no mercado negro a um preço proibitivo.



Corrupção


Na FIFA não existe contestação, todos veneram o seu presidente. Como numa máfia, esta organização vive do tráfico de bilhetes, subornos e corrupção. A rede está bem montada.


Jack Warner, por exemplo recebeu graciosamente no último mundial, da parte da FIFA, 6000 bilhetes: benefício 1 milhão de euros.


Nicolas Leoz, presidente da confederação sul americana, o único identificado em vários subornos recebidos nas suas contas em paraísos fiscais, nos anos 90, continua como membro executivo da FIFA.


A FIFA decretou, no último, a proibição da venda de qualquer alimento, por parte dos habitantes dos bairros pobres sul africanos, perto dos estádios para não prejudicar o seu principal sponsor, Mc Donald.


Não existe qualquer documento que permita saber quanto ganha Joseph Blatter, quando é possível saber quanto ganha qualquer político ou chefe de estado.


A atribuição do mundial à África do Sul só foi possível porque o continente africano (50 votos) tinha participado na eleição do padrinho da máfia da FIFA, era a contrapartida.





 
Baseado em: http://www.cpolitic.com/cblog/2010/06/03/du-foot-et-du-fric-la-mafia-de-la-fifa/