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sábado, 3 de junho de 2017

Macron: o capitalismo apodera-se da França

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Macron é um puro produto dos multimédia, jovem, bonito, tem tudo de uma espécie de Kennedy à francesa, mas não é mais que um produto do vazio político francês contra a Frente Nacional.




Só tem 20% dos votos.

No nosso sistema "democrático" os votos nulos ou em branco não são contabilizados. Votos nulos ou em branco totalizam 13% dos votos, um número significativo dado que esses votantes "se deram ao trabalho de irem votar.
Por outro lado temos 27% de abstenção o que no cumulo representa que 40% dos franceses não votaram nem por Macron, nem por Marine Le Pen,
No conjunto, Macron ganha a eleição francesa com com 39% de votos, dos quais metade não votaram nele mas contra Marine Le Pen, temos então cerca de 20% dos franceses que votaram para Macron. Muito pouco para definir uma política real para um país da dimensão e influência da França.




Um capitalista que diz não ser de direita ou de esquerda.

Portanto a França será governada por um delfim dos Rothschild que irá proceder ao seu desmantelamento como nação. Uma "ditadura" está "Em Marcha". Não esquecer que Macron trabalhou para os Rothschild.




O medo e a esperança...

Não esquecer que estas eleições francesas foram baseadas no medo: medo do desemprego, da Internet, do futuro, da reforma, da emigração, dos atentados, ...

A maioria das pessoas vêm na esperança, que os políticos nos apresentam, a solução para o medo, mas a esperança não se cria no futuro, mas sim no presente. Tudo se passa agora e não no futuro, a criação do futuro está no presente.

A política representa a esperança dos escravos, que eleição após eleição têm a sensação de mudar o seu futuro sem resolver os problemas presentes, na realidade as eleições são uma ilusão de escolha e o seu voto dá uma sensação de esperança.




A França nas mãos dos banqueiros.

Para voltar à eleição francesa, uma questão pertinente é saber como é que um "desconhecido" é financiado e cria um novo partido. Só durante os anos de 2010 a 2012 ganhou no banco Rothschids cerca de 2,8 milhões de euros. Parte desse dinheiro foi ganho à custa de uma operação capitalista entre Nestlé e Pfizer.

Macron foi vendido como uma jovem Kennedy francês, mas está ligado aos grande grupo financeiros mundiais e é o produto desses mesmos grupos. Pode dizer que não é de direita ou de esquerda, mas este "golpe de estado" mediático não deixa margem para dúvidas, Macron é um produto do capitalismo liberal vigente.









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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Nudez: o ocidente ajoelha-se perante os muçulmanos

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Durante a visita do presidente iraniano Hassan Rohani ao museu do Capitólio, as estátuas milenárias desnudas foram encaixotadas porque iriam ferir a susceptibilidade deste representante muçulmano, o vinho também foi banido do protocolo.




Após ter sido recebido pelo Papa, Rohani teve o cuidado de referir que a liberdade de expressão não deveria permitir de insultar as pessoas de outras crenças. Verdade, nada menos verdade, cada país com a sua cultura não deveria ser sujeito a uma imposição de uma cultura diferente. Mas episódios destes revelam que o ocidente está disposto a assujeitar-se perante os dictames muçulmanos.

 

Um país tem direito à sua própria cultura e os visitantes têm de se adaptar ao país visitado. Quando uma ocidental visita um país muçulmano, se o quiser visitar, sabe que não pode usar uma mini-saia para não ofender os costumes locais. Na mesma ordem de ideias, um muçulmano que queira visitar um país ocidental sabe que existem mulheres de mini-sai, se não o suportam que não venham visita-lo.


A nudez e sua vergonha, quando muitos povos primitivos vivem nus, data do mito de que Adão e Eva viviam nus mas não tinham consciência da sua nudez. Foi apenas quando comeram o "fruto proibido" que tomaram consciência da sua nudez. A partir daí a nudez tornou-se vergonhosa.


O judaísmo, depois o cristianismo e finalmente o islamismo fizeram da nudez um crime. O vestuário levou a que servisse de diferenciação social. O "bom selvagem" nu era símbolo de inferioridade social.


Nos finais do século XX alguns movimentos naturistas, na Europa, e em particular na Alemanha e França, promoveram o nudismo como forma social de abolir diferenças e  uma aproximação à natureza.

A representação artística da nudez faz parte da cultura ocidental. Não é tolerável que uma religião recente venha impor padrão dos seus países quando visitam outros países.


Os bem-pensantes ocidentais não conseguem explicar por que, em nome da diversidade cultural ou religiosa, os país muçulmanos não aceitam a construção de uma igreja num país muçulmano enquanto nós aceitamos a construção de mesquitas nos nossos. Também não explicam por que é nós aceitamos mulheres de burca nos nossos países quando não aceitam mulheres de mini-saia nos deles.



Progressivamente os valores e a identidade europeia ocidental estão a desaparecer, ora possuídos pela febre consumista americana, ora por uma religião intolerável ortodoxa muçulmana.







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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Nós, os campiões da democracia

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Resumindo. Nós dirigentes dos Estados Unidos, somos com os nossos aliados europeus, os campeões dos direitos humanos, e sonhamos em derramar  a democracia no mundo.

Portanto se:






- tiramos do poder Mossadegh e imposto tirano Reza Pahlavi no Irão

- armado a família Saud contra os progressistas árabes

- apoiado o ditador fascista Franco em Espanha

- apoiado o ditador fascista Salazar em Portugal

- utilizado os fascistas da Europa de Oeste para criar as redes secretas do Gladio

- apoiado o tirano Batista, e depois tentado assassinar Castro em Cuba

- apoiado o apartheid na África do Sul 

- apoiado a Rodésia racista (futuro Zimbabué)

- assassinado Lumunda para impor o tirano Mobutu

-assassinado 500 mil indonésios para instalar a ditadura de Suharto

- instalamos uma ditadura no Vietname

- instalamos uma ditadura na Grécia

- apoiarmos o fascista Pinochet para derrubar Allende

- armado os terroristas para desestabilizar Angola e Moçambique

- assassinado dois presidentes do Equador para instalar ditadores

- substituído o presidente Goulart por uma ditadura militar

- fazendo o mesmo com Bosh São Domingo

- o mesmo com Zelaya no Honduras

- apoiado os ditadores Duvalier em Haiti

- armado Ben Laden para derrubar o governo progressista afegão

- apoiado os talibãs no Afeganistão

- armado e financiado os terroristas "contra" no Nicarágua

- assassinado Bishop e invadido Granada

- apoiado os coronéis assassinos na Argentina

- apoiado o nazi Stroessner no Paraguai

- apoiado o ditador general Banzer na Bolívia

- apoiado a ditadura feudal no Nepal e no Tibete

- utilizado o FIS para desestabilizar a Argélia

- financiado Mubarak no Egipto

- armado vários grupos terroristas para desestabilizar países africano incómodos

- apoiado os bombardeamentos com napalm do regime da Etiópia e na Somália

- apoiado o racismo anti-judaico, anti-muçulmano, anti-sérvio Tujdman na Croácia

- tentado assassinar Chavez, Morales, Correa para instalar ditaduras

- apoiado os atentados à bomba em hotéis e aviões na América Latina

- utilizado a Al-Qaeda na Líbia

- utilizado a Al-Qaeda na Síria

- utilizado os nazis anti-judeus Svabada e Pravy Sektor para um golpe de Estado na Ucrânia

- utilizado e proteger todos os crimes de Israel contra os palestinianos




Tudo isto foi puro acaso, claro, e nunca o voltaremos a fazer-lo!...










Fonte: www.investigaction.net
(Tradução Octopus)




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domingo, 6 de setembro de 2015

A Charia já chegou à Europa

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"Está a entrar numa zona controlada pela Charia"


Estes cartazes não se situam em nenhum país muçulmano para advertir algum turista estrangeiro, encontram-se colocados em bairros muçulmanos em várias cidades britânicas (os mesmos também existe em França).





O que é a Charia?


O termo significa "o caminho", na realidade é nome que se dá ao direito islâmico.
Nas sociedades islâmicas, contrariamente às ocidentais, não existe uma separação entre a religião e o direito. Colocado em outros termos, as leis são proferidas baseadas nas escrituras sagradas.


Neste caso, o Corão, mas também as Sunas (que narram a vida do profeta) e sobretudo os Hadiths que regula todas as situações e decisões do profeta, mas que foram escritas muito mais tarde ao abrigo de várias influências políticas.


A partir destes textos, como é de imaginar, não existe qualquer lei equitatível e justa, tudo depende dos textos sagrados. A Charia lida assim com todos os aspecto da vida diária, sem apelo.




O Reino Unido aprova leis da Charia.


No Reino Unidos, dado a numerosa comunidade muçulmana, foi recomendado aos advogados realizarem testamentos "compatíveis com a Charia".


Assim sendo, a mulher tem direito a apenas metade da herança de um homem, como preconiza a Charia, que vale assim metade de um homem.


Parece impensável, mas está decretado por um Estado europeu outrora vigilante em relação aos tradicionais direitos humanos que tanto custaram a conquistar, criando o modelo europeu.


Existem actualmente mais de trinta tribunais islâmicos oficiosos no Reino Unido que regulam os conflitos familiares. Por enquanto, as flagelações, amputações e lapidações ainda não estão autorizadas.





"o Islão irá dominar o mundo, a liberdade que vá para o inferno"

A maioria dos bairros islâmicos, onde a lei da Charia funciona, como um micro-Estados, a polícia, os bombeiros e as ambulância não entram. Nesses bairros as mulheres que não têm o véu são ameaçadas por vezes de morte, assim como os suspeitos de homossexualidade.


Por enquanto essas zonas são apelidadas, hipocriticamente de "zonas urbanas sensíveis". Esses bairros estão destinados a longo prazo a seram "emiratos" islâmicos.










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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ucrânia: revolução com cheiro fascista.

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Manifestantes com a braçadeira do antigo símbolo do partido neo-nazi Svoboda.





À beira da bancarrota e sobre assistência do FMI, a Ucrânia estava dividida entre as promessas de adesão à União Europeia e a ajuda da Rússia.


De um lado, a União Europeia que prometia um crescimento de 6% com a sua adesão e duas tranches de empréstimos de 186 e 610 milhões de euros, além de um apetecível mercado potencial de 500 milhões de consumidores.


Do outro, a Rússia, principal destino das exportações ucranianas, que prometia uma baixa significativa do preço do gás fornecido, assim como um empréstimo de 15 mil milhões de dólares.





A Europa ao serviço dos USA.


A União Europeia, que dificilmente controla a união dos seus 28 países, tem pouco interesse em integrar mais um, quem tem grande interesse na Ucrânia são os Estados Unidos que utilizam a EU como intermediário para satisfazer as suas pretensões.


Do ponto de vista geo-estratégico, a Ucrânia representa mais um passo para cercar a Rússia. Do ponto de vista económico um tampão no abastecimento do gás russo à Europa, aliás, está em marcha a construção de vários gasodutos para contornar gás proveniente da Rússia.




Um odor de fascismo...


Muitos dos manifestantes são estudantes, mas no meio estão infiltrados curiosos manifestantes.
Como diz Nuno Ramos de Almeida no jornal "i" de 25 de fevereiro: 

"Vestem-se como nazis, andam como nazis, comportam-se como nazis, pensam como nazis. Se calhar são mesmo capaz de ser nazis, não acha?".




Antiga bandeira do Svoboda até 2003




Nova bandeira do Svoboda













Um dos partidos da oposição é o SVOBODA, de extrema direita, que até 2003 tinha por símbolo um logótipo muito semelhante ao utilizado pelos nazis durante a segunda guerra mundial, é financiado pela CIA.


Muitas organizações não governamentais americanas têem estreitas ligações com os revoltosos ucranianos. Uma delas é a Freedom House (dirigida pelo antigo dirigente da CIA James Woosley), outra é o OTPOR, criada em 1998 com o apoio da organização americana National Endowment for Democracy e que organizou revoltas violentas em vários países.
 

O "conselho de Maidan", constituído por lideres políticos da oposição, da sociedade civil e grupos radicais, designou Iatseniuk, com 39 anos de idade, pro-europeu, para primeiro ministro.




Um fascista fantoche no poder.


Iatseniuk é pro-americano e anti-russo. A sua ascenção ao poder foi concertada entre a União Europeia, através de Vitoria Nuland (ministra adjunta americana dos negócios estrangeiros encarregada dos assuntos europeus e eurasiáticos) e os Estados Unidos, através de Geoffrey Pyatt (embaixador americano na Ucrânia).




O novo primeiro ministro da Ucrânia, Iatseniuk (ao meio) fazendo a saudação nazi, ao lado de Tyahnybok (à direita) chefe do partido neonazi Svoboda.




Washington ponderou colocar no poder Vitali Klitschko, ex-pugilista, chefe do partido UDAR financiado pelo partido conservador alemão, mas apesar de se ter tornado um parceiro influente ainda não foi escolhido como personagem principal para esta fase.


Outra possibilidade ponderada foi a de Oleh Tyahnybok, chefe do partido neo-fascista da União pan-ucrâneana (Svoboda), mas foi considerado mais útil fora do governo.


Por fim, dos três candidatos, os Estados Unidos apostaram em Iatseniuk que contudo trabalhará durante a sua governação numa estreita colaboração com Klitschko e Tyahnybok.


Para legitimar esta mudança de regime na Ucrânia, os Estados Unidos necessitavam do apoio da ONU, o que foi feito com o enviou por parte de Ban Ki-moon de um enviado especial, Robert Serry, para abençoar esta revolução "democrática".


Sergei Glazyev, colaborador de Vladimir Putin, revelou que os Estados Unidos gastaram 20 milhões de dólares por semana para apoiar a oposição ucraniana, inclusive com armas.







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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Ucrânia: a última fronteira

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Durante muito tempo partilhada entre as potência regionais, em 1922 a Ucrânia tornou-se uma das Repúblicas Soviéticas. Considerada o celeiro da URSS, tornou-se progressivamente dependente do abastecimento de gás natural da Rússia.

Partilhada entre as suas origens eslavas e o apelo europeu, tornou-se num palco apetecível para as potências ocidentais para cercar a incómoda Rússia.

É neste contexto que devemos observar o que realmente se está a passar na Ucrânia.




Estados Unidos

O seu objectivo é separar a Ucrânia da Rússia  a para isolar. Os Estados Unidos utilizam a Ucrânia e a União Europeia para os fins para o fim que foi criada: limitar as eventuais potências europeias e isolar a Rússia.



Polónia

A Polónia, neste momento, é a aliada previligiada dos Estados Unidos, aproveitando o seu rancor em relação à França e à Alemanha. Tem todo o interesse em fazer uma aproximação em relação à Europa para poder reconquistar alguns territórios e influência perdidos em 1945.



Alemanha

Tem todo o interesse em "recuperar" a Ucrânia, como o fez em relação à Jugoslávia, além de ser um mercado económico apetecível.



A Rússia

Tem muito a perder em relação à Ucrânia, especialmente em relação à sua situação geo-estratégica regional, mas em caso de desmantelamento da Ucrânia irá "recuperar" a zona Este industrializada e a Crimeia.



França

Tem todo o interesse em criar um eixo franco-russo para a afastar a influência alemã.

 

Ucrânia

No meio de tudo isto, o presidente da Ucrânia, apesar do poder oligárquico instalado, teve o crédito de tentar conciliar as "duas" Ucrânias, a de Leste e a de Oeste, pressionar a Rússia e a União Europeia. Tinha que assegurar as exportações para a União Europeia e ao mesmo tempo negociar com os seu principal fornecedor energético: a Rússia. Foi um dos seus erros: os Estados Unidos nunca lhe iriam perdoar. Tal como não o fizeram com Noriega, Saddam Hussein, Chevardnadze, Khadafi,...





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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A obsessão do déficit público abaixo dos 3%

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O deficit público ocorre quando o valor das despesas de um governo é maior que as suas receitas, sendo este valor expresso em percentagem sobre o PIB de um país.




A famosa meta dos 3%.


Por disciplina financeira, os países membros do euro definiram que o deficit público de cada país não deveria ultrapassar os 3% do PIB.


O limite de 3% de deficit público, fixado pelo Pacto de estabilidade, tornou-se uma verdadeira obsessão para os burocratas de Bruxelas. Na realidade, mesmo em período de crescimento económico, a não ser dois ou três pequenos países da UE, a grande maioria nunca respeitou esse valor.


Este fetischismo das contas públicas levou à instalação de planos de austeridade que conduziram à destruição económica de vários países através de medidas de contenção de salários, aumento de impostos e venda ao desbarato do aparelho produtivo.


Prisioneiros do euro, e perante o imobilismo do BCE, os países do sul da Europa não têm qualquer meio de escapar à destruição da sua economia, tudo em nome do sacro-santo deficit público imposto, que os países do norte da Europa não respeitam.




Deficit público um instrumento capitalista.


A possibilidade de poder fazer variar o deficit público é instrumento económico que permite limar os vários parâmetros conjunturais. A proibição dessa possibilidade, com o limite dos 3%, advém de uma concepção ultra-liberal baseada na capacidade do mercado se auto-equilibrar e estabilizar a economia.


Esta obsessão da limitação do deficit público tem como finalidade escondida o aproveitar as crises para a restructuração do capital à custa dos trabalhadores.


Assim, numa sociedade capitalista, se o investimento público se destinar a coisas úteis, o deficit não é um drama, antes pelo contrário. Um deficit público mais elevado pode funcionar por parte do Estado como um motor de arranque económico, a meta arbitrária dos 3% não faz qualquer sentido. O Reino Unido tem vivido normalmente com valores mais elevados, 8,3% em 2011 e 6,3% em 2012.




Uma dívida impagável.


Não esquecer que o torna actualmente as dívidas públicas insustentáveis na zona euro têm em grande medida origem no artigo 123 do Tratado de Lisboa, que proíbe o financiamento dos Estados directamente com o BCE. Os bancos comerciais europeus financiam-se no BCE com uma taxa de 1%, para a seguir emprestar aos Estados o dinheiro a taxas que podem atingir os 11% !


É urgente rever os tratados europeus para permitir que os Estados se financiem directamente no BCE.


Desde a primavera de 2010 que a crise da dívida pública se tornou um pretexto para promover medidas de austeridade na Europa. A dívida é antes de mais um assunto de classe, trata-se de uma "redistribuição ao contrário" em que os rendimentos da maioria da população se desloca para os mais ricos.


O rendimento do trabalho tem baixado ao mesmo ritmo que tem aumentado o rendimento do capital.





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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Tráfico de cigarros: mais rentável que a heroína

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Por cada 1 000 dólares investidos, o tráfico de cigarros gere um retorno de 43 000 dólares, ou seja o dobro do tráfico de heroína.



O contrabando de armas ou droga chama mais a atenção dos media, no entanto dezenas de milhares de dólares são produzidos pelo tráfico de tabaco, alimentando da mesma forma as máfias e rede terroristas.


Esta actividade é extremamente lucrativa. Na Ucrânia, um maço de cigarros custa 1,33 euros, enquanto que em Portugal custa 4,20 euro, no Reino Unido 9,03 euros e na Noruega 10,45 euros.







O tabaco proveniente da Ucrânia, da Moldávia e da Bielorússia viaja por via terrestre directamente para a Eslovénia e para a Itália, ou via Grécia, onde por via marítima chegam à Itália. É na Itália que grande parte do tráfico de tabaco é centralizado pelas diversas máfias locais.


No porto de Génova a logística está a cargo da 'Ndrangheta, em Brindisi está a cargo do clã Sacra Corona Unita, em Naples e Salerno é a Camorra e na Sicília a Cosa Nostra.







O principal produtor de tabaco contrafeito é a China, de onde viaja por via marítima até ao Dubai, onde é armazenado, seguindo posteriormente por via marítima até à Itália. Por vezes também utilizam a Grécia e o sul de Espanha como portos.


O destino final de todo este tráfico são os países europeus onde o preço do tabaco é mais elevado: França, Suíça, Alemanha, Bélgica, Holanda e países nórdicos.


Actualmente 20% dos cigarros de contrabando vendidos são de contrafação, em África são cerca de 80%.


Calcula-se sejam produzidos por ano 1 000 000 milhões de cigarros no mundo, desses, cerca de 1/3 são vendidos ilegalmente, e desses 80% através do crime organizado.


O tabaco contrafeito contem, em relação ao lícito, 3 vezes mais arsénio, 5 vezes mais cádmio, 6 vezes mais chumbo, 80 vezes mais nicotina, 133 vezes mais monóxido de carbono e 160 vezes mais alcatrão.


Recentemente foram descobertos no Reino Unido cigarros contendo canabis com anfetaminas e crack, para fidelizar uma clientela mais jovem.


O tráfico de tabaco (produto lícito) encontra-se muito menos punido do que o tráfico de droga, por exemplo, dado que não se trata de um crime, mas sim de um delito fiscal. As sanções limitam-se na maioria dos casos à destruição da mercadoria ou a multas irrisórias, raramente a penas de prisão. Esta situação torna o tráfico de tabaco altamente atractivo. 


A possível introdução a nível de legislação europeia de uma embalagem genérica, sem logótipo e sem marca, apenas com imagens chocantes a titulo preventivo, poderá ter um efeito amplificador do comercio ilegal de cigarros, dado que para as máfias será muito mais fácil a produção de um maço branco ou com uma fotografia.







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terça-feira, 27 de março de 2012

Um bode expiatório transformado num radical islâmico

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O presumível assassino de Toulouse foi descrito por várias testemunhas como sendo corpulento e com uma tatuagem ou um cicatriz na cara. O que temos é um jovem franzino que gostava de se divertir com os amigos, apresentado como um perigoso radical islâmico. Eliminado, muitas dúvidas subsistem.




A polícia do Afeganistão confirma que Mohamed Merah esteve nesse país no dia 22 de novembro de 2010 que o terá sido interpelado e entregue às forças da NATO. Um oficial americano no Afeganistão, em Kandahar, revela que no seu passaporte constavam recentes deslocações: a Israel, depois à Síria, ao Iraque e à Jordânia.
Uma questão que se coloca: como é que obteve um visto turístico para visitar Israel, sendo muçulmano, sem ser incomodado pelos agentes da Mossad ?
Muitos países árabes recusam a entrada a pessoas que tenham estado em Israel, é o caso da Síria. Como é que entrou na Síria com um visto de Israel, onde tinha estado antes, no seu passaporte?




Fontes oficiais da segurança israelita confirmam que Mohamed Merah passou três dias no país em 2010. O que terá ido fazer a Israel?




Era descrito pelos seus amigos com "calmo, simpático e respeitador", tinham estado com ele na semana anterior numa discoteca onde beberam como habitualmente uns copos. Se é verdade que os filhos da segunda e terceira geração de origem árabe já se afastaram da prática muçulmana, um radical islâmico, como ele é descrito, não pratica tais actos proibidos pelo Corão.




Mohamed Merah refugio-se na sua casa, um pequeno apartamento com 48 m2, mais exactamente na casa de banho. As forças especiais francesas (RAID) já tinham conseguido retirar as janelas e porta. Porquê é que forças treinada, sabendo que ele estava sozinho no apartamento, um rés de chão, não intervieram mais promptamente?




Mohamed Merah terá saído da casa de banho até à varanda para fugir, disparando contra o RAID. Esse trajecto não terá demorado mais do que 5 a 10 segundos, mas mesmo assim os 15 atiradores do RAID dentro do apartamento terão conseguido dispara cerca de 300 vezes. No entanto nenhuma dessas balas terá atingido Merah., terão sido duas balas, uma na cabeça e outra no estômago, atiradas por um sniper no exterior a atingi-lo. 




A ordem era de capturar Mohamed Merah vivo. Num rés de chão, sem janelas e sem porta, porquê é que não foram lançadas granadas anestesiantes para capturar Merah vivo?



As vítimas da escola judaica foram rapatriadas para Israel em menos de 36 horas. Apesar do ritual judaico estipular que os mortos devem ser enterrados 48 horas após a morte, a legislação francesa é muito clara, qualquer crime deve ser objecto de uma autópsia. Porquê é que não foram realizadas as autópsias?
Porque é após o ataque, não foram deslocados, à escola, os serviços de emergência médica ou os bombeiros?

Porque é que a escola foi logo de seguida invadida por jornalistas e altos representantes do Estado, alguns dos quais estrangeiros, não era supostamente um local de crime sujeito a restrições de acesso para inquérito policial?

http://www.tribunejuive.info/communaute/lettre-de-pierre-besnainou-president-du-fonds-social-juif-unifie-et-de-lappel-unifie-juif-de-france



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quarta-feira, 21 de março de 2012

Quando as vítimas não são todas iguais









O triplo crime de Toulouse apresenta numerosos factos estranhos e difícil de serem explicados. 
A coincidência com actual período eleitoral francês é uma bênção para Sarkozy.
A diferenciação com que são tratadas as vítimas, pela comunicação social, em função da sua origem étnico-religiosa é abjeta.




Uma polícia ineficiente...


O autor dos crimes de Toulouse, em França, será um francês de origem argelina e que estaria a ser vigiado desde há anos pelos serviços secretos franceses, em particular por se ter deslocado várias vezes ao Paquistão e Afeganistão.


No primeiro crime, terá morto um jovem militar de origem marroquina num parque automóvel, com um tiro na cabeça, após este ter colocado à venda a mota num site conhecido. A polícia  dirigiu o seu inquérito para os servidores desse site para identificar o seu endereço IP. Quanto tempo leve um amador a a identificar um endereço IP a partir do ficheiro de um servidor? Talvez duas horas. A policia: menos de vinte minutos.
Então porque é que nada foi feito para prender o suspeito logo no seu primeiro crime?


Os serviços secretos ocidentais são peritos em manipular a opinião pública através de atentados imputados a islamitas. Frequentemente utilizam muçulmanos descontentes e incitam-nos a passar ao acto, quando não são os próprios serviços secretos que os recrutam fazendo-se passar por organizações terroristas.
Será este mais um caso?




A "cor" das vítimas conta...




A morte de três soldados, dois de origem magrebina e um negro, não traumatiza suficientemente a opinião pública, o trauma tem de ser maior. Neste contexto nada melhor do que matar crianças, nesta caso judias. Aqui mais uma coincidência: o estabelecimento de ensino judaico tinha sempre vigilantes armados nos portões de entrada, nesse dia ninguém.


Assassinar magrebinos ou negros não suscitou qualquer emoção mediática, no entanto o assassino de crianças judias teve uma mobilização da parte do Estado sem precedentes e uma difusão mediática com protestos internacionais vigorosos. Porquê esta diferença?


Esta diferenciação mediática demonstra, mais uma vez, o carácter racista dos meios de comunicação social ao serviço de grandes grupos económicos bem definidos e que manipulam os acontecimentos a seu favor e a favor das ideologias que defendem.


A hierarquização das vítimas equivale a dizer que as vítimas não são todas iguais, não valem todas o mesmo, não tê direito à mesma compaixão. 


Em 2005, em Paris, 14 crianças africanas foram vítimas de um incêndio criminal, nenhum político dignou deslocar-se ao local. Em 2009 centenas de crianças foram mortas na Faixa de Gaza pelo exército israelita, os média ficaram silenciosos.


Quando falamos em judeus, volta sempre o facto que por causa da "Shoah" é legítimo dar mais importância às vítimas judaicas. As vitimas da teoria da superioridade das raças não têm legitimidade para hierarquizar as outras vítimas. Esta teoria legitima, em nome da superioridade do sofrimento, que as vítimas antigas se tornam em torturadores futuros, como na Palestina.


A hierarquização das vítimas equivale à hierarquização das raças. Ora, os próprios judeus sempre foram reféns do sionismo que usa o anti-semitismo para recrutar judeus para participarem na sua conquista territorial. Este é mais um caso em que só se ouviu falar em anti-semitismo. Porquê, quando houve vítimas árabes e negras?



Quem beneficia com estes atentados?


Para alem deste aspecto, uma questão permanece: quem beneficia com estes crimes demasiado "perfeitos"? Como já vimos a campanha eleitoral foi suspensa, mas o candidato-presidente Sarkozy aparece várias vezes por dia na televisão a falar do assunto. Neste momento apenas um dos candidatos presidenciais tem voz perante a opinião pública: Sarkozy.


Este caso parece ser mais uma conspiração politico-mediática que acontece (puro acaso, claro) numa fase decisiva da campanha presidencial francesa. A reeleição de Sarkozy era praticamente impossível, "a única chance de Sarkozy ser eleito residia num acontecimento exógeno à campanha, um acontecimento internacional, excepcional ou traumatizante" como disse a semana passada Christophe Barbier, amigo íntimo de Sarkozy.
Coincidência em período eleitoral?


As questões essenciais, as económicas e sociais, desapareceram durante este período, só permanece a questão da insegurança. A insegurança transmitida horas a fio pelos media, através deste crime odioso de criança cometido por um radical muçulmano, cultiva o medo. Uma população com medo é uma população fragilizada. Sarkozy surge assim como um chefe de Estado exemplar, uma espécie de super-homem salvador da França.


Por outro lado, a vitimização dos judeus, com que o povo francês sempre se identificou, ajuda a opinião pública a ficar preparada para um eventual ataque ao Irão, afim de castigar os perigosos muçulmanos. 



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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Islândia: a revolução silenciosa

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A Islândia acabou o ano 2011 com um crescimento económico de 2,1% e em 2012 vai ter o triplo da taxa de crescimento esperada para a União Europeia. Após o colapso financeiro encontrou medidas inéditas para sair da crise e vai julgar os seus responsáveis.





O colapso.


Em 2008, a dívida da Islândia era nove vez o seu PIB, a sua moeda colapsa e a bolsa é suspensa depois de ter caído 76%. O país vai à falência e tem de recorrer a dois empréstimos, um do FMI de 2,1 mil milhões de dólares e outro dos países nórdicos e da Rússia de 2,5 mil milhões de dólares.


O FMI, como sempre, exigiu em troca medidas de "ajustamento" traduzidas em cortes nas despesas sociais. A população revolta-se, o que provoca a queda do governo e eleições antecipadas. O Partido da Independência, conservador, é substituído por uma coligação de partidos de esquerda, ecologistas e sociais democráticos. Um referendo rejeita o salvamento dos bancos privados e os principais bancos, Glitnir, Landsbankinn e Kaupthing, são nacionalizados.



Responsável ou bode expiatório?


Actualmente, vários responsáveis do sector bancários deverão ir a julgamentos por fraude e abuso de poder. O parlamento islandês nomeou uma comissão de inquérito, composta por dois filósofos e um historiador, para analisar o aspecto ético da crise, um atitude única e inovadora. 


O antigo primeiro ministro islandês, Geir Haarde, está actualmente a ser julgado por ter mal gerido a crise que provocou o colapso do sistema bancário do seu país. Arrisca-se a 2 anos de prisão se for declarado culpado. Uma comissão tinha proposto inicialmente culpar quatro pessoas.


Esta acusação de "negligência" e "violação das leis sobre a responsabilidade ministerial", do antigo primeiro ministro, é vista para a maioria dos observadores como a tentativa de encontrar um bode expiatório, outros vêm nela um acerto de contas político por parte dos seus velhos inimigos no poder, agora que o poder virou à esquerda.


O que parece estar em causa na responsabilidade da crise islandesa não é uma pessoas, mas sim de um conjunto de actuações de vários actores políticos, assim como de vários responsáveis do sector financeiro do país. 



Islândia: um "mau" exemplo.


A "revolução" islandesa é muito pouco badalada nos media oficiais, pois esta poderia servir de "mau" exemplo para outros países nas mesmas circunstâncias: recusa em pagar as dívidas de bancos privados, nacionalização e colocação sob controlo democráticos de três bancos, e nacionalização, para breve, dos recursos naturais. Esta revolução anti-capitalista poderia dar más ideias a outros povos europeus.
 

E tudo isto sem violência, sem um único disparo da polícia. Uma espécie de revolução silenciosa. É verdade que, a maioria das vezes a democracia directa só vive enquanto está na rua e desaparece quando se institucionaliza. Mas seja como for, a Primeira-Ministra islandesa, Johanna Sigurdsdottir, e o seu governo elaboraram um plano de rápido relançamento económico que parece estar a dar frutos. 


A Islândia continua assim, a ser um país inovador em vários aspectos: foi o segundo país do mundo a reconhecer o direito de voto às mulheres (depois da Nova Zelândia), o primeiro país a ter um chefe de governo homosexual, a ser um dos países mais seguros do mundo em termos de violência e a ter 100% de alfabetização.







http://www.pressegauche.org/spip.php?article9031

http://www.acp-eucourier.info/fr/content/ethique-et-finances

http://www.arretsurimages.net/vite.php?id=11942

http://www.lemonde.fr/europe/article/2011/09/05/islande-l-ex-premier-ministre-unique-coupable-de-la-crise_1568015_3214.html

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O assassinato das populações e das soberanias nacionais

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Parte duma Conferência de Imprensa de Daniel Estulin no Parlamento Europeu no dia 1 de dezembeo de 2011.




Nesta conferência, Daniel Estulin explica, entre outros temas:

- A desintegração do sistema financeiro económico transatlântico,

- O colapso do sistema financeiro com a existência de 1 a 2 quatrilhões de dólares em aplicações financeiras especulativas,

- O assassinato das populações com a autoridade e a venda das soberanias nacionais,

- A guerra actual diferente de todas as outras, em que quem controla as operações não são os governos, mas sim as grandes empresas mundiais,

- O papeis de Monti, Draghi, Rompuy, Barroso,

- A Goldman Sachs, Trilateral, Bilderberg,

- A impossibilidade dos países "resgatados" pagarem as dívidas,

- A criação de duas Europas.




A ver absolutamente (legendas em português)









Este vídeo foi publicado no blogue "A viagem dos Argonautas", com o qual colaboro, e que vai promover um debate aberto a todos que nele queiram participar sobre "Que democracia queremos":

http://aviagemdosargonautas.blogs.sapo.pt/



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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mario Draghi: a inacreditável nomeação de um vigarista para presidente do BCE

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Pela primeira vez, a presidencia do Banco Central Europeu (BCE), um lugar reservado até aqui aos holandeses, alemãos e franceses, vai ser entregue a um italiano: Mario Draghi.


Mario Draghi formou-se em economia na Universidade La Sapienza de Roma, obteve um doutorado em economia pelo Massachusetts Institute of Tecnology (USA) em 1976, foi professor da Universidade de Florença de 1981 até 1991, foi director Executivo do Banco Mundial de 1984 a 1990 e director-geral do Tesouro italiano de 1991 a 2001.




Um passado suspeito...


Até aqui tudo bem. Temos um indivíduo com um curriculo invejável. O problema é que no seu curriculo, também aparece uma fase nubelosa, aquela em que foi vice-presidente na Europa do banco Goldman Sachs.

(ver artigo: "Goldman Sachs: um dos tentáculos do polvo" e "Explosão da BP premeditada?")

Essa função foi exercida de 2001 a 2005. Ora, entre 2001 e 2002, a Grécia dissimulou várias dezenas de milhares de euros de dívidas. Mario Draghi disse que não sabia de nada. Uma resposta que nos deixa no mínimo perplexos: ou está a mentir, o que é grave para o cargo que vai desenpenhar no BCE, ou é um incompetente, o que é perigoso para as finanças europeias. Também pode ser mentiroso e incompetente!


Temos portanto a nomeação para presidente do BCE, de um hommem que trabalhou para um dos maiores bancos privados. O seu antecessor, Jean-Claude Trichet também estava ligado aos meios financeiros, mas através de altos cargos público, nunca directamente ligado a um banco, como agora vai acontecer.


Não admira que o jornal Le Monde diga dele que "os seus conhecimentos dos mercados faz dele o melhor candidato para o BCE", só se for para a comunidade financeira!


A nomiação de Mario Draghi vem clarificar as coisas. O BCE não defende os interesses dos seus cidadãos, mas sim o interesse dos bancos.



O negócio do século!


Temos então, um homem que vai assumir o futuro do Euro, e que passou por um banco que escondeu as contas da Grécia, e que veio a criar as condições para o descadeamento de uma crise na qual o Euro era o alvo. Descubra onde está o erro.


O banco Goldman Sachs não é um banco qualquer. Basta lembrar que Henry Paulson passou por lá 32 anos, antes de ser chamado em 2006 para secretário do Estado do tesouro americano, cargo esse que ocupava quando o banco Lehman Brothers, grande inimigo da Goldman Sachs, foi levado à falência e que o governo, do qual fazia parte Henry Paulson, decidiu não o secorrer.

 

Em 2009 a dívida grega era insustentável. É então, que o Goldman Sachs vai realizar o negócio do século. Vai fazer circular o rumor de que a Grécia vai pedir à China para lhe comprar 25 mil milhões da sua dívida. Goldman Sachs sabia perfeitamente que a China nunca iria cobrir essa soma. Finalidade: fazer disparar os mercados. Porque paralelamente, o Goldman Sachs aconselha os seus clientes a comprar Credit Default Swap grego. Estes Credit Default Swap funcionam como uma espéce de seguro, se a Grécia não pagasse, era o Jackpot assegurado.



Nessa altura, o Goldman sachs já ganhava uma soma considerável como "consultor" da Grécia, mas ao mesmo tempo, fazia "apostas" sobre a sua falência nas suas costas. Como é que se pode chamar a isto? Senão manipulação de mercado ou vigarice. Qualquer que seja o termo, estamos perante uma total falta de ética e de desregulação do mercado. E agora, temos esse mesmo Sr. Draghi nomeado presidente do BCE!


Nota: como seria de esperar, Mario Draghi também é membro do clube de Bilderberg.



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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Islândia: simples reforma ou revolução?

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A atitude da Islândia perante a crise e a sua recusa em ajudar os seus bancos privados (Islândia: como sair da crise sem ajudar os bancos), suscitaram um grande interesse e admiração da opinião pública, e com razão. 

A constituição de uma convenção constitucional onde, muitos já viam nela uma verdadeira assembleia popular, está longe de atingir as expectativas e para muitos está-se a tornar uma desilusão.







Uma medida corajosa.


Numa entrevista à agência financeira Bloomberg, o presidente islandês tinha dito: "A diferença (com a Islândia) é que na Islândia nós aceitámos que os bancos fossem à falência. Eram bancos privados e não temos nada que injectar dinheiro para os manter; o Estado não tem que assumir a responsabilidade da falência dos bancos privados".


A crise era particularmente brutal para os islandeses. A falência do banco Icesave implicava assumir um reembolso, sobretudo ao Reino Unido e à Holanda, que custaria 40% do PIB islandês. Após os protestos populares, o Presidente da República recusou promulgar a lei que rectificava esse acordo de pagamento. Houve um referendo com 60% de participação e 93% da população recusou tal pagamento. 


Desde essa altura, a Islândia desvalorizou a sua moeda em 50% em relação ao dólar, o que permitiu relançar o turismo, as exportações de peixe e de alumínio.



Uma assembleia pouco popular.


O que mais chamou a atenção na Islândia, foi a criação de uma "convenção constitucional" que muitos chamaram de "assembleia popular". Uma convenção constitucional tem como objectivo o propósito de rever e escrever uma nova constituição. Na realidade, esta assembleia composta por 25 indivíduos também irá redefinir a papel do Presidente da República, redefinir as circunscrições eleitorais, a propriedade dos recursos naturais e a legitimidade das nacionalizações do sistema bancário. 


Convém porem salientar, que para designar esta assembleia constitucional, apenas 36% da população foi a votos, o que demonstra um grande desinteresse popular. A maioria dos 25 membros desta assembleia é constituída por advogados, jornalistas, universitários e dirigentes de grandes empresas. Estes não são propriamente "cidadãos vulgares", mas sim personalidades com notoriedade, muitos dos quais já tinham alguma responsabilidade pública no passado. 


Estas personalidades depois de serem eleitas, tiveram de ser "designadas" pelo parlamento, o que em termos práticos, representa que foram "escolhidas" pelo parlamento e não pelo povo.


A população foi chamada a fazer, durante 3 meses, comentários e sugestões com vista a mudar as coisas. Numa população total de 318 000 islandeses, foram recolhidos 3600 comentários, ou seja 1,1% da população e 370 sugestões, ou seja 0,1% da população! 


Além disso, este processo "revolucionário" veio pouco a pouco a deparar-se com a oposição de uma pequena, mas poderosa, burguesia oligarca que não quer ver mudadas as suas posições económicas.


Afinal, nada de muito revolucionário em todo este processo. A finalidade parece não ser a redistribuição do poder económico pelo povo, mas sim uma actualização do poder político e legitimar as reformas do sistema bancário.



Reforma ou revolução?


O poder é antes mais nada económico. Para haver uma revolução tem de haver um redistribuição do poder económico entre os indivíduos. Pode-se reformar as vezes que se quiser o poder político, se o poder económico ficar inalterado, será um reforma e não uma revolução. 


O que se está a passar na Islândia é, na realidade,  uma reforma política e não uma revolução. Apesar de ter suscitado grandes expectativas, estamos longe de se estar a assistir à criação de uma verdadeira assembleia popular revolucionária.


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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Intervenção da NATO na Líbia: um operação preparada de longa data

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15 fevereiro 2011: revolta violenta em Bengasi que depois alastra a outras cidades líbias.

21 fevereiro 2011: o ministro da justiça líbio, Mustafa Abdel Jalil demite-se.

27 fevereiro 2011: Abdel Jalil instala o Conselho Nacional de Transição (CNT) e declara-se o único representante da Líbia.

10 março 2011: a França reconhece o CNT como governo legítimo da Líbia.

10 março 2011: nesse mesmo dia o Reino Unido oferece, em território britânico, um escritório diplomático ao CNT.

12 março 2011: o CNT cria um novo banco, o Banco Central da Líbia e uma companhia nacional petrolífera líbia.

17 março 2011: início da intervenção da NATO na Líbia.



Toda esta operação da NATO estava preparada de longa data. O grande objectivo dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França foi sempre apoderar-se do petróleo líbio e isso passava pela eliminação de Kadhafi, mas obviamente não iriam instalar uma pessoa qualquer no poder. E essa pessoa é Mustafa Abdel Jalil.




Quem é, na realidade, Abdel Jalil?



Mustafa Abdel Jalil era o equivalente ao ministro da Justiça do governo líbio desde 2007. 


Desde essa altura, que uma das suas principais "tarefas" tem sido a libertação de centenas de combatente anti-Kadhafi. Em 2010 até tinha ameaçado demitir-se, se o seu programa de libertação dos prisioneiros opositores ao regime não fosse acelerado. 


Este antigos prisioneiros iriam constituir mais tarde, a principal força bem treinada da rebelião das quais faz parte o famoso Grupo Islâmico Combatente da Líbia (GICL).
Após a libertação dos últimos membros do GICL, Abdel Jalil demite-se, e uma semana depois cria o Conselho Nacional de Transição.


Durante anos a fio, Abdel Jalil mantinha negociações secretas com os Estados Unidos com vista à futura privatização da economia líbia pós-Kadhafi. Este facto explica a rapidez com foi feita a transferência das riquezas líbias, com a criação do Banco Central da Líbia e a a companhia nacional petrolífera líbia, 15 dias apenas após a criação do CNT.


Também talvez explique porque é que Abdel Jalil recusou pouco depois a mediação do conflito pela União Africana, preferindo a intervenção dos seus amigos da NATO.



Rebeldes líbios pró-americanos


Esta estranha rebelião foi dirigida e fomentada por um grupo de quatro conhecidos opositores com ligações aos Estados Unidos e colaboração com a CIA  e MI6 que viviam nos Estados Unidos e em Inglaterra à mais de 35 anos, três têm passaporte americano e um inglês. O outro grupo influente de rebeldes é composto pelos "dissidentes" de última hora, dos quais fazem parte Abdel Jalil, antigo ministro da Justiça e um oficial de alta patente implicado entre outras coisas na desestabilização do Chade.





Serviços secretos MI6 e queda do regime líbio.


O plano de ocupação da Líbia pela NATO foi construído com a colaboração dos serviços secretos da CIA e do MI6. Documento confidenciais recuperados após a queda de Tripoli revelam agora o papel importante de Mark Allen, antigo sub-director da luta antiterrorismo do MI6 britânico. 


Logo após a invasão do Iraque em 2003, tinha-se tornado claro que a Líbia seria o próximo alvo da NATO. Mark Allen servia então de intermediário entre a Líbia, os Estados Unidos e o Reino Unido para "facilitar" as relações e litígios entre esses países.


Na Líbia, o seu interlocutor principal era o chefe dos serviços secretos Mussa Kussa. Este, abandonou o seu país em plena guerra para se juntar ao seu amigo Mark Allen em Londres.


Durante a invasão da Líbia pela NATO, Mark Allen já se tinha reformado do MI6, mas vamos encontrá-lo como conselheiro político da petrolífera BP e consultor do Monitor Group que fazia lobbying junto do filho de Kadhafi, Saif El Islman Kadhafi, que terá sido ingenuamente utilizado.


Mark Allen está ainda acusado de ter utilizado no passado as prisões líbias para que agentes do MI6 aí  torturassem prisioneiros acusados de terrorismo, fugido assim às leis britânicas. Este facto foi relatado pela ONG Humain Rights Watch após visitarem os locais dos serviços secretos de Kadhafi.


O chefe rebelde Abdelhakim Belhadj afirma, por seu lado, que no tempo em que esteve preso nas prisões de Kadhafi, terá sido interrogado pelos serviços secretos franceses. Human Rights Watch pede que um inquérito internacional seja levado a cabo para esclarecer estes factos.


Abdelati Obeidi, antigo ministro dos negócios estrangeiros líbio, afirma que até há poucos meses, os agentes dos serviços secretos britânicos do MI6 ainda continuavam a colaborar com algumas pessoas do antigo regime de Tripoli e estavam operacionais quando se iniciou a revolta líbia.





http://www.mondialisation.ca/PrintArticle.php?articleId=26412
  
http://www.france-info.com/monde-afrique-2011-09-09-libye-les-services-secrets-francais-ont-ils-collabore-avec-le-regime-560712-14-18.html

http://www.voltairenet.org/Des-documents-attestent-du-role-de


http://www.bbc.co.uk/afrique/region/2011/09/110906_libya-mi6.shtml

quarta-feira, 16 de março de 2011

A Islândia refém dos mercados financeiros

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Num artigo anterior, (Islândia: como sair da crise sem ajudar os bancos), vimos como é que este pequeno país de 400 000 habitantes recusou injectar dinheiro para salvar o banco privado Icesave. Pela segunda vez, o presidente islandês Òlafur Grímsson recusou promulgar a lei que permitiria o Estado reembolsar os investidores privados da Holanda e do Reino Unido, ligados à falência dessa banca, num montante de 3,9 mil milhões de euros.


Mas a pressão financeira internacional está a fazer tudo para que a Islândia pague. Retrato de um país refém dos mercados internacionais...






A coragem do "não".


Antes de perseguir, temos de nos lembrar o que está em causa. Após a falência do banco Icesave, e após uma petição assinada por 25% do eleitorado, o presidente da República tinha recusado no ano passado promulgar a lei para que a Islândia pagasse 3,9 mil milhares de euros aos particulares holandeses e britânicos que tinha investido nesse banco. Foi realizado um referendo em março de 2009 que obteve 93% de "não", a Islândia não pagará.


Pouco depois, as negociações recomeçaram, e em vez do pagamento em 8 anos, a Holanda e o Reino Unido propõem o pagamento dessa soma em 30 anos e o abaixamento da taxa de juro inicial de 5,5% para 3%.



O governo estava de acordo, mas novamente aparece uma petição assinada por 20% dos eleitores  e o presidente recusa novamente promulgar a lei. Em virtude do artigo 26 da constituição, isso obriga à convocação de um novo referendo, marcado para 9 de abril deste ano. o "não" está à frente nas sondagens.






As ameaças
 Mas desta vez, várias ameaças pesam sobre o povo islandês: bloqueio das exportações islandesas (sobretudo as pescas) ou o bloqueio das negociações para a sua entrada na União Europeia (o que poderá não ser mau, visto o que estão a sofrer a Grécia e a Irlanda).


O Fundo Monetário Internacional (FMI) também ameaça cortar a ajuda financeira. O FMI formalizou  financiar a Islândia, em novembro de 2008, com um empréstimo de 2,1 mil milhões de euros dividido em várias prestações, a terceira das quais vai ser brevemente submetida ao conselho de administração do FMI dos quais fazem parte um holandês e um britânico que poderão votar contra.


As agências de rating também ameaçam com um abaixamento das suas notas caso o "não" ganhe outra vez e estão dispostas a aumentar a nota caso o "sim" ganhe. Onde é que já vimos este filme?

O Reino Unido e a Holanda dizem que se o "não" ganhar, irão pedir justiça perante os tribunais europeus e que se ganharem a Islândia vai ter de pagar muito mais. Resta saber como é que vão conseguir transformar uma dívida privada numa dívida pública do Estado irlandês. De qualquer maneira mesmo que o consigam este pagamento seria moralmente inaceitável.

O "não" irlandês poderá ser um forte sinal para os outros países europeus estrangulados pelas suas dívidas, é disse que têm medo o sistema financeiro e bancário, daí forçarem a Islândia ao pagamento desses 3,9 mil milhões de euros que são uma gota de água comparados com o que o governo britânico já gastou para salvar as suas bancas. 


Em 3 anos os islandeses perderam 30% do seu poder de compra e este referendo vai ser mais uma vez uma oportunidade para exprimirem o seu descontentamento em relação aos bancos e à classe política. Este caso também irá contribuir para o sentimento anti-europeu na Islândia, em pleno início das negociações para a sua entrada na União Europeia (UE). Hoje mais de metade dos islandeses está contra a entrada do seu país na UE, o dobro de 2008.

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http://www.alterinfo.net/Islande-l-odieux-chantage_a56129.html?preaction=nl&id=9310505&idnl=85485&

http://www.lexpress.fr/actualites/2/victoire-du-non-attendue-au-referendum-icesave-en-islande_853352.html

http://www.news-banques.com/islande-strauss-kahn-fmi-espere-une-solution-rapidement-sur-icesave/012113195/