segunda-feira, 15 de março de 2010

Diovan e Starlix são medicamentos ineficazes



O "Starlix" (nateglinida do laboratório Novartis, licenciado à Jaba) e o "Diovan" (valsartan também do laboratório Novartis) não têm qualquer eficácia na prevenção das doenças para os quais são prescritos.

Estas conclusões foram divulgadas a semana passada na 59ª conferência anual do American College of Cardilogy em Atlanta no USA e publicadas no New England Journal of Medicine.














A hiopótese à partida era sedutora, será que podemos controlar e reduzir o aparecimento da diabetes e o aparecimento de complicações cardiovasculares, tratando precocementes estes doentes com o "Starlix" (nateglinida) e/ou com o "Diovan" (Valsartan)?


Este estudo chamado de Navigator, foi efectuado em 9 306 doentes, durante 5 anos e em 40 países. Os doentes foram separados em 3 grupos: tratados com Starlix contra placebo, tartados com Diovan contra placebo e com os dois medicamentos.


Foram estudadas a morbilidade e mortalidade, quanto ao risco de desenvolvimento da diabetes e na redução do risco cardiovascular (morte, AVC, infarto do miocardio,...).

Conclusões:

- O Diovan não reduz o risco cardiovascular,

- O Starlix não reduz a incidência da diabetes recente, nem os episódios cardiovasculares.


Devemos salientar mais uma vez que a redução do peso corporal, mesmo que seja de apenas 5%, produz óptimos resultados na diabetes e doenças cardiovasculares. Alguns estudos sugerem uma diminuição desses episódios de 60%.






quinta-feira, 11 de março de 2010

Camarões químicos !



Nos últimos 10 anos o consumo de camarão aumentou 300% nos Estados Unidos, Europe e Japão. Mais de 4 milhões de toneladas são vendidos cada ano no mundo.



Para satisfazer um tal mercado, cerca de 90 % do camarão consumido é produzido em aquacultura na qual são aplicados um quantidade incrível de produtos químicos.






Em valor, o camarão é o primeiro produto maritimo que circula nos mercados internacionais, à frente do atum e do salmão. 90% da produção de camarão situa-se na Asia. A Tailândia é o principal produtor, mas também existe uma importante produção nas Filipinas, na Indonésia, na India, no Vietnam e na China. A restante produção vem do Equador, do Peru e do México.



Químicos e mais químicos...


Em setembro de 2002, foi descoberto nitrofurano (um antibiótico) em camarão proviniente da Tailândia com destino ao Reino Unido. Em setembro de 2004, 9% das amostras de camarão importodo analisadas na Luisiana, nos Estados Unidos, continham outro antibiótico, o cloranfenicol. Estes e outros antibióticos são administrados aos camarões para prevenir as infecções frequentes devido ao número elevado de animais num pequeno espaço.


Para aumentar o tempo de conservação são adicionados benzoatos, sorbatos e outros sulfitos. Cloro, insecticidas, pesticidas (paratião, malatião,...), fungicidas, algicidas, são alguns dos químicos utilizados para combater e prevenir os vários agentes infecciosos susceptíveis de atingir a aquacultura.


Também são usados corantes para conferir aos camarões uma cor mais atraente, conservantes para não escurecerem e lavados com lexívia antes de serem exportados para matar qualquer eventual bacilo.



Camarão e ecologia.

Além destas substâncias serem potencialmente perigosas para a saúde humana, a aquacultura não parecer ser uma solução ecológicamente sustentável dado que são necessárias para a alimentação em média 90 toneladas de peixe, sob a forma de farina, para produzir 30 toneladas de camarões.

As instalações de aquacultura de camarão destroem grandes superficies de mangal que representa um ecosistema único de transição entre os ambientes terrestre e marinho. A Tailândia o primeiro produtor mundial de camarão já terá destruido 70% das suas florestas de mangal.


Cada hectare desta aquacultura produz 8 toneladas de detritos por ano, a poluição é tal que na sua proximidade a água potável é imprópria para consumo ou para a rega.



Camarão selvagem versus aquacultura.

A solução seria comer camarões selvagens? Do ponte de vista alimentar sem dúvida que essa será a solução, mas do ponto de vista ecológico não.

Sem contar com o facto que, actualmente a pesca não é suficiente para abastecer o mercado mundial, a pesca de camarão é das mais destructivas. Por cada quilo de camarão pescado, 10 a vinte quilos de tartarugas, tubarões e inúmeros peixes sem valor comercial são sacrificados e atirados ao mar.

Uma solução seria a produção de camarões em aquaculturas biológicas com impacto reduzido nas florestas de mangal, produzidos em tanques com um número limitado de animais, sem o recurso a químicos e alimentados com farinhas de peixe (a de origem em animais terrestres é proibida) e vegetais de origem controlada (sem OGM).

Apesar de mais caros e da dificuldade em controlar todos os passos desta aquacultura em certos países em via de desenvolvimento, estas poderão ser as condições para continuar a desfrutar saudavelmente do marisco que comemos.




http://www.mescoursespourlaplanete.com/Produits/Produits_de_la_mer__65/Crevettes_3.html

http://www.passeportsante.net/fr/Actualites/Nouvelles/Fiche.aspx?doc=2004092101

No seu prato, um bife rico em substâncias químicas...

Nos Estados Unidos, 16% dos antibióticos são utilizados para tratar as pessoas, 14% para tratar o gado doente, e os restantes 70%?... São utilizados no gado saudável!

Mesma coisa no Canada onde estes produtos assim como certas hormonas são autorizadas.

Na União Europeia, as hormonas estão proibidas no sector pecuário desde 1988 e os antibióticos desde 2006. Podemos comer o nosso bife descansados?









Bifes com antibióticos...



Os antibióticos são utilizados desde há mais de 60 anos na pecuária para o tratamento dos animais doentes (10%), na prevenção de doenças (50%), mas também como estimulador do crescimento (40%). Hoje em dia, os produtores utilizam 20 vezes mais antibióticos do que há 30 anos.

Alguns desses antibióticos são produtos espantosos: quando administrados aos animais, estes necessitam de comer menos e o seu peso aumenta. Em pequenas doses, os antibióticos inibem o metabolismo da flora intestinal e estes consomem menos nutrientes e produzem menos moléculas tóxicas, com grande vantagens financeira para os produtores.




Resistência aos antibióticos.



Tudo parecia ideal, tanto para o dono do animal, como para o consumidor final que podia assim ter um produto mais barato. Mas o problema é que as bactérias dos animais, como as dos seres humanos aprendem a resistir aos antibióticos.


Os genes bacterianos resistentes, sob a forma de plasmidos, chegam ao nosso organismo através da cadeia alimentar. Cada vez mais utilizamos novas moléculas de antibióticos muitos próximas das usadas na pecuária.


Desta resistência cruzada, surgem infecções humanas cada vez mais difíceis de tratar com os antibióticos de que dispomos. A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou em 1977 que "a utilização massiva de antibióticos nos animais deveria ser interrompida imediatamente, e que esta tinha conduzido ao enfraquecimento dos humanos, perante agentes infecciosos que se tornaram resistentes aos antibióticos".


Toda produção animal está sujeita à administração de antibióticos: vacas, porcos, galinhas, peixes e até abelhas. Os próprios vegetais são frequentemente contaminados pelas fezes dos animais usadas como adubo pelos agricultores.




Bifes com hormonas...



As hormonas de crescimento como o estradiol, a progesterona ou a testosterona, permitem que uma vaca, por exemplo, cresça 5 a 15% mais rapidamente. Devido ao stress dos animais, criados em instalações exíguas, até ansiolíticos lhes são administrados.







As máfias das substâncias proibidas...



Nos Estados Unidos e no Canadá, todos estes produtos que acabamos de ver são autorizados. Na União Europeia não.

Mas para contornar esta situação existem já ácidos orgânicos, probióticos e fitases, que apesar de mais caros, permitem os mesmos resultados. Temos ainda a fiscalização nem sempre eficiente, mas sobretudo os mercados paralelos de antibióticos e hormonas organizados em verdadeiras máfias.





Cada vez mais, são utilizados cocktais de hormonas naturais praticamente indetectáveis nas análises. A constatação da existência de cada vez uma maior concentração de hormonas naturais nas urinas e excrementos dos animais é mais que suspeita.
A tentação é grande para o dono de uma exploração pecuária de ver o seu rendimento aumentar significativamente com a utilização destes produtos. Rapidamente, várias rede mafiosas tomaram conta desta oportunidade de mercado. Este tráfico inclui farmácias e veterinários.



http://www.ass-ahimsa.net/vege2.html

http://www.larecherche.fr/content/recherche/article?id=17300

http://www.rtbf.be/info/societe/consommation/viande-la-mafia-des-hormones-toujours-bien-active-en-belgique-156861

http://michelbouffioux.skynetblogs.be/post/3737325/hormones-140906

terça-feira, 9 de março de 2010

Aquacultura: químicos no seu prato...



Desde os anos de 1970, que a aquacultura tem uma expansão mundial galopante. Actualmente a sua taxa de crescimento anual é de 7%, superior a qualquer outro sector de produção animal.


50% do peixe consumido no mundo provém da aquacultura, o camarão atinge mais de 90%.


Sendo Portugal o terceiro maior consemidor mundial de peixe, a maior parte das pessoas não faz ideia dos químicos que consome regularmente nos de peixes de aquacultura.




Um peixe cheio de químicos no seu prato...



O salmão de aquacultura representa na Europa 700 000 toneladas anuais. Para se chegar a esse número, a sua alimentação é constituida de farinas de peixe, adicionada de vitaminas A e D, mas também de corantes químicos e de antibióticos.


A revista científica "Science", publicou um artigo de investigadores canadianos e americanos que chegaram à conclusão, que estes salmões também continham grandes quantidades de PCB, DDT, HCB, dióxinas, dieldrin, lindane, e outros pesticidas.


De facto, para lutar contra certas doenças, que surgem com frequência nos sobrelutados tanques de aquacultura, os pesticidas são habitualmente utilizados. Além dos antibióticos e vacinas, também é administrado formol ou verde de malaquite. Claro que todos estes químicos estarão mais tarde presentes no seu prato.




Aquacultura e a ameaça ambiental.



Se em termos de saúde pública, as perpectivas não são animadoras, em termos ambientais as notícias não são melhores. Todos estes produtos químicos vão se espalhar no mar circundante, afectando outras espécies.


Por cada tonelada de peixe produzido em aquacultura, vão ser gerados 110 kg de azoto, 12 kg de fósforo e 450 kg de carbono. Os quimícos provenientes da aquacultura vão condicionar a vida de outras espécies, e as fugas de alguns peixes de cultura vão produzir cruzamentos com espécies selvagens dando origem a alterações genéticas imprevisíveis.


Paradoxalmente a aquacultura que era vista como um meio de poupar as reservas pesqueiras, não é tão linear. Cerca de 30% do alimento nescessário ao crescimento dos peixes de aquacultura provém de outras espécies de peixes selvagens, e para produzir um quilo de salmão de cultura, são necessários 7 kg de farina de peixe selvagem!





Nem sempre é fácil, na banca, reconhecer uma dourada de aquacultura de uma dita do "mar", mas quem já provou as duas nota bem a diferença. Calcula-se que perto de 25% das etiquetagens são fraudulentas, fazendo passar por selvagens peixes de aquicultura, sendo este valor superior no peixe já preparado, como por exemplo sob a forma de filetes.



Mais assustador ainda é que certos científicos vêem na produção de peixes genéticamente modificados, a possibilidade de ir além da selecção natural. Sonham com peixes OGM que permitiriam obter espécies com crescimento mais rápido e consequantemente mais lucrativo.









quarta-feira, 3 de março de 2010

A União Europeia cede à pressão dos OGM.



Após 12 anos sem qualquer autorização, a Comissão Europeia cedeu à pressão das multinacionais agroalimentares e pertimite o cultivo de uma batata trangénica e autoriza a venda na UE de três milhos geneticamente modificados.





Milhões e pressões dos OGM.



A batata Amflora é um OGM (organismo geneticamente modificado) da empresa alemã BASF que tinha ameaçado deslocalizar as suas empresas da Europa, caso esta não fosse autorizada na União Europeia até finais de fevereiro 2010. BASF pensa assim obter lucros anuais de 40 milhões de Euros.


O presidente da Comissão Europeia tinha uma tarefa difícil, depois de uma votação no ano passado, ter obtido a não autorização de novas culturas OGM com votos de 22 países. Com efeitos os governos europeus não queriam opor-se à opinião pública que vê com muita apreensão os produtos OGM. A saída do comissário Stavros Dimas, opisitor da cultura de OGM na Europa, facilitou a tarrefa de Durão Barroso.




Uma estranha batata...



A batata OGM Amflora permite a obtenção de uma taxa de amido mais elevada sob a forma de amilopectina. Esta tem uma enorme aplicação na indústria do papel e textil por exemplo, além do sector agro-alimentar. Também esta autoriza para a alimentação animal. Esta batata OGM contem um gene que lhe confer ristência a um antibiótico, a Kanamicina. Este poderá não ser eficaz quando for necessário a sua utilização para o tratamento da tuberculose. Na Alemanha, um projeto do Emsland Group e do Europlant consegui criar por metodos de selecção natural uma batata com o mesmo teor de amilopectina, sem os risco do OGM.



Os milhos OGM autorizados são da empresa Monsanto, e são os: MON863xMON810, MON863xMON603 e MON863xMON810xMON603. Estes milhos OGM são obtidos por cruzamento dos MON863, MON603 e MON810 que já estavam autorizados para a alimentação na União Europeia.








Ilusões e perigos dos OGM.

Maior rentabilidade para os agricultores, necessidade de menos pesticidas, muitos são os benefícos dos OGM (organismos geneticamente modificados) apresentados pelas grandes empresas agro-alimentares, e tudo isto sem qualquer problema para a saúde. Mas a realidade é bem diferente e assustadora...





O mito da rentabilidade dos OGM:



Com uma planta OGM resistente a um determinado herbicida (vendido pela mesma empresa que vende as sementes), o agricultor pode utiliza-lo durante todo o desenvolvimento da planta, dado que esta lhe é resistente. Na prática, isto faz com que este utilize geralmente uma maior quantidade de herbicida. Portanto o mito vendido pelas multinacionais de que uma menor quantidade de quimico é aplicada não corresponde à verdade. Existe o risco de resistência, que frequentemente se desenvolve com certas ervas daninhas. Certos insectos também vão desenvolver alguma resistência, além de outros insectos morrerem, como as joaninhas, sendo preciosos aliados naturais na luta contra certas pragas.





Perigos para a saúde:



A inocuidade dos OGM para a saúde humana ainda não foi demonstrada. Em contrapartida, o risco alérgico alimentar é bem real. Existe igualmente um problema quanto à utilização de certos antibióticos no genoma da planta, dado que poderá conduzir a uma resistência e ineficácia quando for necessário utiliza-lo para tratar algumas infecções no homem.

Após um pedido oficial da União Europeia, algumas empresas de OGM foram obrigadas a divulgar os seus estudos, com vista à introdução de OGM na UE. Estes revelaram que ratos alimentados durante três meses com OGM apresentavam alterações dos níveis da glicémia, dos globulos brancos e vermelhos. Estes dados, claro, não foram valorizados pelas multinacionais. Estudos apontam que o uso de Roundup (pesticida da Monsanto) pode induzir no ser humano alterações do sistema reprodutor, mutações embrionárias e cancerigenas.





A mentira do fim da fome no mundo:



O mito de que os OGM vão acabar com a fome no mundo é mais uma mentira. Na realidade a utilização de OGM não revelaram um aumento da produtividade. Mais grave ainda, os pequenos agricultores ficam dependentes das multinacionais, como Monsanto, quanto à compra de sementes, adubos e pesticidas.

Nos Estados Unidos, 90% da soja e 60% do milho plantados são trangénicos. Um grupo independente de cientitas do Union of Concerned Scientist (UCS), publicou no dia 14 de maio de 2009, um estudo que prova que a produção com recurso aos OGM não melhorou o rendimento agrícola em comparação com as culturas feitas com sementes tradicionais.





O monopólio de Monsanto.



A empresa Monsanto controla 90% da produção mundial de OGM. Está presente em 46 países, com 17 500 empregados e tem um volume de nogócios de mais de 8 mil milhões de Dólares. Nos últimos anos comprou mais de 50 empresas do ramo para dominar o mercado mundial de sementes.

Na India quase todo o algodão cultivado é ONG, as sementes de Monsanto tem um preço quatro vezes mais elevado do que as tradicionais e necessitam da mesma quantidade de pesticida. Uma praga, em 2006 nesse país, destrui grande parte das culturas de algodão trangénico e mais de 700 camponeses suicidaram-se em seis meses. No Paraguai, no Brasil e nos Estados Unidos, alguns agricultores tiveram as suas culturas contaminadas por OGM e tiveram que pagar à Monsanto "royalties" sem nunca terem tido a intenção de produzir OGM.





A batalha dos OGM esconde enormes interesses financeiros. O colocar um gene artificial numa determinada planta, estas multinacionais obtêm a patente dessa planta, portanto são donas delas.







http://www.autourdubio.fr/?post/une-etude-montre-que-les-ogm-n-augmentent-pas-les-rendements-965

http://www.greenpeace.org/belgium/fr/news/BASFpotatoe2

terça-feira, 2 de março de 2010

A religião envenena tudo...



"A religião envenena tudo e não acaba porque somos egocêntricos"
é um excelente entrevista de Vanda Marques, Publicado em 02 de Março de 2010 pelo Jornal i, um diário que marca a diferença nos média em Portugal.



Christopher Hitchens é jornalista e escreveu o best-seller "Deus não é Grande". Esteve em Portugal para debater o ateísmo e falou com o i





Frontal, polémico e irónico. Dos quatro cavaleiros do anti-apocalipse - como foram baptizados os pensadores ateus que surgiram dos últimos cinco anos - Christopher Hitchens é o mais controverso. Jornalista, colunista na "Vanity Fair" e na "Atlantic Monthly", acusou a Madre Teresa de Calcutá de se dar com ditadores. Christopher, inglês a viver nos Estados Unidos, esteve em Lisboa, na Casa Fernando Pessoa, para discursar sobre a "Urgência do Ateísmo". O escritor, de 60 anos, falou com o i enquanto regressava de uma visita a Évora, e já tem um livro a caminho, desta vez vai analisar os Dez Mandamentos.




De que forma é que a religião envenena tudo, como diz no seu livro?


A religião diz-nos que não temos liberdade, que fomos feitos por um ser superior. Esse ditador divino disse-nos que não saberíamos nada e que não seríamos capazes de distinguir o bem do mal. É uma forma doente de educar as pessoas. Envenena porque te torna num escravo, mas a religião não vai acabar.



Porquê?


Porque tem como principais recursos a estupidez humana, a crendice e a vaidade, disfarçada de humildade. A religião não acaba porque somos egocêntricos e temos medo de morrer. Assim, acreditamos que dizemos umas coisas pela ordem certa e vamos para o céu. Até agora nunca foi provado que aquele ser omnisciente e benigno existe.



E os milagres, como o de Fátima?


Ilusões. Duas coisas simples provam que não existe: ela nunca aparece a não cristãos e quando aparece é igualzinha à estátua que está à entrada da escola das crianças. Já agora, se o Sol tivesse parado tinha sido visto noutras partes do mundo. Fátima mais parece uma senhora que nasceu na Islândia ou no Minnesota do que na Galileia.



Porque escreveu "Deus não é Grande - Como a Religião Envenena Tudo"?


O debate entre os que acreditam no sobrenatural e os que não acreditam é o mais importante. Na altura [2007] havia um confronto entre a teocracia e a democracia. Além disso, tinha a sensação de que nos EUA estavam fartos de ver o ensino da biologia substituído por religião, com a história do criacionismo. A violência da jihad também era, e é, uma preocupação real. É o reavivar de superstições medievais, com crueldade e estupidez.



Em várias culturas sempre houve a noção de Deus, porquê?


É inato à mente humana procurar padrões para entender o mundo. Somos primatas que precisam disso, foi assim que aprendemos a domesticar animais, entendemos o padrão, logo o seu comportamento. A desvantagem é que preferimos aceitar qualquer tipo de padrão a nenhum. Haverá uma razão para que todas as igrejas de Lisboa tenham caído em 1755? É tão importante para nós. De certeza que é importante para o cosmos. Mas estão enganados. Não havia plano, há sim uma grande falha entre Lisboa e os Açores.



Somos demasiado egocêntricos?


Uma das grandes piadas da religião é que defende a ideia de que somos simples criaturas, não valemos nada, mas depois acrescenta: "Já agora, nós somos a razão pela qual o Sol se levanta." Pergunto: "Sou humildes ou não?" Aliás, são muito arrogantes. Pensam: "Claro que todas as igrejas de Lisboa caíram porque comi a mulher do meu amigo."



Mas a religião não é importante na educação, já que cria padrões morais?


É um argumento muito comum em todas as religiões. Tenho uma pergunta para essas pessoas: se a religião é a base da moral então enumerem-me uma acção moral que só uma pessoa de fé possa fazer e que eu, como ateu, não possa? Não existe. E conseguem indicar-me uma acção cruel que um crente faça apenas por causa da sua fé? Os exemplos são muitos: do 11 de Setembro à Inquisição.



Existem religiões mais perigosas do que outras?


Nos anos 30 e 40 do século XX, diria que a mais perigosa era o catolicismo romano porque estava relacionado com o fascismo. Agora é muito claro que é a versão mais radical do islamismo. Não aceito que vivamos à mercê de pessoas que às vezes nos toleram outras não. Quando armas de destruição maciça caem nas mãos de loucos, ou temos de ser muito educados para não os chatear - que para mim seria uma humilhação intolerável - ou vamos esperar pelo veredicto final - que é uma versão ainda pior do mesmo dilema. Recuso-me a viver um dia da minha vida submisso ao prazer destas pessoas.