Ao norte da China estende-se a vasta zona russa da Sibéria, que vai de Vladivostok à Mongólia, com uma superfície equivalente à da Europa, povoada por 6 milhões de habitantes. Do lado chinês, três províncias, com 150 milhões de habitantes ávidos de expansão.
O interesse dos chineses nesta zona não se limita só ao petróleo, gás ao minerais (sobretudo ferro) necessários à economia deste país em pleno desenvolvimento, como Birobijan a 100 quilómetros da fronteira, mas também ao território em si.
Calcula-se que na Sibéria oriental existem cerca de 300 000 chineses.
Outrora proibida aos estrangeiros, desde a queda da URSS que são cada vez mais os chineses a instalarem-se do outro lado da fronteira. Esta presença começa a preocupar as autoridades locais.
Ao longo da fronteira russa com a China, existe uma destruição sistemática da floresta que abastece redes mafiosas de exportação para a China que a trata e reenvia para o mercado mundial. Esta destruição poderá colocar em perigo daqui a 20 ou 30 anos a floresta boreal.
Os chineses aproveitam amplamente a corrupção endémica russa. Em Dalnerechensk, ponto de passagem para a madeira da Sibéria, as regras são conhecidas: a polícia local recebe 200 a 300 dólares por cada camião (10% do valor do carregamento) para fechar os olhos.
Pela noite dentro numerosos são os camiões que assim atravessam a fronteira sem qualquer controle. A polícia local chega mesmo a servir de escolta nestas operações.
Em Vladivostok, 70% dos negócios estão nas mãos dos chineses. Muitas das empresas chinesas têm como representante um russo que serve de "testa-de-ferro" a essas empresas.
Perto de Khabarovsk, a 800 Km de Vladivostok, na ilha de Bolchoï Oussouriisk, a Rússia aceitou vender metade da ilha à China em 2004. Actualmente no lado chinês existe um aeroporto, centros comerciais e parques de distracção, uma espécie de mini-Hongkong. No lado russo, apenas alguns estábulos e uma igreja.
A verdade é que o poder central russo tem esquecido e menosprezado as populações da Sibéria. Esta região só serve para produzir matérias primas, sem que tenha sido feito qualquer investimento para melhorar as condições de vida dos seus habitantes.
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Um oleoduto com 1 000 Km liga a cidade de Angarsk, a leste da Sibéria, à cidade chinesa de Daqing. Custo? 25 mil milhões de dólares, em grande parte pagos pela China. Contrapartida: 300 000 barris de petróleo por dia durante 20 anos.
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