sábado, 25 de agosto de 2012

O cano de uma pistola pelo cu

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Texto de Juan José Millás




Se percebemos bem – e não é fácil, porque somos um bocado parvos-, a economia financeira está para a economia real como o senhor feudal para o servo, o amo e o escravo, a metrópole para a colónia, o capitalista de Manchester para o operário sobre-explorado.


A economia financeira é o inimigo de classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com o corpo de uma criança num bordel asiático. Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes a teres semeado.


Na verdade, e sem que tu saibas da operação, pode comprar-te uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer. Se baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas – e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.


Estamos a falar, exemplificando, da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspectiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.


A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o carácter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país, este, vai dar ao mesmo, e diz “compro” ou  diz “vendo” com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vendem propriedades imobiliárias a fingir.





Quando o terrorista financeiro compra ou vende converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche público, onde estas ainda existem, os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, em linguagem simplificada, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos.


E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro. Você e eu, com o nosso estado febril, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, você e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes.


Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.


A você e a mim estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com rupturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas acções terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.


A economia financeira, se a estamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A actividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.


Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou pior, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, haja Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que lhe vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objecto irreal no qual você investiu, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da sua vida. Vendeu-lhe fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.


Na economia real para que uma alface nasça há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois é preciso colhê-la, claro, e embalar e distribuir e facturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco.


A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no cu do sequestrado.
Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo cu acima. E com a cumplicidade dos nossos.




Publicado no jornal "El País" a 15 de Agosto 2012.
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sexta-feira, 6 de julho de 2012

“A primavera árabe” está indo para a América latina?

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Uma onda de protestos está estourando na Venezuela, Equador e Bolívia – países de forte oposição às políticas dos EUA e de seus aliados na região. Será que estamos testemunhando uma “Primavera Latino-americana”? 



Há sinais de crescente actividade de guerra psicológica por agências e ONG's “pró-democracia”, “pró-direitos humanos” e “de ajuda”, na América Latina, actuando através de seus actores locais alinhados com os interesses dos EUA/Reino Unido/União Europeia. 




Acendendo o Fósforo 


Será que está sendo pavimentado o caminho para coisas bem piores? Aqueles que “riscam o fósforo” que inflama a agitação e os protestos populares já aprenderam muito bem, a partir da sua experiência com a “Primavera Árabe”, como soprar estas chamas que conduzem a catastróficas explosões sociais... 


Alguns alarmes estão começando a disparar em países como Venezuela, Equador e Bolívia, cujos presidentes – Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales, respectivamente – não tocam a melodia dos EUA e seus aliados, que por mais de um século têm exercido dominação económica colonial sobre a América Latina. 


A Venezuela, a Bolívia e o Equador insistem em manter estreitas relações com países, que os EUA e seus aliados definiram como “estados desonestos”, nomeadamente o Irão, a Síria e, até o assassinato público de Khadafi na a Líbia. Será que eles estão destinados a serem cabeças de ponte para uma possível “Primavera Latino-americana” de insurreição programada? 


A chamada “Primavera Árabe” também começou com a erupção de uma grande variedade de queixas populares que evoluíram para demonstrações em massa e rapidamente transformaram-se em violência social descontrolada de todos os lados. 




Redes de Poder 


Para entender como este complexo sistema de dominação realmente funciona, precisamos também olhar para a actividade do sector privado, que é instrumento para a obtenção do controle sobre os países da região. 


Por exemplo, uma entidade privada como a “Sociedade das Américas” presidida por David Rockefeller – fortemente ligada ao Conselho de Relações Exteriores que está bem em frente do outro lado da luxuosa Park Avenue na cidade de Nova York – recentemente foi capaz de catapultar um de seus membros, Juan Manuel Santos, para presidente da Colômbia, um tradicional aliado dos EUA na região. 


Outros membros da Sociedade das Américas incluem poderosos líderes políticos e empresariais regionais e globais, como o presidente do Congresso Mundial Judaico Eduardo Elsztain (empresário argentino sócio de George Soros) e, Gustavo e Patricia Cisneros, proprietários de um poderoso conglomerado multimedia da oposição venezuelana. 


Co-presidindo a Sociedade das Américas com David Rockefeller está John Negroponte, que serviu como embaixador do governo George W. Bush na ONU e no Iraque, e que também era seu Conselheiro de Segurança Nacional. 


Frequentemente, são fatos pouco conhecidos como estes que ajudam a “ligar os pontos” e permitem mostrar onde de fato o poder se encontra, mas que os media ocidental ignoram.


Ainda bem que o mundo está acordando para o fato de que a chamada “Primavera Árabe” não é mais do que um método para impor o estilo ocidental de “democracia” a todos os países muçulmanos, enfraquecendo assim todos os estados soberanos. 


É evidente que isto está sendo arquitectado e financiado com a cumplicidade da Elite de Poder que astutamente tira vantagem das divisões internas e sequestra genuínas reivindicações das populações locais em seu proveito próprio. 


Ela usa todas as armas de que dispõem, geralmente através de operativos da CIA, do MI6 e do Mossad. Também inclui guerra psicológica mediática local que espalha informação falsa/distorcida sobre o que realmente está acontecendo em cada país e por quê. 






Guia dos Sete Passos Para Destruir um País:


Escrevendo a respeito da “Primavera Árabe”, descrevemos um processo de ‘Sete Passos' através do qual a Elite Ocidental pode provocar tumultos até a destruição total. 


1. Eles começam apontando um país que consideram pronto para uma “mudança de regime”, frequentemente carimbando-o como “Estado Covarde”,então... 


2. Espalham mentiras deslavadas através de seus noticiários e jornalistas pagos e, chamam a isso de “preocupações da Comunidade Internacional”, então... 


3. Financiam e promovem contendas e tumultos internos, geralmente evoluindo para fornecimento de armas e treino de grupos terroristas locais pela CIA, MI6, Mossad, Al-Qaeda e membros de cartéis de drogas, e chamam-nos de “Rebeldes Pela Liberdade”, então... 


4. Tentam encenar Resoluções do Conselho de Segurança da ONU permitindo que a OTAN despeje morte e destruição sobre milhões de pessoas, e chamam a isso de “Sanções Para Proteger a População Civil”,então... 


5. Invadem e começam a controlar o país escolhido, e chamam a isso de “Libertação”, então... 


6. Quando o dito país cai sob seu controle, eles fraudulentamente impõem pérfidos governos fantoches e chamam a isso de “Democracia”, até que finalmente... 


7. Eles roubam o petróleo, os minérios e a produção agrícola entregando-os aos Banqueiros e Corporações globais, também impõem Dívidas Soberanas desnecessárias, e chamam a isso de ”Investimento Estrangeiro e Reconstrução”.



Portanto, Equador, Venezuela e Bolívia – e até mesmo Argentina: abram os olhos!
Aprendam a ver através do uso secreto e violento da força e da hipocrisia em público da Elite de Poder.
Porque quando os Poderosos Senhores Globais decidirem vir atrás de vocês, eles dirão que é tudo em nome da “liberdade de expressão”, da “democracia”, da “paz”, dos “direitos humanos”, da “não discriminação” e outras frases de efeito.
Não caiam nessa! 





Reprodução de um artigo, na quase sua totalidade com ligeiras adaptações, de Adrian Salbuchi  



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segunda-feira, 2 de julho de 2012

O próximo golpe será na Bolívia?

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A democracia na América Latina está correndo sérios riscos. Depois dos golpes em Honduras e, na semana passada, no Paraguai, as oligarquias locais tramam novas acções para abortar a guinada progressista na região - sempre em conluio com o império estadunidense e o apoio dos media colonizados.


 O caso mais grave agora, além do Paraguai, é o da Bolívia. Um "motim policial", estimulado pelas forças de direita, tenta desestabilizar o governo do presidente Evo Morales. 

Por Altamiro Borges 



Primavera Latina?


A América Latina é o alvo da Tirania Globalista!
Os povos da América do Sul têm que ter cuidado com convocações para "irem às ruas", com protestos motivados por movimentos suspeitos, assim como aconteceu com a Primavera Árabe, onde os confrontos violentos eram provocados por mercenários contratados.



Governo da Bolívia teme um golpe de Estado.


O governo de Evo Morales expressou neste final de semana a sua preocupação com a possibilidade de estar sendo preparado um golpe de Estado contra a sua administração perante o protesto de polícias.


Os "sinais" de violência que se verificam nos protestos policiais de sexta-feira "podem estar construindo um cenário de golpe", afirmou a ministra da Comunicação, Amanda Dávila.


"Perante à violência que vimos na sexta-feira, face a estes indícios que estamos a observar a partir dos relatos da imprensa, dos relatórios dos serviços de inteligência que estão chegando, temos aqui um cenário muito preocupante", afirmou.


O principal relatório fazia referência aos violentos distúrbios em várias cidades do país, sobretudo na capital, La Paz, onde centenas de agentes saquearam o edifício onde funcionam os serviços de inteligência da Bolívia, o Tribunal Disciplinar da Polícia e a Interpol, tendo queimado arquivos.
  

“Estamos diante de uma guerra não convencional”, diz presidente do Equador.


Em uma entrevista concedida à Carta Maior e aos jornais Página/12, da Argentina, e La Jornada, do México, o presidente do Equador, Rafael Correa analisa o que considera ser um dos principais problemas do mundo hoje: o poder das grandes corporações de media que agem como um verdadeiro partido político contra governos que não rezam pela sua cartilha. “Essa é a luta, não há luta maior. Estamos diante de uma guerra não convencional, mas guerra, de conspiração, desestabilização e desgaste”.





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sexta-feira, 22 de junho de 2012

A economia verde é o novo colonialismo

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A Conferência de Rio + 20 não contou com a presença de Barack Obama (preocupado com as eleições americanas) e de Angela Merkel e David Cameron Preocupados com a crise na Europa). Para que servem estas cimeiras e quais são os reais objectivos desta nova "economia verde"?




"Capitalismo é uma forma de colonialismo. Mercantilizarmos os recursos naturais e é uma forma de colonialismo dos países do sul, que sobre seus ombros carregam a responsabilidade de proteger o meio ambiente, que foi destruído no norte", disse Morales, presidente da Bolívia.


"Os países do norte enriquecem no em meio de uma orgia depredadora e obrigam os países do sul a ser seus guardas-florestais pobres".


"Querem criar mecanismos de intervenção para monitorizar e julgar as nossas políticas nacionais (...) com desculpas ambientais".


Por seu lado, Rafael Correa, presidente do Equador, acrescenta: "Os mais poderosos são os que estão depredando o planeta, consumindo bens ambientais, gratuitamente. Porque os que produzem os bens ambientais são os países em desenvolvimento: Brasil, Equador, a selva amazónica".


E lembra que: "os países mais ricos geram 60% das emissões de CO2, enquanto os 20% mais pobres do planeta produzem apenas 0,72% de gases contaminantes".


Paralelamente, centenas de indígenas de todo o mundo que participam na conferência Rio+20 denunciaram num documento entregue à ONU que "a economia verde é um crime de lesa-humanidade e contra a Terra".
"A economia verde é nada menos que o capitalismo da natureza (...) uma economia baseada na destruição do meio ambiente" e "a continuação do colonialismo ao qual os povos indígenas e nossa Mãe Terra resistiram durante 520 anos".






Finalmente, o presidente Evo é muito claro dizendo que “Os serviços básicos jamais podem ser privatizados. É obrigação do Estado. A economia verde é o novo colonialismo para submeter os povos e os governos anti-capitalistas. Coloniza e privatiza a biodiversidade a serviço de poucos. Verticaliza os recursos naturais e transforma a natureza numa mercadoria. A economia verde converte todas as fontes da natureza num bem privado a serviço de poucos”


Mais crítico ainda, Laerte Braga, publicou um artigo do qual seguem largos excertos: 


O verde mais cinza, não é daltonismo. É o cinismo e a barbárie capitalista. Pode estar com sombreados Greenpeace, um dos negócios mais lucrativos do planeta. O que é sustentabilidade? Sustentar o quê?


Milhares de ogivas nucleares, cinco mil ataques aéreos para devastar a Líbia, a fome em África, o trabalho escravo em países periféricos (expressão que adoram no jornalismo global podre e venal), a guerra civil montada na Síria, o genocídio contra palestinianos na versão sionista do nazismo, as bases militares espalhadas pelo mundo, o agrotóxico, o transgénico, a privatização da saúde. Será isso a tal sustentabilidade? 


Quem sabe sustentabilidade serão os cem bilhões de euros para salvar bancos espanhóis enquanto o rei caça elefantes na África, ou búfalos em campos privados na Suíça a cinco mil dólares por cabeça? Um quarto da população adulta da Espanha desempregada e mais da metade dos jovens que chegam ao chamado “mercado de trabalho” sem qualquer perspectiva?


Os gregos lutam nas ruas para preservar o seu país. Os egípcios assistem aos seus militares curvarem-se e lustrarem as botas do sionismo num golpe de estado que mantém o regime de Mubarak sem Mubarak.


Não há compromisso algum dos países ricos com políticas mínimas de preservação ambiental, de mudanças no sistema económico, nada disso.
 

O espectáculo, o show mediático. Os “especialistas” falando sobre como salvar o planeta enquanto o planeta vai sendo destruído por drones e outros artefactos mortais, cuja a última preocupação é o ser humano, o trabalhador.


Do lado de fora das cercas, o povo da Cúpula dos Povos, consciente que a luta foge às “regras” impostas pelo poder, pela classe dominante e que o movimento popular tem de ser como o dos gregos e dos egípcios, ou dos trabalhadores espanhóis que acorrem às ruas e repudiam os  seus governos, ou os que de facto governam.






Quem governa a União Europeia? Os governantes detentores de mandatos populares na farsa democrática? Ou as centenas de instituições e agências sem mandato popular, mas senhoras absolutas do poder e dos governantes? 


A grande lição da Cúpula dos Povos é que não existe alternativa dentro do sistema, lutando por dentro.
É nas ruas.


Quanta masturbação verbal nos salões com ar condicionado da farsa da RIO+20. O discurso “popular” das entidades agregadas ao poder. os media resplandecente no exibir o show, o espetáculo e a mostrar a “turba”, ou seja, os que pagam essa espécie de “farra do boi” disfarçada em “vamos salvar o planeta”.
E ainda falta a senhora Hilary Clinton para a histeria dos media e os noticiários carimbados pelo Departamento de Estado. Carimbados e autorizados.


O tom sombrio dessa gente é a volta às cavernas como previu Stanley Kubrick. Só que essas defendidas por ogivas nucleares, bunkers com a suástica transformada em verde pelos marqueteiros do capitalismo, ar condicionado e farto estoque de iguarias para os novos barões na nova Idade Média, a Idade Média da Tecnologia do Terror.


Quem sabe se o ACTO PATRIÓTICO, que entre outras coisas define modalidades de torturas permitidas, assassinatos em qualquer parte do mundo em nome dos direitos humanos, não salva o planeta? 





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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Teologia

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Teologia,segundo está no Dicionário,
é àcerca de Deus,religiosa Doutrina,
mas penso que é uma ideia cretina,
p'ra reprimir e domar o Povo vário.

A teologia é uma empírica ciência,
baseada na superstição e crendice,
que,desde há milénios,com pulhice,
mantém os Povos na subserviência.

Na Holanda,foi exibida na Televisão,
como um êxito dos humanos valores,
da lendária Biblia,uma nova tradução,
bebida em fontes gregas,por «doutores».

E pretendem êstes biblicos «doutores»,
com esta Biblia agora modernizada,
debelar a falta de humanos valores,
nesta sociedade egoísta depravada.

Que a Plebe seja «levada» pela crendice,
não me causa espanto nem admiração,
mas se o letrado faz,do ignaro,exploração,
isso,para mim,é uma imperdoável pulhice.

Mas,da Biblia,a moderna tradução,
originou polémica entre os «doutores»
causando entre êles aparentes dissabores,
o que não passa de académica discussão.

Foi sempre assim desde a Antiguidade,
que,da Tribo,o mais forte e espertalhão,
é que é,da Tribo,o seu Rei ou Capitão,
assistido por Sacerdotes da Divindade.

A Plebe,na sua ignorância e superstição,
crê num Ser superior que tudo domina,
e acata,dos Sacerdotes,a biblica doutrina,
ainda que seja contrária à humana Razão.

Por exemplo,a judaico-cristã teologia,
diz que toda a autoridade vem de Deus,
e que toda a gente,em especial os plebeus,
devem acatar as Normas da Aristocracia.

A Aristocracia,é pois a chamada Nobreza,
que,dizem ser de sangue azul,possuidora,
a qual,presentemente como outrora,
é defendida p'la teologia com fina subtileza.

Assim vemos a Corôa dos Reis encimada,
com a Cruz,símbolo do sofrimento e da dôr,
que a Plebe deve suportar resignada,
confiando crente no Messias Salvador.

No Mundo,as várias e absurdas Teologias,
téem todas elas,como única finalidade,
levar os Povos a crer numa Divindade,
e a suportarem,dos Poderosos,as Tiranias.

É pois baseado na empírica Teologia,
que Israel com o seu biblico Sionismo,
exerce na Palestina,bárbaro Terrorismo,
ao abrigo da biblica e absurda Teoria.

Mas,ainda hoje,tal como na Antiguidade,
os Poderosos querem a Plebe em submissão,
ajoelhada,de cu p'ró ar e cabeça no chão,
para poder explorá-la sem contrariedade.




Texto de José Gonçalves Cravinho
http://desabafosdumemigrante.blogspot.pt/
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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aumentar salários não é política, é uma urgência

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Contrariamente ao que diz António Borges, que "diminuir salários não é uma política, é uma urgência", ele que ganha 225 mil euros por ano do FMI livres de impostos, é urgente, sim, aumentar os salários.





Os salários reias têm diminuído.


Para receber "ajuda" financeira, pede-se aos países que dela necessitam, entre outras medidas, uma redução salarial para aumentar a competitividade. E efectivamente os salários têm vindo a baixar, mas sem que se vislumbre qualquer resultado macro-económico.


Nos quatro países da zona euro em dificuldade, a diminuição dos salários aumentou os lucros das empresas, mas não teve qualquer resultado positivo na competitividade ou no investimento. Essa baixa salarial teve, pelo contrário, como efeito, a diminuição da procura interna por parte das famílias já de si sujeitas a medidas fiscais de extremo rigor.


Constatamos que, os países com a taxa de desemprego mais alta são os que têm um custo de produção horária mais baixa. Este paradoxo demonstra, em parte, o erro que constitui manter uma política de baixos salários que é em parte responsável pelo abrandamento do crescimento.


Aumentar os salário, não só representa uma medida para sustentar a procura interna, mas também melhora a produtividade. Já dizia Joseph Stiglitz, prémio Nobel em 2001, há várias décadas: "o aumento dos salários leva a que quem dele beneficia aumente a produtividade, e portanto, a produz mais".


A teoria da existência de uma maior eficácia com salários elevados, torna-se ainda mais gritante quando sabemos que estes países nunca poderão competir com países asiáticos, onde a pratica de baixos salários existe a um nível impossível de colocar em prática nos países europeus.



A produtividade tem aumentado.


A produtividade aumentou, nos últimos dez anos, duas vezes mais do que os salários. O que estamos a fazer, na nossa sociedade é, substituir os salários pelas mais valias obtida pelas empresas e assim, estamos a transformar-la numa sociedade unicamente baseada no capital real ou virtual.


Querem-nos fazer crer que a mundialização condena os países ricos a uma baixa dos salários, ora, a concorrência não é depende unicamente dos salários, muitos outros factores entram em jogo, tais como o nível de educação ou o sistema jurídico. Basta referir que os países que praticam salários elevados são os mais desenvolvidos.


Estamos a assistir à liquidação da classe média, esmagada entre uma classe rica, que tem beneficiado com a crise, e uma classe pobre, subsidiodependente.
No contexto actual, é possível aumentar os salários, sobretudo os mais baixos, sem aumentar o custo do trabalho, diminuindo, por exemplo, a carga tributária das empresas.
Outra medida importante seria, aumentar a taxa sobre as mais-valias em operações de bolsa.
 



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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Bilderberg 2012, objectivo: salvar a zona euro

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Um mês depois da reunião anual da Comissão Trilateral em Tóquio, de 31 de maio a 3 de junho, realiza-se a reunião anual do clube Bilderberg, em Chantily, na Virgínia nos Estados Unidos.

Esta conferência é definida pelo próprio clube Bilderberg como um fórum Europa-América. Para além do tema da eleição americanas, a grande discussão irá ser sem dúvida "salvar" o euro.





"Occupy Bilderberg"


O local escolhido este ano foi exactamente o mesmo de 2008, ano também de eleições americanas, quando os senadores Barack Obama e Hillary Clinton "desapareceram" durante algumas horas para se encontrarem no local dessa reunião, um dia antes de Hillary Clinton anunciar a sua desistência à corrida da Casa Branca.


Este ano temos uma novidade, na sequência dos vários movimentos "occupy", vários militantes irão organizar uma manifestação pacífica nas imediações do Hotel Marriot Westfields onde a reunião Bilderberg se realiza. Este movimento "Occupy Bilderberg" ( http://occupybilderberg.org/)foca a atenção que não é só 1% da população que governa o mundo, finalmente é focado que quem detém verdadeiramente o poder é apenas 0,001% dessa mesma população. A CIA, com sede a um quarto de hora de distância, irá estar atenta.












Lista dos 145 participante:
 



Além de Pinto Balsemão, os dois convidados portugueses são:

Luís Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e actual chairman do banco BANIF

Jorge Moreira da Silva, vice-presidente do PSD



Este ano, a reunião é presidida, pela primeira vez, pelo CEO do grupo AXA, Henri de Castries.

Alguns nomes interessantes constam dos convidados:
o Príncipe  da Bélgica, Juan Luis Cebrián (CEO da  PRISA e Chairman do "El País"), Erik Izraelewicz (CEO do "Le Monde"), Garry Kasparov (Chairman da  United Civil Front of Russia), Henry Kissinger, os ministros das finanças da Irlanda, da Finlândia e da Polónia, o Primeiro ministro da Holanda, Peter Sutherland (Chairman da Goldman Sachs International), Robert Zoellick (Presidente do Banco Mundial).




Salvar o Euro


Este ano temos a participação de um grande número de tecnocratas. Para além da presidência dos EUA, o grande debate de Bilderberg de 2012 será provavelmente : o que fazer da Grécia


Não devemos esquecer, que a criação da zona euro foi um dos grandes projecto de Bilderberg, como tal, esta é para manter e consolidar. Para evitar a suposta saída da Grécia da zona euro, irão ser feitas novas propostas de medidas, sempre feitas à custa de restrições à liberdade dos vários governos nacionais dessa zona. Este ano participam na reunião quatro comissários europeus.


Para os que não acreditam em teorias da conspiração, estas reuniões privadas provam que na realidade elas próprias são uma conspiração. Alguns membros desta organização controlam a quase totalidade do poder financeiro mundial. São esses membros que criam uma cartilização global que controla desde a comunicação social até aos bens de primeira necessidade da população mundial.




     
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