terça-feira, 20 de novembro de 2012

A pilhagem da riqueza dos países pelos grandes bancos e corporações internacionais, o Banco Mundial, o FMI e o BCE - O caso português

.
 
 
 
 
 
 
 
1ª parte - Dívidas soberanas e programas de "resgate" (II)


Por Vasco Moura Esteves




As "ajudas" do FMI/Troika (os chamados resgates) para que os países possam honrar o pagamento das suas dívidas são, na prática, uma forma de endividar ainda mais os países, que se encontram já muito endividados, pelas seguintes razões:


  a) As "ajudas" são, nada mais nada menos, que novos empréstimos com juros, que serão utilizados para pagar apenas os compromissos a curto/médio prazo dos empréstimos já existentes. Ou seja, os países endividados, além de manterem as dívidas anteriores impagáveis, acumulam, com estas "ajudas" mais dívidas!

  b) Os juros devidos pelos empréstimos do FMI/Troika são usurários (o FMI/Troika financiam-se a <= 1% e cobram cerca de 5%). Esta situação serve para extorquir aos países "ajudados" muita da riqueza gerada!

  b) As exigências do FMI/Troika de privatização da maior parte da riqueza pública, que em termos práticos passa para a posse do capital estrangeiro (grandes bancos e corporações internacionais) tornam os países endividados em países mais pobres!

  c) As medidas impostas de austeridade (aumento dos impostos, redução de benefícios, etc.) sufocam a economia dos países endividados, o que implica a redução da produção de riqueza e consequentemente tornam esses países ainda mais pobres!

  d) As exigências do FMI/Troika em reduzir os direitos dos trabalhadores, quer ao nível do código do trabalho, quer ao nível dos apoios sociais, quer na redução dos salários, mais o aumento do desemprego decorrente das medidas de austeridade, implicam o empobrecimento geral da maioria da população, o qual, por sua vez implica um menor consumo. Havendo menor consumo as empresas produzem menos por não terem compradores. Deste modo as exigências do FMI/Troika de empobrecimento da população provocam menos produção de riqueza nos países "ajudados"!


Em suma, as "ajudas" do FMI/Troika pilham as riquezas dos países, deixam-nos mais endividados, mais pobres e, portanto, sem capacidade de se livrarem das dívidas e do "protectorado" do FMI/Troika!


A pilhagem dos recursos (materiais, financeiros e laborais) dos países não é feita, desta vez, através de uma guerra militar, mas sim é feita, subtilmente, através de uma guerra financeira, com o conluio de muitos governantes e "peritos" (políticos, economistas e jornalistas) e com a colaboração inconsciente dos restantes governantes e peritos (salvo raras excepções), nos países saqueados.


Como os governantes não podem ser responsabilizados criminalmente pelos seus actos, segundo as leis que eles próprios fazem, é imposto ao povo pagar os actos danosos dos seus governantes. Há quem chame a isto democracia ("O poder é do povo").




*****


Citação 

                Há dois modos de subjugar e de escravizar uma nação:

                      Um é pela força,
                      O outro é pelas dívidas. 

 
                John Adams (1736-1826), um dos fundadores dos EUA e 2º Presidente dos EUA
  


Joseph Stiglitz e os quatro passos da maldição do FMI

Joseph Stiglitz, ex-economista principal do Banco Mundial e membro do gabinete do Presidente dos EUA Bill Clinton e chefe do conselho dos consultores económicos da Presidência dos EUA descreveu os quatro passos da maldição do FMI.

Documentários   
Confissões de um "assassino económico"

    (Há mais vídeos no YouTube sobre este tema)

Citação
        Toda verdade atravessa 3 fases:
            Na 1ª fase - É ridicularizada;
            Na 2ª fase - É violentamente contrariada;
            Na 3ª fase - É aceite como a própria prova.
        Arthur Schopenhauer (1788-1860), filósofo alemão

Informação complementar
"Portugal está a ser assassinado, como muitos países do terceiro mundo já foram"
O plano de privatizações dos sectores estratégicos da Argentina
Os banqueiros aceleram a marcha para o saqueio da Grécia e os sociais-democratas votam pelo suicídio nacional
The Essence Of Banking...
 Portugal não precisava de ajuda externa e agências de "rating" têm de ser travadas
Privatizações agravam défice externo e endividamento do país

Wikileaks: Parpública na mira do Goldman Sachs e da “CIA privada”

        http://www.esquerda.net/artigo/wikileaks-parp%C3%BAblica-na-mira-do-goldman-sachs-e-%E2%80%9Ccia-privada%E2%80%9D/24418
Água: o Banco Mundial insiste em privatizar
Água: a privatização patina, mas o direito ainda está distante
Privatização da água na América Latina
Impedir a privatização da água


Big Banks Waging Warfare Against the People of the World
Demolição controlada da economia mundial?
 
RTP: estamos entregues ao Goldman Sachs

        http://octopedia.blogspot.pt/2012/08/rtp-estamos-entregues-ao-goldman-sachs.html

The Rampant Criminality of the Corporate and Political Elite - Murdoch and the rule of the oligarchy


Informação adicional
John Perkins

Como construir um império sub-repticiamente (quase sem fazer guerras) - John Perkins on Globalization:

        http://www.youtube.com/watch?v=TFC18pFvo1g
Economic Meltdown -- A Call for Systemic Change
Vamos Lá Fazer Dinheiro / Let's Make Money

Referências

[1] - Galp e Mohave vão explorar petróleo e gás em Alcobaça


[2] - Santos Pereira: Recursos mineiros de Portugal valem mais que o PIB nacional


[3] - Telejornal de 03-04-2012


[4] - SOPA e PIPA são dois pacotes legislativos americanos para censurar/controlar a Internet:

     - Los precursores de Internet firman una Carta abierta a Washington preocupados ante las leyes SOPA y PIPA


     - Anonymous Threatens Sony Over SOPA Support

                http://thenextweb.com/insider/2011/12/30/anonymous-posts-threat-against-sony-and-justin-bieber-over-sopa-support/

     - Nintendo, Electronic Arts y Sony retiran el apoyo a SOPA

     - MIT Media Lab muestra su oposición a SOPA


     - O dia em que a Internet fecha em protesto contra o SOPA


     - Autor da lei SOPA contra a pirataria viola direito de autor


     - Congresso americano adia votação e indica fim do SOPA/PIPA

[5] - ACTA é um tratado global anti-contrafacção, que visa também censurar/controlar a Internet de forma disfarçada:

     - Say NO to ACTA
                http://www.youtube.com/watch?v=citzRjwk-sQ

     - ACTA vs. SOPA: Cinco razões pelas quais o ACTA é a ameaça mais assustadora para a liberdade na Internet (em inglês) (IB Times)


     - Se você achava que SOPA era ruim, espere até conhecer o ACTA (em inglês) (Forbes)

     - O tratado secreto: ACTA e seu impacto no acesso a medicamentos (em inglês)

     - BBC News - European Parliament rapporteur quits in Acta protest

                http://www.bbc.co.uk/news/technology-16757142

     - Alguns países da UE aderem ao ACTA para controlar a internet
                http://telesintese.com.br/index.php/indice-geral-plantao-em-destaque/18279-paises-da-ue-se-unem-aos-outros-oito-signatarios-do-acta

     - Depois do SOPA, a vez do ACTA com o acordo da Europa
     - Varios países europeos rechazan firmar el acuerdo ACTA


     - ACTA error: Democracy not found



[6] - CISPA é um projecto de lei que dará às empresas privadas e ao governo dos EUA o direito de espiar qualquer um de nós a qualquer momento por quanto tempo eles quiserem em toda a web sem mandato judicial:

     - Salvem a Internet dos EUA

                http://www.avaaz.org/po/stop_cispa/?vl

     - Even worse than SOPA: New CISPA cybersecurity bill will censor the Web

               
http://rt.com/usa/news/cispa-bill-sopa-internet-175/

     - CISPA: Mozilla se posiciona contra o projeto


[7] - TPP (Trans-Pacific Parnership) é um projecto de acordo de comércio entre países banhados pelo Oceano Pacífico que vai para além do comércio e entra na esfera do controlo/censura da Internet:

     - Estadão: "Parceria Transpacífica prevê que países signatários façam seus provedores de internet monitorar os usuários"

                http://blogs.estadao.com.br/link/tag/tpp/

     - The Guardian: "The Pacific free trade deal that's anything but free"

                http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2012/aug/27/pacific-free-trade-deal

     - Electronic Frontier Foundation: "Contexto e análise da Parceria Transpacífica" (em inglês)

                https://www.eff.org/issues/tpp 




.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A pilhagem da riqueza dos países pelos grandes bancos e corporações internacionais, o Banco Mundial, o FMI e o BCE - O caso português

.









1ª parte - Dívidas soberanas e programas de "resgate" (I)

Por Vasco Moura Esteves




(Dou início hoje, a um excelente e completo estudo sobre a pilhagem da riqueza dos países pelos grandes bancos  e corporações internacionais, da autoria de Vasco Moura Esteves. Este estudo é composto por várias partes, mas dado a sua extensão, tomei a liberdade de dividir esta 1ª parte em duas)




Os grandes bancos e corporações internacionais mais as instituições Banco Mundial, FMI e BCE, que estão ao seu serviço, têm uma estratégia de pilhagem da riqueza dos países que é concretizada, principalmente, através da criação de dívidas soberanas (dívidas dos estados) impagáveis.



A partir de certo momento os estados extremamente endividados não conseguem mais obter nos mercados de financiamento o dinheiro necessário para pagar os seus compromissos financeiros. Nos últimos anos, este processo tem sido acelerado através da subida das taxas de financimento dos países manipulada de forma concertada pelas agências de notação financeira Moody's, Standard & Poor's e Fitch (que são controladas pelos grandes bancos e corporações internacionais) e pelos investidores dos mercados financeiros (que são dominados pelos grandes bancos e corporações internacionais). Os casos da Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália são paradigmáticos.


É nessa altura que os estados super endividados são obrigados a pedir empréstimos ao FMI e aos seus associados (BCE - Banco Central Europeu, FED - Federal Reserve System, etc.) pois estas são as únicas entidades dispostas a emprestar mais dinheiro para os estados poderem pagar os seus encargos financeiros apenas de curto/médio prazo.


Contudo, os empréstimos só são disponibilizados por essas entidades quando os estados (o governo e os partidos políticos do arco de governação) se comprometem a executar um programa financeiro-económico-social (Memorando de Entendimento) definido e imposto por essas entidades, sob a justificação de que tal programa é necessário para permitir o saneamento das finanças públicas desses países.


Esta "ajuda" (há quem lhe chame "resgate") trata-se na realidade de um ataque disfarçado à soberania desses países e de conquista, controlo e pilhagem dos seus recursos (materiais, financeiros e laborais), como se verá a seguir.







Os estados tutelados (com perda de soberania) pelo FMI/Troika têm que cumprir, entre as várias medidas do programa de "assistência", a privatização ou concessão aos "investidores do mercado" (os grandes bancos e corporações internacionais) de todo o património público dos respectivos países que possa ser lucrativo. 

Por exemplo, no caso português:


  a) Os transportes aéreos (TAP - Transportes Aéreos Portugueses  e  ANA - Aeroportos de Portugal);
  b) Os transportes ferroviários (CP - Comboios de Portugal  e em estudo a REFER - Rede Ferroviária Nacional);
  c) Os transportes rodoviários (Carris e STCP) - apenas as carreiras rentáveis;
  d) Os metropolitanos (Metro de Lisboa e talvez do Porto);
  e) A electricidade (EDP - Electricidade de Portugal  e  REN - Redes Energéticas Nacionais);
  f) A água (Águas de Portugal);
  g) O gás e outros combustíveis (GALP);
  h) As comunicações e telecomunicações (Portugal Telecom CTT - Correios de Portugal);
  i) A comunicação social (RTP - Rádio e Televisão de Portugal (Televisão Pública, Antena 1, 2 e 3) e LUSA - Agência de Notícias de Portugal);
  j) Campos petrolíferos e de gás natural (o primeiro campo a ser explorado é Aljubarrota-3 [1]);
 k) Minérios (em pouco mais de um ano de Governo já foram assinados cerca de 78 contratos mineiros com o "capital estrangeiro" [2])
      O actual sistema de ‘royalties’ (direitos de concessão) de exploração dos minérios é pouco vantajoso para o Estado, logo, é muito vantajoso para as empresas concessionárias.



Os estados tutelados ao serem obrigados a vender/concessionar todo o património público que possa ser lucrativo perdem fontes de rendimento que poderiam ser utilizados no saneamento das finanças públicas, tornando deste modo os estados mais pobres e, portanto, mais dependentes de futuras "ajudas" do FMI/Troika!







Em paralelo com a aquisição de empresas públicas que possam ser rentáveis, o programa de "assistência/ajuda" do FMI/Troika impõe directa ou indirectamente as seguintes situações para aumentar os lucros dos investidores internacionais (os grandes bancos e corporações internacionais):


a) As privatizações são feitas a preços inferiores ao valor real das empresas devido ao facto destas vendas serem forçadas. Além disso, para ajudar a baixar ainda mais o preço de venda das empresas, as agências de notação financeira Moody's, Standard & Poor's e Fitch (controladas pelos grandes bancos e corporações internacionais) têm piorado sucessivamente a notação destas empresas. Este negócio de privatização a preços de saldo é obviamente prejudicial para o interesse público;

b) As privatizações têm como alvo, principalmente, as empresas públicas que constituem um monopólio na sua área de intervenção, garantindo assim aos futuros donos privados um mercado sem concorrência;

c) O aumento exigido do preço ao consumidor dos serviços a privatizar (electricidade, gás, água, transportes, etc.) serve para garantir que as empresas a privatizar possam vir a dar lucro;

d) A diminuição generalizada dos salários provocada por:
        - cortes nos salários,
        - medidas administrativas de contenção das actualizações salariais face à inflação,
        - diminuição das indemnizações por despedimento,
        - corte do subsídio de Natal, numa 1ª fase de 50% a todos os trabalhadores em 2011, como balão de ensaio para o corte permanente,
        - corte dos subsídios de férias e de Natal, numa 1ª fase a todos os trabalhadores da função pública em 2012, 2013, ...?, como exemplo a seguir pelo sector privado - A Comissão Europeia sugeriu a eliminação definitiva destes direitos [3],
       - tentativa (falhada, por enquanto) de aumento do horário laboral em meia-hora sem aumento proporcional do salário,
        - eliminação de feriados,
        - eliminação de dias/períodos de tolerância de ponto,
        - aumento brutal do desemprego (ver nota 2),
        - diminuição para metade no valor de retribuição das horas extraordinárias,
        - o "incentivo" maquiavélico para a empregabilidade dos desempregados (ver nota 3),
       - sub-contratação de profissionais da saúde (médicos, enfermeiros e nutricionistas) ao menor preço,
     - tentativa gorada de transferência de parte da TSU paga pelas empresas para os ombros dos trabalhadores (que passariam a pagar 18%), que seria equivalente à diminuição de um salário em cada ano,
       - tentativa gorada de corte em 10% no subsídio de desemprego mínimo e no subsídio social de desemprego.    
Estas medidas garantem maiores lucros futuros às empresas como resultado da diminuição dos custos de produção associados aos salários;

e) A redução progressiva do acesso dos cidadãos ao Serviço Nacional de Saúde serve para criar oportunidades de negócio para as empresas privadas do ramo (prestação de cuidados de saúde) e seguradoras;

f) A redução progressiva dos benefícios da Segurança Social aos cidadãos serve para criar oportunidades de negócio para as empresas privadas do ramo (seguradoras e fundos de investimento internacionais), pois ao obrigar os cidadãos a procurarem apoios sociais futuros (para a reforma, doença, desemprego, gravidez, pós-parto, abono de família, funeral, pensões de invalidez, de velhice, etc.) nas empresas privadas, estas ficarão com as poupanças dos cidadãos à sua disposição para a especulação financeira sem responsabilidade. Veja-se o que aconteceu nos EUA: desde 2008 até à data as pensões desvalorizaram-se em cerca de 50%, sem que os cidadãos possam reclamar os 50% perdidos, porque as leis estão feitas para proteger os especuladores;

g) A implementação de políticas económicas fortemente recessivas (ou seja, que asfixiam a economia do país), através de cortes no investimento do Estado na economia, da sobrecarga fiscal obscena dos cidadãos e das empresas (23% na restauração) e da contracção do consumo interno, são destinadas a provocar a destruição do tecido produtivo do país. O  objectivo destas políticas é o de criar uma legião de desempregados e de empresários falidos num deserto empresarial, criando assim condições para a instalação posterior dos grandes bancos e corporações internacionais no país, sem qualquer concorrência e com salários miseráveis;

i) A execução de cortes brutais na Educação para destruir todo o sector público da Educação, com vista a criar oportunidades de negócio para as escolas e universidades privadas e para os bancos que irão emprestar dinheiro aos estudantes que queiram frequentar o ensino superior. Veja-se o que aconteceu nos EUA: Os finalistas do ensino superior estão endividados para o resto da vida;

 j) A redução significativa das Forças Armadas Portuguesas com o objectivo de desarmar o país, de modo que Portugal não se possa defender no caso de tentar recuperar a sua independência financeira e em consequência disso sofrer uma invasão militar;

k) O controlo total da comunicação social dos países nas mãos dos privados (grandes corporações internacionais) facilitará futuras pilhagens sem que os cidadãos se apercebam da situação. Para isso é necessário acabar com o serviço público de televisão, rádio e notícias (no caso português RTP e LUSA). Têm sido óbvias as manobras do governo nesse sentido (tentativa de concessionar a uma empresa privada o serviço público de televisão e rádio e o estrangulamento financeiro da LUSA retirando-lhe 20% do seu orçamento);

l) O controlo total das comunicações dos países (em especial a Internet) nas mãos dos privados (grandes corporações internacionais) juntamente com controlo total da comunicação social permitirá às grandes corporações internacionais o controlo total da informação a que os cidadãos terão acesso. A título de exemplo, veja-se o caso de França, onde Sarkosy conseguiu a aprovação de uma lei que permite às empresas fornecedoras de acesso à Internet a capacidade de cortar o acesso à Internet a qualquer cidadão ou entidade colectiva com base em denúncias de "downloads ilegais", sem ser necessária uma ordem judicial para o efeito (ver nota 4). Outros exemplos mais recentes são o SOPA [4], o PIPA [4], o ACTA [5], o CISPA [6] e o TPP [7].

m) A colocação de homens de confiança e ao serviço dos grandes bancos e corporações internacionais nas estruturas governativas dos países ajudados (ou melhor, saqueados) para garantir a implementação das medidas previstas no Memorando de Entendimento (forçado) e até, se possível, ir mais além do Memorando. É o que tem estado a acontecer com o governo português que tem ido e tentado ir para além do que exige a Troika. Vejamos dois exemplos de homens ao serviço dos grandes bancos e corporações internacionais nas estruturas governativas de Portugal:
     - Carlos Moedas (homem do Banco Goldman Sachs) é Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro para o poder orientar e controlar.
     - António Borges (ex Vice-Presidente do Conselho de Administração do Banco Goldman Sachs International, em Londres e ex-Director do Departamento Europeu do FMI, na altura em que foi imposto a Portugal aceitar o acordo com a Troika). Após a privatização da EDP e a sua entrega aos chineses, António Borges foi transferido do FMI para Portugal para coordenar (controlar) as privatizações. Nesta posição, António Borges poderá garantir que as futuras empresas públicas a privatizar só irão parar às mãos dos grandes bancos e corporações internacionais, via qualquer empresa ocidental que seja controlada por eles. A segunda missão de António Borges consiste em orientar ideologicamente o Primeiro-Ministro Passos Coelho, de perto, e lançar para a opinião pública ideias ultra-liberais quer directamente (entrevistas onde defendeu a baixa generalizada dos salários e a concessão do serviço público de televisão a privados sem risco no negócio) quer indirectamente via Passos Coelho e alguns ministros (transferência de parte da TSU paga pelas empresas para os ombros dos trabalhadores, redução do subsídio mínimo de desemprego e do subsídio social de desemprego, etc.) para aferir o grau de resistência da sociedade portuguesa a medidas radicais de saque. Caso as medidas sofram grande contestação o governo propõe a seguir, como alternativa, medidas menos gravosas contando com a sua aceitação fruto da reacção esperada "do mal o menos".



Nota 1 - É muito importante ter a noção de que, desde há vários anos, as empresas privadas "portuguesas", que operam nas áreas das privatizações, têm vindo a ser compradas pelo chamado investimento estrangeiro (grandes bancos e corporações internacionais), graças à globalização e, em particular, à livre circulação de capitais imposta a todos os países. Portanto, quando se fala de privatizar um serviço público (por ex. a RTP) ou uma empresa pública (Águas de Portugal) e entregá-los a empresas "portuguesas", a maior parte das vezes trata-se de empresas que no passado foram de capital 100% português, mas que agora são de capital maioritariamente estrangeiro.

Nota 2 - Quando o desemprego aumenta muito, os desempregados em desespero aceitam trabalhar por qualquer salário. Assim, através de uma política de despedimento dos empregados mais onerosos para a empresas e da subsequente contratação de desempregados desesperados, torna-se muito fácil baixar significativamente os salários de todas as profissões.

Nota 3 -  O "incentivo" maquiavélico para a empregabilidade dos desempregados, que está em vigor, consiste na possibilidade legal de um desempregado poder decidir aceitar um emprego onde receberá um salário inferior ao valor do subsídio de desemprego que tem estado a receber, podendo acumular o subsídio de desemprego com o salário do novo emprego durante 3 meses e de acumular 50% do subsídio de desemprego com o salário do novo emprego durante os 3 meses seguintes. Após 6 meses no novo emprego receberá apenas o salário (inferior ao subsídio de desemprego a que tinha direito e muito inferior ao salário anterior que lhe deu direito ao referido subsídio de desemprego). Se nos dias/meses seguintes o sujeito ficar desempregado novamente já só terá direito a um subsídio de desemprego bastante menor que o anterior por ser calculado com base no último salário o qual será necessariamente bastante inferior ao salário anterior, tendo em conta a forma de cálculo do subsídio de desemprego. Com a "cenoura" grande nos 3 primeiros meses e com a "cenoura" pequena nos 3 meses seguintes, o governo pensa conseguir baixar muitos salários, contando com a "burrice" do desempregado e a "esperteza" de muitos empresários que trocarão (despedirão) trabalhadores com salários mais altos por trabalhadores "burros" mais baratos.

Nota 4 - A lei de Sarkosy é justificada oficialmente pela necessidade de defender os direitos de autor e impedir as cópias piratas via Internet. Porém, em termos práticos, quando o utilizador da Internet transfere um ficheiro digital (contendo uma música, uma fotografia, um livro, uma apresentação de PowerPoint , um vídeo do YouTube, etc. ) por qualquer via (downloads, messenger, e-mail, aplicações específicas, etc.), a maior parte das vezes, não sabe nem pode saber se o conteúdo está protegido por direitos de autor, ou se o pagamento do download cobre os direitos de autor. Quem disponibiliza na Internet ficheiros digitais para venda ou para partilha é que sabe se os seus conteúdos estão sujeitos ou não a direitos de autor. Portanto, não é o consumidor final dos ficheiros digitais quem é responsável pela pirataria. Assim, torna-se claro, que o objectivo final e encoberto da lei de Sarkosy é o de permitir o corte discricionário do acesso à Internet aos cidadãos ou às entidades colectivas "perigosos(as)" para o sistema.





.












quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O 5 maiores bancos dos USA detêm mais de metade da economia desse país

.













Não são necessários quaisquer conhecimentos de economia para perceber que nos Estados Unidos, apenas cinco bancos controlam o equivalente a metade da economia desse país. 


JP Morgan Chase, Bank of America, Citigroup, Wells Fargo e Goldman Sachs Group  possuem   8 500 mil milhões de dólares, o equivalente a 56% da economia dos Estados Unidos.




Intocáveis...


A crise tornou estes bancos mais poderosos do que nunca. O próprio governo dos USA tornou-os "intocáveis" por serem demasiado grandes para um dia poderem ser hipoteticamente resgatados. Tornarem-se assim demasiado "grandes" para serem resgatados, esses bancos vão poder continuar a "ariscar" no mercado, sabendo que se as coisas correm mal serão sempre resgatados.


Esses banco vão poder continuar assim a apostar nas bolhas financeiras, na especulação e na compra de dívida financeira de países em crise sem qualquer risco.


Quando o poder político fala em "mercados financeiros" na realidade está a falar destas super-entidades financeiras que controlam os ditos mercados que dominam a economia mundial.


Especulam quanto à capacidade de países sob ajuda financeira poderem pagar a suas dívidas, cada vez maior, baixando através das suas agências financeiras as suas nota através das agências de rating.


As sucessivas mediadas de austeridade, impostas a esses países resgatados, servem apenas esses mesmos mercados, trata-se de facto de um terrorismo financeiro para restaurar a chamada confiança dos mercados.



"Um governo" supra-nacional.


Em dezembro de 2011, Roger Altman, antigo secretário de Estado das Finanças do governo Clinton, afirmou num artigo publicado no Financial Times, que "os mercados financeiros actuavam como um supra-governo mundial. Dizia que os regimes políticos nada podiam fazer, os mercados forçam a austeridade e o resgate da banca, a sua actuação é semelhante às impostas pelo FMI, tornaram-se as forças mais poderosas do planeta".


Quando falamos em "mercado de livre-troca", estamos a falar de economia verdadeira, legítima e legal, quando falamos de tráfico de droga falamos em "mercado ilegal" gerido por cartéis. Os cartéis são instituições totalitárias onde o poder se exerce de cima para baixo, os cartéis das grandes empresas multinacionais ou os bancos, funcionam da mesma maneira, controlam regiões e nações.


Este método funciona, não só par os  bancos, mas também para as grandes empresa multinacionais da agropecuária, industria, farmacêutica, militare ou da simples gestão da água.


Estes cartéis da banca, praticam actividades criminais, manipulando as taxas de cambio, faz o branqueamento de dinheiro sujo, é palco de uma vasta corrupção, e no entanto, recebem milhares de dólares para o seu resgate quando necessário.


Os países que recusam por em prática programas de austeridade estão sujeitos a uma desvalorização da sua credibilidade, através das agência de rating, dos quais fazem parte, o que mergulha o país resgatado numa crise muito maior. Em qualquer destes casos, este cenário é o de terrorismo dos grupos bancários, na vida diária chamaria-mos a isso: extorsão.


Os países, e as pessoas desses países, encontram-se assim confrontados a pagar uma dívida injusta a uma "super-entidade" composta por um cartel da banca mundial, o mesmo que pratica o branqueamento de capitais, branqueamento do dinheiro proveniente da droga, e que constituem no fundo um "governo mundial".


As pessoas que compõem estes cartéis escondem a sua riqueza nos números paraísos fiscais. Calcula-se que mais de 30 000 mil milhões de dólares estão depositados nos paraísos fiscais para fugir aos impostos, leu bem, 31 000 000 000 000 dólares! Mais do que o PIB dos Estados Unidos.
 

As 92 000  pessoas mais ricas do mundo possuem 10 000 mil milhões de dólares em paraísos fiscais! Em muitos dos casos esse valor excede de longe as dívidas dos países resgatados. Essas pessoas representam 0,001% da população mundial.


Os 10 bancos mais ricos do mundo têm 6 400 mil milhões de dólares em conta offshore.




 .

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Pornografia e telenovelas

.







Pode parecer antagónico referir dois temas tão diferentes, quando a pornografia é consumida maioritariamente por homens, enquanto as telenovelas são-no pelas mulheres, mas muitos pontos estes dois temas têm em comum.




Pornografia a arte de fingir.
 

A pornografia sempre fez parte da sociedade humana, desde os seu primórdios , mas nunca como agora faz parte da nossa vida com a era da Internet.


Se é verdade que a pornografia faz parte dos nossos fantasmas mais remotos, para muitos homens esta  tornou-se numa obsessão, não é puro acaso que a palavra mais pesquisada no Google é "sex".


A pornografia até pode ser benéfica para uma casal estável, mas para muitos, não deixa de ser uma alienação da sua sexualidade vivida, por recorrer frequentemente a desempenho sexuais desmedidos e fora de qualquer contexto relacional e previligiar sempre o homem como actor e a mulher como mero objecto sexual.


Ao fantasmar que a relação com a sua mulher irá ser semelhante ao que vê nos numerosos  filmes e imagens pornográficas, este pode queres reproduzir as mesmas situações e caso não as consiga reproduzir, poderá ficar decepcionado e frustrado, afectando a relação do casal, que é muito mais do que sexo, apesar de este ser um factor construtivo fundamental .


Cria-se então um desequilíbrio, entre a a realidade e a ficção, pois a mulher é sempre a vítima preferencial dessas relações pornográficas, as mulheres nesses casos tornam-se uma "coisa". Nega-se então a plenitude sexual com todo o seu mistério.



A mulher como objecto na pornografia.


Sendo a sexualidade masculina mais facilmente despertada pela a visão, a mulher fica relegada ao papel de objecto dessa mesmo visão. Muitas mulheres pouco a pouco tendem a comporta-se como o que o companheiro quer delas e a imitar o comportamento dessas mesmo actrizes pornográficas. Num casal equilibrado esse estimulo até pode ser benéfico, e quebrar uma certa rotina, mas nas outras situações irá causar um sentimento de frustração por não estar à altura.


Os homens deixam então de ver as mulheres não como um todo, mas sim como seios e coxas, e as mulheres por seu turno, muito influenciadas pela publicidade, tentam competir com os modelos através de silicone, botox e aumento dos seios.


O negócio da pornografia excede 13 mil milhões de dólares, só nos Estados unidos, e 97 mil milhões em todo o mundo, maior do que os lucros da Microsoft, Google, eBay ou Yahoo juntas.


As relações humanas entre um homem e uma mulher não podem ser apenas um acoplamento mecânico sem qualquer cumplicidade. Se é verdade que as imagens sexualmente estimulante deixam marcas no cérebro, essas devem ser feitas sobretudo à custa da cumplicidade mutua.


A pornografia pode assim colocar um stress enorme no relacionamento do casal.


Muitos defendem que a pornografia legitima as fantasias sexuais, resfriando assim as potenciais agressões sexuais, mas mal vai a nossa sociedade quando necessita de tais escapes para que tal não aconteça.








As telenovelas como alienação.


Em certos aspectos, as telenovelas funcionam para as mulheres como a pornografia para os homens. Menos sensíveis aos aspectos da imagem, as mulheres funcionam com os seus outros sentidos, um dos quais o imaginário e a procura de um ser ideal, que não existe, ou quando existe, existe apenas na sua própria imaginação. Por isso são consumidoras de telenovelas que as projectam num mundo imaginário construído por seres perfeitos e de intrigas mais ou menos fantasiadas.


As telenovelas são assim uma das maiores fontes de entretenimento, especialmente para as mulheres. Apesar das telenovelas apenas abordarem uma determinada época, sentem-se coniventes com a época em que se passam.


As telenovelas não são o mundo real, mas a maioria compara as personagens intervenientes com a sua própria vida, ela, bem real, a a real fica sempre como não podia deixar de ser desfavorecida. Muitas mulheres não fazem qualquer distinção entre a vida que vivem e a que é descrita nessas mesmas telenovelas. A falta de distensão entre a ficção e a vida real muitas vezes acaba por criar um mau-estar nas suas vidas.


Tentam copiar as atitudes e comportamentos que vêm. Não se apercebem que na sua grande maioria o enredo das telenovelas é sempre baseado na sensualidade, na ambição, na violência e nos fingimentos.



Alienação de comportamentos humanos.


Através dos sonhos de glamour apresentados nestas ficções, consideram que a vida que têm com o seu companheiro não passe de uma banalidade frustrante. A maioria das telenovelas referem como banais as traições, nelas a ausência de solidariedade são habituais, ocultando aquilo que de bom se espera nas relações humanas.


As telenovelas acabam por ditar valores éticos e morais nas mentes das pessoas, que vivem essas telenovelas como fazendo parte das suas vidas, deturpados, esquecendo frequentemente o mundo real que as rodea. As telenovelas acabam por alienar as pessoas como as religiões.


Exploram as paixões humanas e exacerbem certos comportamentos sexuais como a pornografia para os homens os faz noutro sentido. Por exemplo, a nova versão da telenovela Gabriela tornou-se numa telenovela erótica, submergindo o pano de fundo político que era central na obra de Jorge Amado.




.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A "ajuda" envenenada da Troika a Portugal

.








Sabia que do total do crédito "oferecido" a Portugal no âmbito do programa de assistência da 'troika' de 78 mil milhões de euros, 34.400 milhões de euros, corresponde ao valor total a pagar em juros ao longo do prazo dos empréstimos, ou seja, quase 45% do valor emprestado?


Sabia que o montante destinado às empresas do sector financeiro são 12 mil milhões de euros reservados para a recapitalização da banca?


Tecnicamente falante, os empréstimos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) ou do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) têm uma maturidade (duração) média de 12 anos, a uma taxa de juro média de 4%.
Já os empréstimos do Fundo têm uma maturidade média de sete anos e três meses, e uma taxa de juro média de 5 por cento - mas neste caso "a taxa de juro é variável, à qual acresce um 'spread' [diferencial] que depende do montante em dívida e pode chegar a perto de 400 [pontos base] depois dos três primeiros anos", lê-se no documento das Finanças.


Sabia que ao contrário do inicialmente previsto, o pagamento de juros de Portugal à troika está a incidir na totalidade dos 12 mil milhões de euros destinado à capitalização da banca, e não apenas no montante até agora utilizado?


Sabia que da fatia de 12 mil milhões, o Estado injectou este ano 4,5 mil milhões de euros no BCP e no BPI. Os restantes 7,5 mil milhões de euros estão depositados numa conta bancária no Banco de Portugal e não podem ser utilizados para dedução da dívida?


Ou seja dos 78 mil milhões emprestados a Portugal, 34 mil milhões são para pagar juros + 12 mil milhões para a recapitalização da banca, sobram menos de 32 mil milhões para a economia real.




.