quarta-feira, 22 de junho de 2011

Venex e Daflon: uma guerra de placebos


 

  

 



O laboratório farmacêutico Decomed está em guerra contra o ministério da Saúde e o Infarmed por um dos seus medicamentos ter perdido a comparticipação, trata-se do Venex.

 

O Venex (diosmina) é utilizado por milhares de pessoas na insuficiência venosa crónica (varizes). Não existe actualmente qualquer medicamento eficaz para o seu tratamento. O que existe é o Venex ou o Daflon (da Servier), que os laboratórios produtores dessas moléculas dizem estabilizar a parede das veias e assim melhorar a queixas dos doentes.


 

 

 

Os placebos devem ser comparticipados?

 



Placebo: (do latim placere, significando "agradarei") é como se denomina um fármaco ou procedimento inerte, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos da crença do paciente de que está a ser tratado.

 

 


A Decomed exige que a decisão do Tribunal Administrativo de Sintra, em 2007, de repor a comparticipação do Venex,  seja aplicada. Para isso está na criação do site: www.utenteslesados.com, apesar de oficialmente este ser da autoria da Associação Portuguesa da Doença Venosa. Neste site, é sublinhado que milhões de portugueses estão a ser prejudicados pela não comparticipação do Venex por parte do Sistema Nacional de Saúde. 

 

 


A pergunta que deve ser colocada é, se é normal comparticipar um medicamento que não tem qualquer eficácia clínica comprovada. Porque quem vai pagar essa comparticipação somos todos nós. Em outros termos, será normal que eu ou vocês pague uma parte de um medicamento que não faz nada mas que certas pessoas estão convencidas do contrário estimuladas pela propaganda farmacêutica. Cada um é livre de ingerir o que julga benéfico para si, mas não podem ser os outros a pagar.

 

 

 

As "provas".

 

 

Para sustentar a eficácia do Venex, a Decomed encomendou um ensaio clínico, realizado em Portugal, este pode ser consultado em: http://www.decomed.pt/VNEspecial.pdf




Este ensaio foi realizado com 140 doentes em 11 centros, durante um período de 6 meses. Os doentes foram divididos em 2 grupos, um deles tomou 2 comprimidos por dia de Venex Forte o outro tomou um placebo, isto é comprimidos idênticos aos dos de Venex mas sem qualquer substância activa. 



Neste ensaio foram avaliados vários sintomas: evolução da dor, sensação de pernas pesadas, cãibras e sensação de prurido. Apesar de pouco significativos, todos estes sintomas melhoraram com a toma de Venex. Como estes sintomas são extremamente subjectivos, é interessante analisar o único sinal avaliado neste ensaio: a medida da circunferência da perna esquerda dos doentes.



E aqui o que é que observamos? O valor médio inicial da circunferência da perna que era inicialmente de 226 mm, na última avaliação foi de 223 mm, o seja, ouve uma diminuição de 3 mm. Estamos a falar de mm, não de cm! Tendo em conta o erro da medição não ser feita exactamente no mesmo local, temos que admitir que 3 mmm é um valor estatisticamente insignificante (apesar do intervalo de confiança ser, segundo o estudo, de 95%, com p=0,01).



De facto, analisando os ensaios clínicos mundiais disponíveis, encontramos dois tipos: os que são encomendados pelos laboratórios farmacêuticos que comercializam as substâncias e que referem ligeiras melhorias (a maioria baseados em dados subjectivos) e os ensaios independentes que não referem qualquer melhoria clínica significativa.




As causas das varizes.


Varices
Para perceber melhor o que é a insuficiência venosa crónica, temos do conhecer as suas causas.


Assim, as varizes aparecem devido à deterioração das válvulas que percorrem as veias e permitem que o sangue que se dirige ao coração não volte a descer. Quando estas válvulas estão danificadas, nenhum medicamentos as fará voltar à sua função inicial.



Outra causa para as varizes poderá ser uma perda do tónus muscular das pernas, tónus esse que funciona como uma bomba nas veias profundas e que ajuda o sangue a subir.


Por fim, a perda da elasticidade da parede venosa e a sua maior permeabilidade poderá também contribuir para a insuficiência venosa. É nesta última causa que apostam os laboratórios farmacêuticos, na criação de medicamentos que supostamente alteram a parede venosa.



Prevenção:


Para quem tem uma predisposição hereditária para a insuficiência venosa, a prevenção não é fácil. No entanto, mantendo um bom tónus muscular e uma boa forma física, é possível reduzir o risco do aparecimento de varizes ou atrasar a sua evolução.



Algumas medidas:

- Exercício físico regular. A compressão dos músculos das pernas facilita o retorno venoso.
- Manter um peso adequado. O excesso de peso é nocivo para o retorno venoso.
- Evitar a obstipação. Esta obriga a um maior esforço durante a defecação aumentando a pressão venosa;

- Elevar as pernas, 3 ou 4 vezes por dia, mais alto que o coração.
- Colocar uma almofada por baixo das pernas, na cama, para dormir.

- Evitar passar muito tempo seguido sentado ou de pé.
- Mexer os pés, quando tiver que ficar sentado por longos períodos.
- Durante viagem prolongadas, por exemplo de avião, levantar-se regularmente e caminhar.
- Colocar água fria nas pernas e evitar o calor como o banho quente, sauna ou sol.
- Evitar meias e sapatos apertados.
- Evitar sapatos de salto alto.
- Usar meias de compressão, sobretudo para quem trabalha de pé.


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3 comentários:

  1. Eu há 29 anos fui submetido a uma biópsia, estando apenas com uma flebite.
    A biópsia foi na coxa direita até ao osso.
    Após a intervenção fiquei 17 dias sem conseguir dormir com as dores, pois a biópsia foi feita com a perna em pedra.
    A válvula da veia safena deixou de exercer a função.
    Caso não use meia elástica até à raiz da coxa a perna fica com mais uns 5 ou 6 centímetros que a esquerda, com meia e descanso vou mantendo nos 2, 3 cm.
    A boa solução para mim era Venex, e outros medicamentos para o mesmo efeito.
    É certo que o edema é idêntico com ou sem medicamento, mas o bem estar, o alívio da pressão e das dores, que são 24 horas/dia, a mobilidade melhoram muito.
    Tenho 58 anos neste momento, percebem a diferença que faz no meu orçamento anual/mensal o fim da comparticipação?

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  2. Não importa o preço praticado. Porque compro em Espanha por metade do preço

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  3. Quer dizer, não é justo que os contribuintes suportem o pagamento de um medicamento que os doentes dizem dar-lhes conforto, mas é justo que paguem seringas a rodos para os toxicodependentes se drogarem e facilitar ainda mais o negócio dos traficantes. Ele há cada uma!!! O argumento de que não há provas de que certo medicamento produza efeitos benéficos na doença para o qual é indicado é uma grandessissima treta. O Optimus (glucosamina + condroitina), por exemplo, não é comparticipado e, dizem alguns, que é placebo. Ignorantes! Em 2011 foi-me diagnosticada artrose nas mãos, com inchaços constantes nas articulações, inflamação, dores horríveis e o início de deformações. Em 2012 comecei a tomar Optimus (o tal "placebo") e imediatamente as inflamações e dores começaram a diminuir, acabando por cessar completamente ao fim de 2 meses de tratamento. Até hoje continuo com 2 comprimidos diários (são 20€/mês) e não só o processo de artrose nas mãos estagnou, como até regrediu um pouco, já que as deformações nas articulações praticamente desapareceram. Também as dores que eu costumava ter nos joelho e costas desapareceram. Por isso, duvido sempre quando vêm com essa treta de não comparticiparem porque é placebo. Placebo é o cérebro dessa gente.

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